REDES SOCIAIS E A ASSEPSIA DIGITAL NA SOCIEDADE DA DESATENÇÃO

O grupo Meta, através do seu aplicativo, WhatsApp nessa semana deu uma mãozinha pra quem pretende ampliar a sua assepsia digital, na busca de um pouco de sossego.

Os grupos criados para facilitar reuniões e assuntos em comum ganharam dimensões de masmorras digitais, onde entramos e não sabemos quando e nem como sair.

Nessas masmorras digitais somos diariamente torpedeados por informações pouco úteis, isso sem falar nos incontáveis “kkks e Bom dia” que não sei por qual razão as pessoas gostam de ver multiplicar nos grupos.

O WhatsApp lançou agora dois novos recursos aguardados pelos usuários do aplicativo de mensagens: saída discreta de grupos e ocultação do status online das conversas.

Agora os usuários já vão podem abandonar “silenciosamente” grupos de WhatsApp, isto é, sem que outros participantes da conversa sejam notificados. Segundo o aplicativo, apenas os administradores saberão da saída.

Outro recurso é a possibilidade de esconder o próprio status de “online” de outras pessoas. A novidade chega gradualmente para usuários até o fim deste mês, diz o WhatsApp.

De acordo com a Meta, empresa que também controla Facebook, Instagram e Messenger, o objetivo das medidas é dar mais funções para que usuários controlem a própria privacidade.

Além das novas opções de privacidade que acaba de liberar, o WhatsApp está testando uma função que impede que seja feita a captura de tela de imagens de visualização única. Nesse formato, usuários enviam mídias que podem ser vistas apenas uma vez, o que amplia o controle sobre a privacidade.

Todos esses avanços que devolvam um pouco de paz, sossego e nosso tempo para atividades realmente úteis será sempre bem vindo, mesmo quando parte dos líderes dessa economia da desatenção que diariamente roubas nossas horas daquilo que realmente importa, ou seja são empresas que disputam a nossa atenção desviando ela de assuntos que realmente sejam importantes.

As telas dos nossos celulares, repetem uma tradição da humanidade com os seus ícones, se antes tínhamos as pinturas das cavernas, hoje nos celulares o design dos ícones é cuidadosamente estudado para ganhara a sua atenção.

Aproveite agora para ver quantos ícones de aplicativos tem no seu celular? Quantos desses aplicativos baixados você utiliza diariamente, ou semanalmente?

Na economia de atenção(desatenção) as empresas de tecnologia trabalham o design para que o ícone (símbolo do aplicativo) seja, antes de mais nada atraente, fácil de encontrar e que estimule a recorrência.

Quantas das atividades desenvolvidas diariamente no seu celular são realmente importantes? Qual o tempo que diariamente, celulares, tablets, computadores e outros gadgets vem prendendo a sua atenção? E qual o limite do saudável?

É preciso desconectar, para recuperar o tempo perdido? Isso afeta a saúde são todas questões que demandam muitas páginas para sua reposta, mas que de forma genérica quero aqui tratar do que chamamos de minimalismo digital.

A desconexão digital é evidentemente um dos grandes resultados a que muitos chamam de minimalismo digital, ou seja, a maneira que diminua a presença da vida digital no dia a dia.

No livro Minimalismo Digital, de Cal Newport ele lembra se de um importante artigo de 2010, publicado no American Journal of Thought, onde se conclui que cada vez mais as evidências sugerem que os vícios comportamentais se assemelham aos vícios químicos em muitas esferas. O artigo aponta o jogo patológico e o vício em internet como dois exemplos precisos desses distúrbios.

Quando a Associação de Psiquiatras norte americana publicou a sua quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, feito em 2013, incluiu pela primeira vez a dependência comportamental como uma patologia diagnosticada. Isso claro, nos leva de volta ao autor que depois de revisar os principais títulos da literatura psicológica e entrevistar inúmeras pessoas influentes no mundo da tecnologia, percebeu que dois fatores ficavam evidenciados. Primeiro, as novas tecnologias são desenvolvidas com ênfase a promover vícios comportamentais ligados à tecnologia, que tendem a ser moderados em comparação com as fortes dependências químicas causadas por drogas e cigarro. Não à toa que as pessoas costumam dizer que o celular é a nova nicotina.

O Facebook, o Instagram, assim como todas as redes sociais possuem uma arquitetura estudada para que as pessoas passem o maior tempo possível. E assim funciona com todas as redes sociais, elas precisam que você fique muito tempo, quanto mais tempo e quanto mais participação e interação nessa rede social, mais dados ela vai poder ter e com isso identificar seus hábitos e construir e ofertar produtos que melhor caibam no seu bolso ou gosto.

Logo, acima desses estudos, surge um grande questionamento: Até que ponto nós devemos ou conseguimos ter uma vida saudável diante de todos esses celulares?

Veja o que ocorre conosco, com seus filhos e seus amigos ao andar, seja no carro ou dentro próprios lares, feitos zumbis magnetizados pelas telas. Olhe seus filhos andando pela casa com os olhos fixos nas telas e tente imaginar se é diferente nos outros lugares como rua, pátios de escola e em breve ao volante.

O permanente hábito criou uma relação quase que orgânica entre nós e esses dispositivos, que a cada dia, tristemente, parece ser a extensão dos nossos corpos e assim, eles invadem todos os ambientes da casa ao trabalho e caminham velozmente para se transformar em um problema de saúde pública.

Na tentativa de se comunicarem os indivíduos contemporâneos buscam freneticamente satisfação, mas que não represente um aprisionamento, afinal, não se pode ter a certeza da escolha correta, e logo nossos amigos são permanentemente tentados a replicar o que recebem sendo ou não importante, sendo ou não verídico, alimentando a indústria da desinformação, quase sempre espalhando mentiras que gostariam que fosse verdade.

Os celulares passaram a se portar como um vício, logo, é fundamental fazer uma faxina digital. Por isso que é cada vez mais presente o movimento pela desconexão.

Comece por limpar a tela do seu celular dos aplicativos que você não usa, anote no lado qual foi a última vez que você utilizou cada um desses aplicativos, é bem fácil limitar horários para entrar no celular, o que pode deixar você com muito mais tempo para coisas importantes na vida como olhar para a mulher amada, abraçar um filho, caminhar com esse filho e aproveitar as boas coisas que a vida nos oferece.

No fundo entre idas e vindas, entre tantas postagens e redes sociais procuramos nelas um espaço de paz, nessa que é a nossa maior carência, a paz de espírito.

É inegável que a era digital transpôs barreiras, facilitando a aproximação e a comunicação entre as pessoas. As inovações tecnológicas fazem com que se tenha que rever conceitos que anteriormente eram tidos como algo praticamente imutáveis. Importante destacar novamente que, ao mesmo tempo que aproximam, as tecnologias podem distanciar as pessoas. Celulares não podem ser a prisões, e os outros não se resumem ao que postam, publicam ou compartilham.

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