TRANSFORMAÇÃO ELÉTRICA É NA NOSSA CASA

No momento em que o sol deve ser a principal fonte de energia na expansão do sistema elétrico, considerando os projetos cadastrados para o leilão do setor, marcado para maio. Será nesse leilão que o governo deverá selecionar os empreendimentos fornecedores de eletricidade para todas as distribuidoras.

Para se ter uma ideia da importância e do crescimento basta dizer que geração fotovoltaica representa 67%, dos 1.894 projetos catalogados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Dessa maneira a energia solar, deverá garantir 70% dos 72.250 mil megawatts (MW) adicionais estimados para o programa. Falta saber como essa eletricidade chegará aos consumidores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, pois há um descompasso entre projetos de geração e projetos de transmissão, um detalhe comprometedor para todo o programa setorial, revelando a incompetência de quem planeja o setor nesse momento.

Em 2016 a eletricidade produzida com a força do vento correspondia a cerca de 4% do consumo nacional e a 25%, aproximadamente, do nordestino, segundo cálculo do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Mas a capacidade produtiva era subutilizada. No começo daquele ano, 13 usinas estavam paradas por falta de linhas de transmissão.

Três anos antes, 26 empreendimentos estavam prontos para produzir energia de fonte eólica, na Bahia, no Ceará e no Rio Grande do Norte, mas os projetos de linhas de transmissão estavam atrasados. A produção daquele conjunto de usinas seria suficiente para abastecer 3,3 milhões de pessoas, o que é inconcebível, pois quem autoriza os novos projetos de geração também deve planejar os linhões.

Por falta de linhas de transmissão, geradoras deixaram de lançar no sistema 33 mil megawatts/hora (MWH). Essa perda chegou a 70,8 mil MWH em 2020 e a 105 mil no período de janeiro a agosto de 2021.

A geração distribuída, e que nesse momento evidencia a vocação do interior do Nordeste para a instalação de parques solares se mostra inequívoca, ao mesmo tempo que abre espaço para novos parques industriais descentralizados, pois agora temos energia e mão de obra com preços competitivos. Logo também tem a possibilidade de novos projetos agrícolas cooperados com a entrega de energia para agregar valor ao produto.

Na expectativa de que o cenário se resolva, grandes fabricantes internacionais de equipamentos estão de olho na expansão brasileira. Hoje, praticamente 98% dos equipamentos usados em usinas solares são produzidos na China, uma oportunidade de ouro para um país que vem sofrendo com a desindustrialização crescente.

Em 2021, o setor empregou 200 mil pessoas no Brasil, sendo que até o fim de 2023, a indústria solar deve gerar cerca de 1 milhão de empregos, afirmou.

As instalações em escolas, condomínios e estabelecimentos comerciais, de acordo com o volume consumido, podem ser pagas em 60 meses por valor igual ou até menor do que o da conta de luz. Ao fim desse período, o usuário é dono de seu equipamento, o que impacta significativamente no orçamento doméstico ou no custo de produtos e serviços.

Tudo isso surge no momento em que a economia do mundo caminha para acelerar a descarbonização.

É evidente que a transição energética não pode esperar mais. Essa foi uma das principais mensagens que foi lançada há alguns meses na Cúpula do Clima, realizada em Glasgow (Reino Unido), onde foi estabelecida como uma meta para eliminar todas as emissões de carbono até 2050.

Os programas de transição energética são geradores de emprego permanente, desde a instalação, a manutenção e a formação desses milhares de novos profissionais responsáveis pelas instalações dessas novas unidades geradoras.

Isso exigirá um foco na inovação e no importante efeito de condução na economia de um conjunto de tecnologias-chave na transição ecológica, que é um grande desafio com vistas à redução da dependência energética.

São oportunidades que surgem também na ampliação das áreas de pesquisa, entre tantas outras tão pouco exploradas como a pesquisa e desenvolvimento de energia marinha e suas soluções flutuantes, as áreas como: eletrônica de energia, armazenamento térmico associado a usinas térmicas solares ou reciclagem e a segunda vida útil das baterias.

