STREAMING: TODOS QUEREM VOCÊ!

Em 2020, o ano em que a Tv brasileira comemorou 70 anos, as emissoras de sinal aberto devem assistiram a NETFLIX sozinha faturar mais do que todas as tvs juntas, excluindo a Globo.

Se antes da pandemia a queda do faturamento já impressionava, vamos tomar como referência o fato de que de 2015 a 2018 todas Tvs juntas perderam mais do que o faturamento inteiro de um SBT (R$1,3bi), isso mesmo, em 2015 todas juntas faturaram R$ 14,2 bilhões e em 2018 faturaram R$12,8 bilhões, se levarmos em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A), neste período a queda de faturamento saltou para R$ 3,3 bilhões.

Neste ano de 2021, o mercado projeta que a Netflix deva faturar, no Brasil cerca de R$ 7,7 bilhões, logo, ao ser comparada pelas demais TVs abertas o canal de streaming sozinho é maior do que todas as demais tvs juntas.

Se em 2018 a base de usuários de Netflix no Brasil era de 8 milhões de assinantes, em 2021, ela pode ultrapassar 18 milhões, mais do que todas as tvs por assinatura juntas.

Com a entrada de outros fortes operadores pode dar a dimensão do que vem por aí, afinal as novas gerações já nascem no streaming, veja quanto conteúdo seu filho já assiste no celular.

Nos últimos dias o mercado realizou movimentos que devem ter uma enorme repercussão no médio prazo, pois com o andamento da fusão entre AT&T com o grupo Discovery, está sendo criado uma nova empresa de US$ 150 bi e fortalece os serviços de streaming dos dois grupos de mídia, pra rivalizar com os líderes até então, Netflix, Amazon e Disney.

A AT&T ao combinar a Warnermedia (dona dos canais CNN, HBO, TNT e do estúdio de cinema Warner Bros.) com o grupo Discovery, do qual fazem parte os canais de televisão por assinatura Discovery Channel, Science, TLC, Food Network, acaba de formar o maior grupo de conteúdo, se isso vai lhe dar a liderança no streaming isso são outros quinhentos, pois a distribuição e o modelo de negócio e monetização fazem toda diferença.

A Warnermedia é a empresa formada depois da aquisição da Time Warner pela AT&T em 2016, em um negócio de US$ 86 bilhões. A fusão, que foi aprovada pelas agências reguladoras em 2018, foi um dos negócios mais valiosos realizados nos últimos anos. Ele levou anos para ser aprovado porque a AT&T também é dona da empresa de TV por assinatura Directv.

Ao lado de serviços online como Disney Plus, Amazon Prime e Apple TV+, o canal HBO é um dos principais concorrentes da Netflix no mercado de streaming, sendo que no primeiro trimestre, a empresa atingiu um total de 63,9 milhões de assinantes no mundo (somando os consumidores de TV a cabo e streaming, um número distante ainda dá liderança da Netflix e seus 208 milhões de assinantes, ou da vice liderança da Disney + e seus cerca de 107 milhões.

Dias depois desse anúncio, ocorre a especulação de que a Amazon de Jeff Bezos estaria disposta a pagar cerca de US$9 bilhões pela MGM (Metro Goldwyn Mayer), dona de hits como James Bond e Rocky, num movimento para acelerar sua garantia de conteúdo próprio, afinal, canais de streaming, dependem também de grandes franquias de conteúdo.

Com os cinemas fechados, os estúdios tradicionais sentiram a queda vertiginosa de suas receitas, o que criou a necessidade da tradicional marca do leão acelerar seus negócios.

Com a movimentação de todos os demais players, e com dinheiro em caixa, a oportunidade surge junto com a necessidade de conteúdo de qualidade, o que faz da Amazon um potencial comprador, em um processo que vinha sendo perseguido há alguns meses, e que a empresa teria visto como uma oportunidade interessante para melhorar sua já importante oferta audiovisual (dois Oscars no ano passado e vários anos seguidos melhorando seus resultados no Emmys) com o muito importante catálogo mgm, que inclui desde franquias como James Bond até cerca de quatro mil filmes de todos os tipos, e que permitiriam melhorar a competitividade da oferta da AmazonPrime. Apple e Comcast já haviam realizado negociações na MGM, e haviam avaliado em cerca de US$ 6 bilhões.

