Social Bots, eles roubam teu tempo e te desinformam.

As redes sociais e o risco da nossa desinformação colocam os principais produtores de conteúdo no olho do furacão, logo como falar em redes sociais sem dar destaque ao papel dos “Social Bots”. Eles podem ser definidos como programas de computadores que controlam contas em sites de redes sociais, logo podem aparecer em diferentes formas. Boa parte deles são chamados de “benignos”, pois, não são nocivos sendo utilizados na interface de ferramentas para receber notícias, informativos sobre o clima ou para interagir com outros sistemas, mas invariavelmente esses são facilmente reconhecidos, por isso o risco não reside nestes tipos. Porém, o objeto desse artigo são “Bots” criados com propósitos maliciosos como distribuir desinformação influenciando de forma maliciosa na distribuição de falso conteúdo.

Quase sempre o alvo desses social bots maliciosos, são as entidades e as pessoas conectadas a uma rede social digital. Nos tempos atuais eles vêm sendo usados por políticos para influenciar as opiniões das pessoas e difamar oponentes, alterando o resultado de uma eleição e tornando a própria democracia um alvo, ou focados em algumas instituições, como legislativo ou judiciário, com o propósito de desprestigia-las.

Ainda que sabendo desses riscos presente nas redes sociais a maioria absoluta das pessoas não tem pleno entendimento do que representam esses perigos na prática. Usuários que não regulam a privacidade das suas contas, por exemplo, podem ter suas informações roubadas por socialbots que coletam informações. Por essa razão é que o Facebook, entre outras redes pedem ocasionalmente que os seus usuários revisem a página de segurança e privacidade. Sequestrar contas existentes nas redes sociais é uma estratégia que dificulta a identificação da atividade de bots por algoritmos.

O uso da internet no Brasil é regulado por seu Marco Civil – Lei 12.965 que em seu Art. 2º elege como fundamento o respeito à liberdade de expressão, e em seus incisos II, III, V, e VI os direitos humanos, o desenvolvimento da personalidade e o exercício da cidadania em meios digitais, a pluralidade, a diversidade, a livre iniciativa, a livre concorrência, a defesa do consumidor e a finalidade social da rede.

Logo que com a influência de robôs, que deturpam notícias lançando calúnias e fazendo com que se multiplique conteúdos inverídicos, os objetos da rede não são atingidos, e o que é mais assustador é que não há perspectiva de que o problema dos socialbots seja resolvido definitivamente.

Nesse momento o que está ao alcance dos especialistas é o contínuo desenvolvimento de métodos para detectar a presença de robôs maliciosos, para buscar anular sua atuação e para que seus impactos sejam minimizados, como bem destaca Bruno Gueiros em sua obra “Social Bots”.

Segundo o autor podemos dividir os socialbots em três famílias: 1) os totalmente automatizados, que uma vez ativados, agem completamente independentes; 2) os semi-automáticos, que regularmente precisam de intervenções de um operador; e 3) os robôs manuais, que estão em constante contato com um operador humano para agir. Os bots manuais são comumente chamados de sybils ou ciborgues, por característica esse tipo de bot normalmente executa pequenas tarefas operacionais, mas não possui um código complexo para executar suas ações, sendo necessário que um ser humano o controle, o que é comum até mesmo aos mais sofisticados.

Cada vez mais avançados, tanto os socialbots totalmente automáticos quanto os semi-automáticos podem contar com a tecnologia machine learning (aprendizado de máquina). O machine learning pode ser definido como uma subcategoria da inteligência artificial. Utilizando machine learning, os social bots podem aprender a partir de dados disponíveis nas redes sociais digitais ou, potencialmente, eles podem ser utilizados, inclusive para aprender a linguagem e a maneira com que as pessoas se comportam nos sites de redes sociais.
Nas redes sociais digitais, um social bot age como um usuário (humano) normal e desempenha as tarefas que foi projetado para fazer. Qualquer que seja o propósito, todos os socialbots têm dois componentes principais: um rosto e um cérebro. O rosto é a parte visível para outros usuários de uma rede social, ou seja, o perfil de usuário com o qual um bot se comunica nas redes. A maioria dos social bots maliciosos são projetados para serem furtivos, o objetivo é que eles se misturem na multidão.

Um social bot se comporta como um humano imitando o comportamento de usuários legítimos ou simulando o comportamento de um usuário com o uso de inteligência artificial, distinguir se estamos diante de um ou não tem sido cada vez mais tarefa para especialistas, pois o uso da inteligência artificial tem criado obstáculos para a os métodos de detecção de bots.

O teste de Turing, vem sendo utilizado para detectar e testar a habilidade de uma máquina em possuir comportamento inteligente como o de um ser humano, sendo que a abordagem de comportamento avalia questões como quantidade de amigos/seguidores, quantidade de posts, frequência dos posts, tipos de dispositivos utilizados e origem da navegação. Outra forma de abordagem no estudo dos bots é a análise de público, que funciona como um teste de Turing social.

A participação dos socialbots fere os princípios que norteiam a internet no Brasil, destacando-se a liberdade de expressão que passa a ser direcionada pela ação dos robôs.

Criar mecanismos legais que desestimulem essa cultura é fundamental, afinal sem o apenamento desse tipo de conduta o crime vai continuar compensando e a nossa liberdade de informação e de expressão, viciada por conteúdo falso, será a maior vítima.

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