QUEDA DO FACEBOOK É O FIM DA ECONOMIA DA DESATENÇÃO?

O líder mundial da economia da desatenção, amargou nessa semana sua maior queda ao longo de sua história. As ações da Meta (nome do Facebook, WhatsApp e Instagram) apresentaram uma queda brutal de 26% do seu valor na última semana, o que representa mais de US$240 bilhões do valor da empresa na bolsa, em decorrência da publicação aquém das expectativas do mercado, mas o que são essas expectativas? De uma empresa que em 18 anos de existência só apresentou aumento no seu número de usuários, será o indicativo de uma tendência? Será que a rede bateu seu teto? Será que a rede deve iniciar uma trajetória de queda e levar consigo todo o mercado da economia da desatenção das redes sociais?

Antes de eventual desespero, quase sempre o mercado tem como hábito exagerar em reações, criando um verdadeiro comportamento de manada, e isso representa elevadas quedas e ao mesmo tempo um movimento de recompra por alguns que lucram com o desespero alheio, afinal a bolsa é para nervos de aço e apostadores de longo prazo.

Logo a pergunta mais importante para ser respondida é no médio e longo prazo, quais serão os movimentos do Grupo Meta e de que maneira esses movimentos vão impactar nos seus resultados? Qual impacto das novas áreas investidas como o Metaverso, que foi responsável pela mudança de nome do Grupo?

Bastou Mark Zuckerberg, acusar o golpe das novas redes sociais, com a declaração: “As pessoas agora têm muitas opções sobre como investir seu tempo, e aplicativos como o TikTok estão crescendo muito rapidamente.” E logo o mercado nervoso sentenciou com uma brutal queda.

Mark não se preocupe, o TikTok também vai passar, como todas as redes sociais vão permanecer em constante mudança para se manter na crista da onda, ou vamos imaginar que a nossa comunicação vai ser uma dancinha permanente do TikTok, e logo vamos ensaiar nossos próximos passinhos. Santa paciência. Tente imaginar isso, todos postando diariamente seus novos passos, da dentista ao advogado, do professor ao aluno?

Na realidade, estamos é falando de uma empresa que diminuiu sua velocidade de crescimento no último ano e que teve uma queda no último trimestre, o que ocorreu pela primeira vez na sua história sim, e ao mesmo tempo a empresa mostrou que como legítima representante da economia de atenção (que esse autor chama de Economia da Desatenção) depende ainda, cerca de 98% da sua receita da publicidade, e que uma alteração nos parâmetros de privacidade, podem sim mudar essa receita.

A empresa dona de redes sociais como Facebook, Instagram ou WhatsApp não atendeu às expectativas de Wall Street ao registrar lucros menores no quarto trimestre e cedeu 26,4% no mercado de ações no final da sessão.

Mas isso pode ser um prenúncio de que as empresas de tecnologia são uma bolha prestes a estourar?

O gigante norte-americano Facebook, que recentemente foi renomeado meta para resolver uma crise de reputação, decepcionou o mercado durante a apresentação de seus primeiros resultados sob o novo nome. Além disso, as previsões de receita do grupo para o ano corrente também não atenderam às projeções dos analistas.

No ano como um todo, a Meta apresentou um lucro líquido de US$39,37 bilhões, o que representa um aumento de 35% em relação ao ano anterior, exato logo imagine quantas empresas no mundo, de capital aberto, tiveram um incremento na receita de 37% em apenas um ano? Isso mesmo a receita alcançou US$ 117,92 bilhões, um aumento de 37% em relação ao ano anterior. Já pensou 35% e 37% de aumento no resultado e receita respectivamente? E os nervosos castigando o valor da ação? Procure na bolsa de valores de São Paulo uma empresa brasileira que tenha tido o mesmo aumento de faturamento e de resultado e com o mesmo ebitda.

Porém o lucro por ação no quarto trimestre foi de US$ 3,67, contra US$ 3,84 esperados pelo consenso dos analistas. Por sua vez, o número de usuários por dia ficou em 1.930 milhões, 5% a mais do que um ano antes, mas abaixo dos 1.950 milhões de usuários ativos esperados pelos analistas, ou seja, expectativas frustradas de acordo com a projeção dos “analistas”.

Os piores resultados, de acordo com a matriz do Facebook, são explicados por uma série de mudanças nas condições de privacidade do iOS, no sistema operacional dos iPhones da Apple e pelas condições macroeconômicas atuais.

A Meta argumentou que o aumento da inflação e as questões da cadeia de suprimentos estão afetando os orçamentos dos anunciantes, de longe sua maior fonte de receita. Ele também apontou para o aumento do consumo de, vídeos curtos que são muito menos rentáveis do que sua banca de notícias.

A decisão da Apple de oferecer aos seus usuários a possibilidade de rejeitar o rastreamento em aplicativos teve um impacto muito forte na empresa, que viu como perdeu o acesso aos dados de uma grande porcentagem de seus usuários. Assim, a possibilidade do grupo vender publicidade segmentada com os dados do seu usuário diminuíram, ou seja, mais privacidade representou menos dados para a publicidade dirigida.

