TECNOLOGIA, FILANTROPIA E DESENVOLVIMENTO

Períodos na história da humanidade, como o que vivemos atualmente, com uma pandemia mundial, evidenciam a necessidade de uma rede organizada de apoio social, que seja aperfeiçoada nas suas ações de filantropia.

A revista The Economist publicou em 2006, um artigo intitulado “The birth of philanthrocapitalism. The leading new philanthropists see themselves as social investors”(O nascimento do Filantrocapitalismo. Os novos filantropos líderes se veem como investidores sociais). Naquele artigo já se anunciava a tendência da filantropia como investimento social, desenvolvida na intersecção dos setores privado e terceiro setor, como um instrumento de transformação social.

Mais recentemente, a tecnologia trouxe novos conceitos, e com isso novas novos pontos para serem estudados no universo da desigualdade e da necessidade de instrumentalização para esse combate, onde as soluções devem trará as urgências do hoje, e olhar a independência do amanhã, sem nenhuma ruptura nessa transição de assistir aos mais necessitados.

Por isso termos novos como “inclusão digital”, “analfabetismo digital” e “cidadania digital” ganharam luz nesse importante debate.

Afinal a tecnologia que mostra a nossa evolução é sempre a mesma que instrumentaliza a desigualdade e as nossas diferenças, por isso a busca do acesso igual e isonômico a ela é requisito para uma sociedade mais justa.

Ao longo da história, não foram poucos os exemplos de que a tecnologia desiguala, sejam as empresas e seus produtos e serviços, ou entre as pessoas, registrando e provando o tamanho da desigualdade, servindo de certidão para o a indelével marca da desumanidade e barbárie que não diminui com o tempo, apenas altera as suas formas.

Olhe ao seu redor, nas calçadas das nossas cidades, sejam elas grandes ou médias, onde muitas vezes adolescentes caminham com seus celulares de último modelo, e seguem digitando interagindo nas suas redes sociais enquanto o mundo passa aos seus olhos. Na mesma calçada o pedinte incrédulo, que tudo observa, acompanha o caminhar de todos na esperança de encontrar solidariedade e atenção em meio a passos apressados, dedos nervosos e olhos atentos às telas dos seus celulares.

Certamente o universo parece caminhar em velocidades distintas, numa formação de astros que não conversam a mesma linguagem, e tampouco a mesma trajetória, nas ruas onde a miséria cresce quase que na mesma velocidade dessa tecnologia.

Segundo um recente estudo do IBGE 1 de cada 4 brasileiros vive, sob a linha da pobreza, são cerca de 51 milhões de pessoas que sobreviveram em 2020 com menos de R$ 450 por mês.

Esse mesmo trabalho do IBGE, mostrou que a pandemia agravou as desigualdades no acesso à educação via rede de ensino pública e privada. Os mais pobres tiveram muito menos aulas (presenciais ou remotas), além de enfrentar dificuldades estruturais, como falta de internet e computador até ausência de água e sabão nas escolas para higienizar as mãos.

Essa é apenas uma fotografia, de uma sociedade que evolui com tecnologias de última geração, e parece ser incapaz de resolver problemas tão simples, aumentamos o número de alimentos produzidos e nada disso nos permite alimentar a fome de quem tem fome, pois para esses a lógica parece ser outra, indiferente e cruel.

A pesquisa World Giving Index 2021, da fundação Charities Aid, que considera as doações em dinheiro, ações de voluntariado e também uma mais abstrata “ajuda a estranhos mostrou que melhoramos, e hoje estamos 54º lugar entre 114 nações, mas acredite nesse mesmo ranking, ficamos atrás da Indonésia, Quênia, Nigéria e Mianmar. O ranking, que representa o Índice Global de Solidariedade, revelou que a pandemia produziu uma onda global de ações filantrópicas, nesse doloroso período.

O desafio humanitário que se apresenta é como a tecnologia poderá diminuir a questão da vulnerabilidade social, seja com assistencialismo ou filantropia.

Precisamos evoluir sim, trazendo alimento as mesas e esperança aos corações.

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