SAÚDE E ASSEPSIA DIGITAL, SEU TEMPO VALE OURO

Ícones, a história da humanidade bem poderia ser contada por ícones, desde as pinturas das cavernas os símbolos são importantes para o homem.

Nos celulares eles não são diferentes, veja quantos ícones de aplicativos tem no seu celular? Quantos desses aplicativos baixados você utiliza diariamente, ou semanalmente?

Na economia de atenção as empresas de tecnologia trabalham o design para que o ícone (símbolo do aplicativo) seja, antes de mais nada atraente, fácil de encontrar e que estimule a recorrência.

Tudo com o propósito de reter a sua atenção, e logo fica a pergunta quantos desses aplicativos são verdadeiramente úteis?

Quantas das atividades desenvolvidas diariamente no seu celular são realmente importantes?

A ética no design que busca prender a atenção dos usuários é um valor jurídico cada vez mais discutido, afinal símbolos devidamente estudados prendem mais a atenção do usuário, e qual é o limite entre a estratégia de marketing e a legalidade?

Qual o tempo que diariamente, celulares, tablets, computadores e outros gadgets vem prendendo a sua atenção? E qual o limite do saudável?

Até que ponto a sua atenção dispensada decorre da necessidade ou de uma estratégia de marketing neural detalhadamente desenvolvida?

É preciso desconectar, para recuperar o tempo perdido? Isso afeta a saúde são todas questões que demandam muitas páginas para sua reposta, mas que de forma genérica quero aqui tratar do que chamamos de minimalismo digital.

A desconexão digital é evidentemente um dos grandes resultados a que muitos chamam de minimalismo digital, ou seja, a maneira que diminua a presença da vida digital no dia a dia.

No livro Minimalismo Digital, de Cal Newport ele lembra se de um importante artigo de 2010, publicado no American Journal of Thought, onde se conclui que cada vez mais as evidências sugerem que os vícios comportamentais se assemelham aos vícios químicos em muitas esferas. O artigo aponta o jogo patológico e o vício em internet como dois exemplos precisos desses distúrbios.

Quando a Associação de Psiquiatras norte americana publicou a sua quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito em 2013, incluiu pela primeira vez a dependência comportamental como uma patologia diagnosticada. Isso claro, nos leva de volta ao autor que depois de revisar os principais títulos da literatura psicológica e entrevistar inúmeras pessoas influentes no mundo da tecnologia, percebeu que dois fatores ficavam evidenciados. Primeiro, as novas tecnologias são desenvolvidas com ênfase a promover vícios comportamentais ligados à tecnologia, que tendem a ser moderados em comparação com as fortes dependências químicas causadas por drogas e cigarro. Não à toa que as pessoas costumam dizer que o celular é a nova nicotina.

Logo, lança-se um desafio: Se eu forçar você a sair do Facebook é provável que você não sofra sintomas muito graves de abstinência ou saia escondido para ir até uma lan house e poder logar no seu perfil. Por outro lado, esses vícios ainda são bastantes prejudiciais ao seu bem estar. Você pode não sair de casa para acessar o Facebook, mas se o aplicativo estiver a apenas um toque de distância no smartphone no seu bolso, um vício comportamental moderado dificultará muito mais para você resistir às famosas e constantes espiadas na sua conta.

Durante seu dia a dia verifique hoje o Facebook, que traz dispositivos que permitem controlar o uso, uma inovação dos últimos anos para o Facebook justamente para fazer sua mea culpa de quem oferta uma arquitetura viciante.

O Facebook é feito tem uma arquitetura estudada para que as pessoas passem o maior tempo possível. E assim funciona com todas as redes sociais, elas precisam que você fique muito tempo, quanto mais tempo e quanto mais participação e interação nessa rede social, mais dados ela vai poder ter e com isso identificar seus hábitos e construir e ofertar produtos que melhor caibam no seu bolso ou gosto.

Logo, acima desses estudos, surge um grande questionamento: Até que ponto nós devemos ou conseguimos ter uma vida saudável diante de todos esses celulares?

Famosos como Madonna, por exemplo, já fazem parte da tendência chamada de FOMO – Theory of Missing Out ou medo de estar perdendo alguma coisa, que já é responsável por um novo segmento de negócio em que hotéis, bares, restaurantes, casas noturnas e outros negócios que bloqueiam o uso da Internet para estimular o contato pessoal entre os clientes. Isso é assustador, imaginar que surge um novo negócio focado exclusivamente em reter a atenção das pessoas para que elas se desliguem do celular é assustador.

