PIX, FINTECHS, RISCOS E OPORTUNIDADES.

Faltando menos de um mês para entrar em funcionamento, o PIX ainda é um grande desconhecido para a maioria da população brasileira. Segundo uma pesquisa realizada pela Globo, apenas 13% das pessoas dizem entender o que é, e apenas 37% tem alguma ideia do que seja, enquanto a imensa maioria nem sabe do que se trata.

Por isso diariamente os bancos têm feito campanhas intensivas para divulgar o serviço, que será lançado para valer no dia 16 de novembro. O foco é a fidelização do cliente, pois o Pix deve atacar algumas fontes de receitas, as famosas taxas de serviço, que em diversos casos devem desaparecer. Até o momento cerca de 35 milhões de chaves estavam cadastradas para usar o serviço, lembrando que cada usuário pode registrar mais de uma chave.

Nesse momento, sacar dinheiro é uma operação realizada por 62% dos clientes que frequentam as agências, algo que mudou muito nesses tempos de pandemia, onde a experiência digital para muitos se tornou obrigatória.

Para muitos o Pix, é uma verdadeira revolução nos pagamentos e transferências de recursos em dinheiro. Com tudo no mundo atual conectado, qual o sentido em você aguardar horas ou até mesmo um dia inteiro para completar uma transferência via TED, DOC ou boleto bancário? Isso se for por meio de cheque, que pode ser até mais de dois dias úteis para que seja completada a compensação.

Sendo bem didático, uma operação via Pix acontecerá exclusivamente por meio de um smartphone e uma conexão de internet, inteiramente digitalizada e exigirá o uso de um aplicativo a ser fornecido por uma instituição financeira ou instituição de pagamento, de livre escolha do interessado, as famosas chaves. Dessa maneira qualquer operação será completada instantaneamente (em menos de dez segundos) e poderá ser acionada 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados. Seu uso será gratuito para pessoa física, não importando a instituição financeira escolhida nem a magnitude da importância transferida, o que implica em redução de receita para os bancos.

É preciso que se diga, que nesse momento o Brasil não está inventando nada. Soluções equivalentes já funcionam em outros países, como Índia e Reino Unido, e nos EUA. No Pix, cada usuário deverá registrar uma chave (um apelido digital) em uma instituição financeira, que pode ser o número do celular, o endereço de e-mail ou o número do CPF. Dessa maneira não haverá risco de que duas pessoas escolham o mesmo apelido. O registro dessa “identidade digital” começou no ultimo 5 de outubro.

Por meio dessa chave única que serão realizadas as transferências, economizando-se tempo e recurso, ao mesmo tempo o PIX, permitirá a realização de pagamentos de pessoas físicas para empresas por meio dos chamados códigos QR, aquele quadrado cheio de figuras geométricas irregulares que você já deve ter visto em algum lugar, basta apenas apontar a câmera do celular para o código, dar um click e a transferência já pode ser realizada.

Muitas concessionárias de serviços públicos já anunciaram que vão adotar o PIX, como a Enel que já anunciou que irá adotar nos boletos de contas de luz, o que deve acelerar a simples reativação do fornecimento de energia suspenso por falta de pagamento.

Se de um lado os bancos perdem receitas, por outro economizam reduzindo o número de agências, mantendo uma tendência natural dos últimos anos onde cada vez mais os celulares se transformaram em carteira digital e logo ocorrerá também a redução dos custos das transações financeiras e das operações de cobrança. Com menos transações o número de colaboradores dos bancos deve reduzir significativamente, pois teremos menos circulação de papel-moeda, menos despesas com segurança no transporte de valores.

É óbvio que durante um tempo o velho e o novo vão conviver conjuntamente, pois aos poucos de forma didática as pessoas vão acabar vendo a economia e praticidade do PIX.

O maior dos esforços nesse momento é para que o sistema seja blindado contra fraudes e ao mesmo tempo, ofereça aos usuários opções simples para transferências e pagamentos, pois ele precisa ser didático, é da sua simplicidade que depende o seu sucesso.

As chaves, são a primeira grande disputa, por isso os bancos ofertam um pré-cadastramento nos sites e apps, pois uma chave (CPF, CNPJ, email ou telefone celular) estará vinculada a uma única conta bancária. Assim, quem transferir dinheiro pelo Pix poderá informar apenas a chave do recebedor para liquidar a operação e não necessariamente os dados bancários (nome, agência e número da conta).

É bom lembrar que o Pix será gratuito para as famílias e empreendedores individuais, conforme resolução publicada pelo Banco Central. Os bancos e instituições de pagamento que participarem da plataforma não poderão cobrar tarifas de pessoas físicas e MEIs para o envio e recebimentos de recursos em transferências, além do pagamento de compras, no entanto a resolução do BC deixa aberta a possibilidade de cobrança de tarifas no PIX quando ele for usado por empresas para a transferência de valores, tanto do cliente pagador quanto do recebedor.

Existe um universo de oportunidades para serem exploradas dentro desse novo desenho, é só início.

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