ROBÔS, VOCÊ JÁ FEZ O SEU PEDIDO?

A reabertura dos negócios, após a primeira etapa de vacinação tem produzido feitos interessantes. Se no Brasil o desemprego bate recordes, em alguns lugares os trabalhadores resolveram não voltar para trabalhar em funções de baixa remuneração e que não ofertam quase nenhum futuro profissional.

Esse é o caso dos restaurantes em muitas cidades dos Estados Unidos, onde os proprietários enfrentam a escassez de mão de obra.

Na Flórida e em outros lugares os restaurantes apelaram para locação de robôs no atendimento, em alguns deles menos de 20% da mão de obra retornou, afinal com baixos salários e vivendo em parte na informalidade, o período de pandemia permitiu que muitos se realocassem em outras tarefas, e logo faltam garçons, mesmo com feiras e empresas contratadas ninguém se interessava.

A situação gerou uma senhora oportunidade para novas experiências com o uso de robôs, algo bastante disseminado já no Japão. Entrou em ação o robô Servi, que usa câmeras e sensores para transportar pratos de comida da cozinha ao salão, onde o garçom então transfere os pratos para a mesa do cliente. O robô custa US$ 1 mil por mês, incluindo instalação e suporte técnico, o que preocupa, é que isso é quase um terço do que custa um garçom.

Com a substituição de parte dos garçons, deixando o atendimento final com o profissional, e uma parte com os robôs, o Servi acabou evitando que garçons e atendentes tivessem de correr até a cozinha e deu a esses sobrecarregados funcionários mais tempo para conversar com os clientes, o que curiosamente elevou o valor das gorjetas recebidas, que compõem a maior parte do salário desses profissionais nos EUA.

Uma fabricante de robôs, a Miso recebe 150 consultas por semana com relação a seu robô Flippy, segundo uma reportagem da Times, publicada no estadão, “Flippy usa inteligência artificial, visão computacional e braços robóticos para fritar comidas de fast-food, como batatas fritas e asas de frango. O robô, que custa cerca de US$ 3 mil por mês, incluindo manutenção, identifica a comida e acompanha seu cozimento. A rede de fast food White Castle começou a testar o Flippy em um de seus restaurantes no fim de 2020. A rede planeja incorporar o Flippy a mais dez locais.

Mas os robôs também estão sujeitos a falhas. Apresentado como um robô que pode ler as emoções, lembrar rostos e interagir com as pessoas, o Pepper, da japonesa Softbank Robotics, já recebeu muita publicidade negativa.

O maior problema veio à tona quando o relatório de uma universidade sueca apontou que o Pepper tinha falhas de segurança. Uma violação permitiria a um hacker espionar pessoas pelas câmeras e microfones do Pepper e até assumir o controle dos braços do robô. O Softbank disse que a falha já foi corrigida.”

Novas tecnologias, surgem, ganham escala, conseguem com isso reduzir seu valor e com o tempo são incorporadas as nossas rotinas.

Os robôs, já fazem parte em maior ou menor escala por muitos séculos, bem antes da informática já conhecíamos os autômatos.

Diversos são os autômatos que surgem inicialmente como brinquedos, o Instituto Smithsoniano possui em seu acervo um Monge-relógio com em torno de 380mm de altura que é possivelmente datado de antes de 1560. O monge é movido por uma mola e se mexe por um caminho em formato de quadrado, batendo em seu peito com o braço direito, enquanto levanta e se desce uma pequena cruz e um rosário na sua mão esquerda, mexendo sua cabeça, rolando seus olhos e falando rituais. De tempos em tempos, ele leva a cruz ao seus lábios e a beija.

Uma nova percepção em relação a autômatos foi tomada por Descartes quando ele sugeriu que o corpo de animais não seriam nada além de máquinas complexas, os ossos, músculos e órgãos poderiam ser substituídos por engrenagens, pistões e cames. Assim, a mecânica se tornou padrão de comparação em relação a natureza e ao organismo vivo, um estudo bastante polêmico para época, tal qual a polêmica que os novos usos de robôs vem enfrentando na sua ocupação de espaço na sociedade moderna.

Essa paixão por autômatos, também é relatada no cinema, no filme “Hugo”, de 2011, o personagem principal, Hugo Cabret, deve consertar um autômato em forma de homem, o qual ele e seu pai já tentaram consertar antes, acreditando que ele contém uma mensagem secreta deixada por seu pai antes de sua morte. Perto do final do filme, é revelado que o mesmo autômato foi criado por Georges Méliès, que doou o mecanismo para o museu onde o pai de Hugo trabalhava, depois que o próprio Méliès não conseguiu o consertar. Este filme é baseado no livro de 2007 intitulado “A invenção de Hugo Cabret”, uma bela obra que ilustra a paixão pelo homem e essas maquinas fantásticas.

Sempre é bom lembrar dos autômatos de Leonardo Da Vinci, um dos precursores desses que são considerados os primeiros robôs.

Em alguns períodos da nossa história, os autômatos eram queimados, como se fossem representantes do mal.

Recentemente na cidade de São Francisco decidiu acabar com a proliferação de robôs de entrega de mercadorias de várias empresas que estavam timidamente começando a aparecer em suas calçadas.

Após as severas limitações, cada empresa só poderá contar com um máximo de três robôs, haverá apenas um máximo de nove em toda a cidade, eles só poderão operar em determinadas áreas industriais com pouco tráfego de pedestres (o que praticamente elimina sua utilidade para entrega domiciliar), eles terão que ir a um máximo de cinco quilômetros por hora (atingiram um máximo de 6,5) e devem ser compulsoriamente supervisionado por uma pessoa, ou seja, o uso desse modernos autômatos nas calçadas de São Francisco sofre limitação pelo regramento municipal. Agora imagine eles andando em um futuro bem próximo por nossas ruas realizando entregas?