Veja o que ocorre conosco, com seus filhos e seus amigos ao andar, seja no carro ou dentro próprios lares, feitos zumbis magnetizados pelas telas. Olhe seus filhos andando pela casa com os olhos fixos nas telas e tente imaginar se é diferente nos outros lugares como rua, pátios de escola e em breve ao volante.

O permanente hábito criou uma relação quase que orgânica entre nós e esses dispositivos, que a cada dia, tristemente, parece ser a extensão dos nossos corpos e assim, eles invadem todos os ambientes da casa ao trabalho e caminham velozmente para se transformar em um problema de saúde pública.

E assim a tecnologia parece ter criado um fosso entre os que a dominam a mídia social com todos os seus recursos e os que não dominam (os novos excluídos), nessa nova ditadura das redes.

Percebe-se ademais, relativamente à anonimidade e correspondente interatividade na internet, que o processo de formação do laço de afinidade social sofre uma inversão, onde os interesses comuns são tidos como determinantes iniciais da interação e também sexo, idade, raça, aparência física não são automaticamente discerníveis, palpáveis, sendo que as interações não se dão diretamente entre “indivíduos”, mas entre imagens, projeções desencarnadas de um corpo físico, tidas como ideais a partir da ótica do visualizador, que evidentemente recebe tudo após o filtro das redes.

Na tentativa de se comunicarem os indivíduos contemporâneos buscam freneticamente satisfação, mas que não represente um aprisionamento, afinal, não se pode ter a certeza da escolha correta.

Com o tempo, mudaram as nossas fotos, a forma de contar a nossa história e a forma de vermos o tempo, a métrica do tempo continua sendo a mesma, afinal após 60 segundos chegamos a um minuto, mas a angústia da era digital faz com que a nossa relação com ele seja de absurda escravidão, logo cobramos tudo bem mais rápido e ficamos impacientes uns com os outros.

Os celulares passaram a se portar como um vício, logo, é fundamental fazer uma faxina digital. Por isso que é cada vez mais presente o movimento pela desconexão.

Comece por limpar a tela do seu celular dos aplicativos que você não usa, anote no lado qual foi a última vez que você utilizou cada um desses aplicativos, é bem fácil limitar horários para entrar no celular, o que pode deixar você com muito mais tempo para coisas importantes na vida como olhar para a mulher amada, abraçar um filho, caminhar com esse filho e aproveitar as boas coisas que a vida nos oferece mesmo que em tempos de pandemia.

A solidariedade nunca esteve tão aos nossos dedos, num simples clicar de tela do celular, mas nunca estivemos tão distantes dos mais próximos, acreditar nela e na força dessa união é e sempre será atemporal.

Nesse mundo cada dia mais digital, ver e encontrar quem amamos será sempre uma necessidade e não importa o que as curtidas ou comentários das esdrúxulas redes sociais digam, é preciso querer mais do que um post ou uma fotografia.

Pode o tempo passar, podem as formas de se ver e se encontrar mudarem, mas o carinho sempre encontra um jeito especial, franco e próprio de ser, seja dando liberdade que encontre no respeito mútuo o seu desenho. A diferença sempre será um diálogo, seja ele analógico ou digital, onde a opressão não tem lugar, apenas o carinho e o respeito.

No fundo entre idas e vindas, entre tantas postagens e redes sociais procuramos nelas um espaço de paz, nessa que é a nossa maior carência, a paz de espírito.

E é óbvio, que não importa em qual profundidade o estado de espírito nos jogue, desprezados, distantes, injustiçados ou incompreendidos pela ditadura dos estereótipos digitais, te ver analogicamente vai ser sempre um sopro de busca pelo belo e pela fantasia.

É inegável que a era digital transpôs barreiras, facilitando a aproximação e a comunicação entre as pessoas. As inovações tecnológicas fazem com que se tenha que rever conceitos que anteriormente eram tidos como algo praticamente imutáveis. Importante destacar novamente que, ao mesmo tempo que aproximam, as tecnologias podem distanciar as pessoas. Celulares não podem ser a prisões, e os outros não se resumem ao que postam, publicam ou compartilham.

Por trás de cada publicação tem um ser humano, com sua história de vida, de sofrimento e de alegrias.

Um ser de carne osso onde pulsa um coração, alegre ou sofrido, mas acima de tudo humano.

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