STREAMING, TEM ESPAÇO PRÁ MUITOS SÓ NÃO TEM PRA TV ABERTA?

Na última terça-feira, com a chegada da HBO Max, a pergunta que está na cabeça de muitos especialistas e consumidores é se há espaço para todos esses serviços de streaming de vídeo?

Afinal apenas no último ano, desembarcaram no mercado plataformas como Disney+, Paramount+, Belas Artes à La Carte, Reserva Imovision e Supo Mungam Plus, que se juntaram a gigantes como à Netflix, Amazon Prime Video, Apple TV+, Starzplay, Mubi, Telecine e Globoplay, fora os segmentados ultra especiais. Lembrando que ainda em agosto, a Disney lança o Star+, com conteúdo mais adulto que do Disney+, e em setembro, chega o Discovery+.

O avançar do streaming, essa tecnologia de transmissão de dados pela internet, seja de áudio ou vídeo para as novas plataformas sem a necessidade de baixar o conteúdo, contribuiu imensamente para sua popularização, pois, o arquivo é acessado pelo usuário online e assim, o detentor do conteúdo transmite a música ou filme pela internet sem que esse material ocupe espaço no computador ou celular.

Ao mesmo tempo imaginar se tem espaço para tantos canais de streaming, seja pelo bolso ou pelo tempo, dos consumidores vai nos levar a uma outra pergunta: Como fica a Tv aberta diante de tanta oferta e de tanta mudança de cultura, ou você imagina que as séries que tomam o tempo e criam hábito são uma criação ingênua?

Os serviços de streaming estão mudando a dinâmica de convivência em muitas famílias, veja hoje em uma reunião de amigos ou com familiares quantos trocam ideias sobre as séries que estão assistindo? E quantos falam das novelas?

Ao mesmo tempo com a entrega de conteúdo digital, por essas plataformas vai junto uma série de informações para lá de detalhadas, que vão desde o aparelho, até o tempo e quem está assistindo, algo muito distante das tvs abertas, ou seja as plataformas digitais de streaming sabem quem realmente está assistindo, e logo, devem ampliara essa experiência para os seus marketplaces, o que já ocorre em algumas de forma experimental em algumas praças e para alguns produtos. Plataformas ao contrário das tvs abertas tem os meios de pagamento de seus usuários já registrado, logo converter informação em venda é algo bem mais fácil.

Foi justamente a possibilidade da utilização de diversas plataformas, como celulares e laptops, transformou o conceito de sala de estar, para qualquer lugar, logo quando você poderia imaginar viajar em um avião com alguém que acompanha a série na poltrona do lado?

Sem os intervalos comerciais, o streaming entrega mais conteúdo em menor tempo, e tudo absolutamente customizado, seguindo uma das grandes tendências apontadas por Kevin Kelly em sua obra “Inevitável”.

Com uma relação custo benefício mais do que justificada, é absolutamente comum assinantes de dois a três serviços de streaming, como forma de completar seu cardápio de produções.

Assim cada cômodo da casa, pode ter uma programação distinta, devidamente customizada e entregando todos os dados pessoais possíveis e imagináveis, que vão desde a preferência na escolha até os segundos de cada filme ou série que as pessoas trocam por rejeição ao conteúdo.

Logo vem abrindo novos nichos para muito conteúdo local, como se denota em um relatório da Sherlock Communications, que aponta que 32% dos entrevistados brasileiros querem séries e filmes com sabor local. Dentro dessa tend6encia identificada nas plataformas a Paramount+ anunciou mais de 20 projetos originais, incluindo uma série do Porta dos Fundos e documentários sobre o jogador de futebol Adriano e o lutador Anderson Silva, tendência seguida também pelas demais, cuja escala no Brasil cada vez viabiliza mais esse tipo de produção.

Esse mesmo relatório destacou que 45% dos brasileiros assinaram pelo menos um serviço em 2020, com 16% aderindo a duas plataformas, 6%, a três, e 2%, a quatro.

Porém a briga das TVs abertas com os canais de streaming deve ficar ainda mais acirrada com a entrada de algumas dessas plataformas no futebol. Pois quando essa tecnologia é utilizada para a transmissão de partidas de futebol ou qualquer outra modalidade, permitindo a visualização on-line de qualquer divisão ou modalidade esportiva, o sucesso é imediato, por isso é fácil concluir que o streaming no futebol ou em qualquer outra modalidade, efetivamente veio para ficar.