Quando essa polêmica com a Apple começou o Facebook já havia alertado, sobre os prováveis efeitos dessa medida na sua receita de publicidade, e pasme a mesma medida atingiu à todos que consumiam dados dos usuários de celulares Apple, o que se soma com as restrições do Parlamento Europeu e pelo mesmo caminho que deve seguir os EUA.

O que essas limitações significam para uma empresa que, por um lado, depende inteiramente dessa publicidade hiper-segmentada? Logicamente, se 98% de sua renda vem de empresas que anunciam em sua plataforma para poder fazer um tipo muito específico de publicidade, e sua capacidade de fazer esse tipo de publicidade será seriamente limitada, estaríamos falando de uma crise muito importante, praticamente um fim de ciclo.

Dessa forma devemos analisar o grupo Meta de um ponto de vista completamente diferente, ou de um verdadeiro voo adiante, em busca de outras possíveis fontes de financiamento adicional ou fórmulas publicitárias baseadas em outros esquemas.

Declínio de curto prazo, como tantos outros que a empresa teve ao longo de sua história geralmente ligado a escândalos de privacidade, ou problemas estruturais que os investidores estão supostamente descontando de forma nitidamente duradoura? No momento, é obviamente muito difícil saber, porque a receita e as perspectivas da empresa dependem fundamentalmente da medida em que seus anunciantes são capazes de entender que a publicidade que eles fizeram não vai mais funcionar da mesma maneira, e eles tomam a decisão de redirecioná-la para outras plataformas ou mídia. Esses tipos de movimentos não acontecem da noite para o dia, e é presumível que muitos dos CEOs que gastaram muito dinheiro no Facebook nos últimos anos não mudem de ideia imediatamente, ou mantenham um certo nível de inércia e continuem a usar as ferramentas da empresa até provarem que não cumprem seus objetivos.

Receitas mais fracas do que o esperado, usuários em queda, total dependência de publicidade e um esquema de exploração de privacidade que poderia ter seus dias contados. Até onde isso pode ir? E isso atinge então à todas as redes sociais?

A empresa vale agora US$ 230 bilhões a menos, e Mark Zuckerberg sofre uma perda de mais de US$ 30 bilhões no seu patrimônio, e isso levou até mesmo a alteração da lista brasileira de bilionários segundo a revista Forbes, Eduardo Saverin, brasileiro cofundador da rede social, perdeu US$ 4,3 bilhões (R$ 23 bilhões) na quinta-feira, o que fez seu patrimônio cair a US$ 13,3 bilhões (R$ 78 bilhões), segundo ranking da revista Forbes. Com isso, Saverin perdeu o posto de brasileiro mais rico, ocupado agora por Jorge Paulo Lemann, com US$ 16 bilhões (R$ 85 bilhões).

Segundo o relatório do Facebook, a Meta perdeu cerca de 500 mil usuários diários globalmente nos últimos três meses do ano passado, o número passou de 1,93 bilhão para 1,92 bilhão.

Os “maus” resultados da empresa de Mark Zuckerberg afundaram sua participação no mercado de ações. Os números vermelhos atingiram o resto das redes sociais e até a Amazon, que deflacionado em 7,8%.

O colapso do grupo fundado por Mark Zuckerberg se espalhou para duas redes sociais, como Snap e Pinterest, que anunciam seus resultados após o fechamento de hoje. O primeiro despencou 23,60%, enquanto o segundo caiu 10,32%. O Twitter não escapou dos números vermelhos e deixou 5,56%.

O Spotify, cujas contas também não convenceram o mercado, despencou 16,79%. O aplicativo de música sob demanda reduziu suas perdas em 94% em 2021, mas adicionou menos usuários pagantes do que o esperado entre outubro e dezembro.

Entre as gigantes da tecnologia, a Amazon, que também divulgou seus resultados no final do mesmo dia, tem sido, sem dúvida, o valor mais afetado pelos dados ruins apresentados pela Meta. A gigante do e-commerce perdeu 7,81% e eleva suas perdas no ano para 15%. A Microsoft e a Alphabet perderam 3,80% e 3,32%, respectivamente, enquanto a Apple conteve as perdas em maior medida e cedeu 1,72%.

Notícias ruins servem para muitos investidores aproveitarem para realizar resultados, vendendo suas ações. É inegável que o Facebook(Meta) não está mais sozinho no mercado, mas nunca esteve é bom lembrar, e sempre de todos mostrou a maior capacidade de adaptação seja por alterações no seu produto, ou na aquisição de concorrentes.

Infelizmente a queda não representa uma redução no valor dos atores da economia da desatenção, mas sim um mero assentar das melancias no andar da carruagem, duvidar da resiliência e da capacidade de ver o futuro de Zukerberg sempre será uma aposta que eu não recomendo.

Não estamos vendo o início do fim da economia da desatenção mas apenas um solavanco pra seguir viagem, por mais que não se goste, afinal que troca uma rede social por outra rede social continua fazendo o mesmo exercício comercial, dando sua atenção e seus dados, e em troca recebe mais publicidade e mais conteúdo que de tanto converte-se em desatenção.

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