É evidente que o sucesso, dependerá da necessidade das medidas de apoio e da existência de uma forte rede de parcerias público-privadas, bem como de uma regulação adequada.

Para que essa transformação se materialize, precisamos de três condições: o acesso a fundos e políticas de apoio deve ser rápido, a regulação europeia e nacional deve permitir o desenvolvimento de projetos, e os processos administrativos associados devem ser ágeis. Para uma boa abordagem estratégica, uma execução ágil e eficaz deve agora ser adicionada”.

É importante olhar para o que está sendo feito em outros países, como é o caso da Dinamarca, onde 25% do gás utilizado já tem origem renovável.

O setor de energia como um todo, sabe da necessidade de possuir um sólido arcabouço jurídico de longo prazo. Essa regulamentação, deve garantir acesso rápido aos fundos, sem burocracia excessiva envolvida, mas sem, em qualquer caso, renunciar à gestão transparente e à supervisão adequada de seu uso. O marco legal também deve definir precisamente os termos de possíveis colaborações com outras empresas.

A geração de energia por meio de painéis fotovoltaicos, uma tecnologia que até pouco tempo atrás figurava como tema excêntrico em rodas de conversa sobre a matriz elétrica, deixou para trás todas as demais fontes e assumiu a ponta no leilão que o governo vai realizar daqui a três meses para expandir o parque nacional, e para se ter uma ideia de o que isso significa, seria o mesmo que construir quase cinco hidrelétricas de Belo Monte, que é hoje o maior empreendimento nacional de geração de energia. A se basear pelo histórico da EPE, cerca de 80% desses projetos cadastrados recebem sinal verde para participar do leilão, por cumprir todos os requisitos técnicos do processo de habilitação. Se as distribuidoras apresentam boa demanda por energia nova, portanto, tudo indica que as usinas solares podem ser protagonistas da disputa.

Três fatores ajudam a entender por que a energia solar deixou de ser um experimento elétrico para entrar na base do abastecimento nacional. O primeiro é o custo da energia. Em uma década, o valor da geração solar despencou e hoje rivaliza entre as mais baratas do País, chegando até a desbancar, em alguns momentos, as eólicas e as hidrelétricas. Se em 2013 o custo do megawatt-hora da energia solar era de US$ 103, este preço caiu para US$ 31 em 2021.

O segundo fator diz respeito ao avanço da tecnologia. Hoje, um parque solar é montado com metade do investimento que seria exigido cinco anos atrás para ocupar uma mesma área, enquanto a eficiência dos novos equipamentos cresceu e hoje entrega 30% mais energia, em média, do que as estruturas que se tinham há cinco anos. O tempo de instalação também é bastante reduzido em relação a um projeto hidrelétrico, por exemplo, com usinas em operação entre um ano e meio a dois anos.

Um terceiro aspecto que favorece a expansão nacional é a incidência de sol no País, presente com forte intensidade em grande parte do território nacional e de forma constante.

Hoje, a geração fotovoltaica reúne 7.157 empreendimentos em operação em todo o País, com uma potência total de 4.735 megawatts. É pouco se considerada a fatia do sol na matriz elétrica, de 2,60% da potência nacional, mas a tendência é de que essa participação avance a passos largos nos próximos anos, a exemplo do que ocorreu com as usinas eólicas. Há uma década, os cataventos estavam no mesmo patamar em que se encontram hoje as usinas solares. Hoje, eles respondem por mais de 11% da geração do País e, em épocas de ventania, já representam mais de 20% do abastecimento diário.

Pode ser redundante, mas energia eficiente é aquela que aproxima quem produz de quem transmite e de quem consome, e isso é um facilitador para uma economia bem distribuída, o que cai como uma luva para um Brasil Continental.

A transformação digital, é uma grande aliada para transição da energia, pois a sustentabilidade caminha hoje com as novas economias,

Essa é uma oportunidade de ouro para um país como o Brasil, com seu território privilegiado na incidência de raios solares.

Pense no que vai mudar em todos os condomínios? Quantas cidades no Brasil já colocaram a autogeração como obrigatória em novos projetos de condomínio?

Pense apenas no que a energia, melhor distribuída e mais barata pode fazer com nossos produtos e serviços?

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