Com a publicação da Medida Provisória pelo presidente Jair Bolsonaro, modificando a Lei Pelé, alterou os direitos de transmissão dos jogos de futebol, os contratos de exclusividade perderam com isso parte significativa da sua força e com assim os serviços de streaming passaram a ter mais relevância.

Porém como não foi votada no Congresso a Medida Perdeu a sua validade, mas já aponta uma tendência que deve voltar em breve.

A MP do dia 18 de junho promoveu aos times mandantes dos jogos o direito exclusivo de transmissão de suas partidas, dessa maneira torna-se desnecessário acordar o campeonato inteiro com apenas uma emissora e sendo assim, os clubes mandantes podem transmitir os jogos por seus serviços de streaming, vender para diversas emissoras ou até para serviços de streaming estrangeiros. É óbvio que isso deve dificultar a negociação com uma só emissora de todo campeonato, pois, vai exigir um esforço muito maior.

A MP, que alterou na época as regras de transmissão, modificou a lógica até então existente no futebol brasileiro, onde a maior parte da renda dos clubes era advinda dos contratos fechados com a Rede Globo e que os dividia com seus canais SporTv e Premiere. E onde a cota destinada a cada clube dependia da audiência, colocação na tabela e desempenho, ainda que houvesse um valor mínimo que era pago igualmente a todos. A MP 984 interviu no futebol brasileiro, porém, apontou muitos e novos caminhos, não só para os clubes mas para diversas outras modalidades de esporte.

O primeiro case, ocorreu no final do campeonato carioca, onde a Rede Globo deixou de transmitir e a final foi televisionada pelo SBT, FlaTv e um serviço de streaming que levou as imagens à China, claro que respeitando os contratos previamente assinados que continuam valendo, como no caso do Campeonato Brasileiro.

Novas plataformas digitais implicam em maior e melhor dinâmica de audiência e tudo leva para um desenho multiplataforma de mídia, onde a exclusividade da TV acaba, quem quiser vencer vai precisar estar em todas as plataformas ao mesmo tempo e o futebol ou qualquer outro esporte precisa inovar para buscar públicos jovens, que nos últimos anos foram perdidos para os e-games.

Plataformas com custo de produção mais barato abrem também espaço para diversos esportes em novas modalidades e divisões, com isso o mercado amplia para todos, atletas, profissionais de mídia, agências de publicidade e patrocinadores regionais.

Ao mesmo tempo, no caso do futebol, a visibilidade tende a ser expandida para mercados onde não chegamos, aumentando a divulgação dos clubes enquanto marcas e de seus principais ativos, os atletas. A melhor referência disso é o futebol europeu, que é transmitido para um elevado número de países pelas mais diversas plataformas. Ao expandir a visibilidade, expande-se a marca, ativo intangível do clube, bem como seus produtos licenciados crescem juntos, trazendo assim novos investidores com os mais diferentes apetites de investimento publicitário. Um anunciante para cada plataforma distinta de acordo com o bolso.

Porém existe ainda a possibilidade da distância profissional entre times grandes e pequenos aumentar e, por isso, o desequilíbrio nos campeonatos poderá mostrar-se mais evidente, visto que grandes clubes mais estruturados poderão se aproveitar ainda mais dos novos canais, algo que ao nosso ver já ocorre.

Os números dos primeiros testes foram animadores, onde a audiência seguiu na casa dos milhões ainda que em tv aberta seria bem maior, o fundamental é ter claro que são públicos distintos.

O streaming não representa a morte da TV aberta, afinal, o mesmo já foi dito do rádio e ele continua aí se reinventando

O fato é que com o celular o ato de torcer passa a ser mais individualizado, claro que com qualidade não estará disponível para todos e não serão poucos os problemas na transmissão, mas é só o início de algo muito promissor.

São novos tempos, novas plataformas que obrigam os canais de mídia tradicionais a se reinventarem, sendo cada vez mais uma plataforma de mídia e de negócios.

O que parece óbvio para a Tv aberta e todos os demais canais tradicionais de mídia é que o tempo de vender anúncios e comerciais acabou, é preciso ver o cliente como parceiro e identificar nas plataformas tecnológicas parcerias para ampliar as receitas fora dos seus canais tradicionais.

Se demorar para entender a mudança a TV aberta vai derreter, como derreteram no mundo os jornais e revistas.

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