No caso de São Francisco, o argumento por trás das medidas foi inspirado na proteção de idosos, crianças e deficientes, apesar de que, em todo o tempo que os robôs estiveram em testes na cidade, os robôs não geraram problemas ou acidentes com pedestres e foram essencialmente “cordiais” no uso do espaço urbano.

Por outro lado, localidades como Redwood City, San Carlos, Sunnyvale ou Concord deram sua aprovação a vários programas de implantação de robôs desse tipo, assim como em estados como Flórida, Idaho, Ohio, Virgínia ou Wisconsin.

Tudo é novo, logo esse enfrentamento entre costumes e normas deve se repetir em muitos lugares, e nesse período esses robôs sofrerão evoluções que devem reduzir essa resistência.

O embate homem e máquina não é um embate novo, é bom lembrar que historicamente surgiram em torno da tecnologia no nível social, desde a própria revolução industrial e os protestos dos luditas, quando da substituição dos homens pelas máquinas.

O mesmo embate ouve também na California com as empresas que resolveram substituir trabalhadores imigrantes na colheita da laranja por robôs.

Quanto tempo levará para a tecnologia concluir com sucesso um desenvolvimento adequado para uma tarefa tão mecânica? E quais são as atividades que irão incorporar primeiro essa mão de obra?

Não tenhamos dúvida, é um caminho sem volta, e por isso muitos países já tratam de um Direito dos Robôs, onde abordam, além da tributação, a responsabilidade civil dos mesmos.

A relação homem e máquina ao longo do tempo, desenvolveu muitos significados e significações, sempre construída com muita ficção seja nas histórias em quadrinhos, onde a máquina substitui o homem, até as séries como “Perdidos no Espaço” onde os robôs e suas multifaces povoaram o imaginário de muitas gerações.

Mas gosto da divisão histórica dessas máquinas feitas pelo Marco Aurélio de Castro, no livro Direito Robótico, parte dos elementos ficcionais para os novos e modernos robôs, utilizando o P2 apresentado pela Honda em 1997 e sucedido pelo P3 em 1998, seguidos em 2001 pelo modelo ASIMO, os robôs parecem com pessoas portando trajes espaciais. Trata-se dos primeiros exemplares de robôs bípedes com andadura humana quase natural, máquinas que levam a inteligência artificial embarcada a um outro patamar.

Já mais à frente a Siemens lançou no mercado europeu em 2004, ao preço de €1.399 (um mil trezentos e noventa e nove euros), o robô Dressman, cujo sistema usa ar quente para secar e passar a camisa ao mesmo tempo. O robô possui o formato de um manequim, bastando vestir a roupa lavada nele e ativar um dos 12 programas que possui para diferentes tecidos.

Para o Professor John von Neumann, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, o entendimento é que não é fácil, nem irrealizável, construir uma máquina que podemos garantir que fará o melhor que se possa fazer durante um número limitado de lances à frente, digamos dois, e depois se deixará ficar na posição que é a mais favorável, de conformidade com algum método mais ou menos fácil de avaliação, o que implica dizer que todas sempre tem muito por evoluir.

O fato é que o uso da inteligência artificial fascina o homem desde o princípio, pois, a capacidade cognitiva das máquinas ainda não encontrou seu limite, o que deve ser expandido consideravelmente com o computador quântico e isso estimula o desenvolvimento de novas tecnologias e permite sonhos, como as máquinas dos filmes.

A inteligência artificial tem permitido, através de robôs, com ou sem corpo, uma considerável evolução para o setor de serviços, hotelaria, eventos, hospitais, que agora em tempos de pandemia vem ganhando espaço na incorporação de robôs, auxiliando e fazendo fluir bem melhor os serviços.

A inteligência artificial inserida nesses sistemas serve como um administrador dos dados, fazendo a compilação das informações e transformando-as em estatísticas e relatórios precisos e de fácil utilização por parte dos gestores, integrando CRM e ERP com a possibilidade de intervenção imediata.

O que deve começar como experiência deve representar uma substituição gigantesca do homem por máquinas nas funções mais simples e repetitivas, visto a velocidade de implantação de novos recursos ofertadas pela máquina.

Personalização, hiper segmentação, devem ao lado de grandes big datas serem a pá de cal na substituição do homem pela máquina, afinal, com poucas palavras o atendente virtual poderá saber tudo que o consumidor precisa. A inteligência artificial entra como um grande auxílio nesta empreitada, principalmente pela capacidade analítica dos sistemas digitais que conseguem manejar grandes volumes de dados e analisar a fundo os públicos do hospital, hotel ou aeroporto.

Com base no perfil do consumidor, feito por meio da análise de dados, o hospital, hotel, loja ou aeroporto, pode definir estratégias de marketing e comunicação para oferecer o atendimento segmentado, pois, tem o histórico da pessoa, reduzindo as inúmeras triagens que ele precisaria fazer.

Enfim, seriam inúmeros os exemplos que poderíamos utilizar para melhoria do serviço com a inteligência artificial ligada a um grande banco de dados, antecipando as necessidades do usuário daquele serviço, isso por 24horas poderia ser feito de forma ininterruptas, o que em por humanos precisaria ser feito por dois a quatro colaboradores, que dependendo do lugar precisam ainda serem remunerados por adicional de periculosidade ou insalubridade, além de adicional noturno dependendo do horário de atendimento, o que faria com o que o custo dito acima triplicar.

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