Só em 2020, a Amazon investiu US$ 11 bilhões em filmes, séries e música, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, e em um ano em que todos os estúdios tradicionais de Hollywood sofreram o indescritível devido à atividade muito baixa dos cinemas. A MGM, por sua vez, perdeu US$ 12,1 milhões no ano pandemia, e no primeiro trimestre deste ano obteve um pequeno lucro de US$ 29,3 milhões em um volume de negócios de US$ 403 milhões.

A tendência é clara, e a MGM não é o único estúdio histórico de Hollywood à venda: a Warner Media, fundada em 1923 pelos quatro irmãos Warner, como a Warner Bros. Entertainment., também está levantando uma operação de fusão com a Discovery que reflete uma tendência semelhante. Se compararmos os ritmos de produção, a adequação do mercado de seus títulos e os custos que empresas como Netflix ou Amazon obtêm com os estúdios tradicionais, podemos ver essa mudança de época evidentemente. À medida que os estúdios clássicos se esforçam por algumas produções de sucesso a cada ano, são os gigantes da tecnologia que atraem cada vez mais atores e diretores, aqueles que produzem as séries e filmes de maior sucesso e, acima de tudo, aqueles com um fluxo de receita mais constante. O modelo de assinatura de conteúdo é um modelo vencedor e não depende dos ventos e acertos artísticos e de público de uma ou outra obra.

Se a era de ouro de Hollywood foi baseada em persuadir o público a ir aos cinemas, primeiro, e revenda de direitos de exibição para outras janelas operacionais mais tarde, no século XXI o entretenimento é baseado na produção e exploração implacável através de canais por assinatura. Dos 200 milhões de assinantes da Amazon Prime em todo o mundo, cerca de 175 milhões acessam regularmente conteúdo audiovisual distribuído pela empresa. Enquanto isso, a Netflix tem 208 milhões de usuários pagos em todo o mundo, e o Disney+, 107 milhões. Entre esses três grandes players, juntamente com alguns menores, é mais do que possível que a grande maioria do mercado de conteúdo audiovisual acabe se espalhando.

O modelo mudou, e muito poucos dos jogadores tradicionais agora são capazes de se adaptar ao novo ambiente: é simplesmente uma mudança de era.

O fato é que canais de streaming, se traduzem em plataformas de conteúdo e de serviços, pois produtos licenciados de grandes marcas permitem a verticalidade nos canais de venda, o que para Amazon que já possui estrutura de distribuição física em uma senhora vantagem.

Com o seu tempo dedicado a cada dia mais aos canais de streaming, seus hábitos e escolhas viram dados e esses dados possibilidades de ofertas de novos produtos.

Se seu filho assiste a série do homem aranha, por qual razão não ofertar produtos licenciados dele?

A Amazon, vai na direção certa e quanto as TVs abertas o que importar é escolher o melhor canal de streaming como parceiro, pois em algum momento eles deixaram de serem anunciantes na TV aberta por não ter mais nenhuma necessidade.

Tudo que não tiver preparado para uma plataforma digital não terá espaço na nova economia, os números da audiência falam por si só quando a atenção os canais de streaming já superam em muitos lugares aos canais abertos.

No atual cenário global de consumo de entretenimento durante a pandemia, o relatório da MPA (Motion Pictures Association) mostra que houve aumento de 26% na assinatura de plataformas, o que corresponde a 232 milhões de novas contas. O total de assinaturas globais chegou a cerca de 1,1 bilhão em 2020. O aumento na receita foi de 34%, com arrecadação de US$ 14,3 bilhões. O faturamento desses serviços, que incluem streaming e locações online, pulou de $47.2 bilhões em 2019 para $61.8 bilhões de dólares em 2020, enquanto que as rádios e TVs abertas e de assinaturas estão olhando suas receitas derreterem.

Uma nova era com novos negócios redesenhados com a única lógica de atenção, dados e monetização, onde todos querem a sua atenção, pra lhe oferecer de tudo.

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