O UBER PARA LEVAR VOCÊ, SUA ENCOMENDA E SUA REFEIÇÃO, COM OU SEM MOTORISTA!

A Pandemia, que é problema pra bilhões de pessoas mundo afora, é uma oportunidade para muitos grupos empresariais, e o Uber seria um bom exemplo disso.

Premido pela queda de receitas no transporte de pessoas, o aplicativo acelera suas aquisições no segmento de entrega de refeições. Apesar de tentar, sem sucesso, adquirir o Grubhub e perder a disputa para o empresa europeia Just Eat por nada menos que US$ 7,3 bilhões, a Uber não tirou o pé do acelerador nas suas aquisições e anunciou mais uma empresa de entrega de refeições, a Postmates, quarta maior empresa do setor nos EUA.

De acordo com dados da empresa de análises de pesquisa Edison Trends, o resultado da fusão entre Uber e Postmates controlará cerca de 37% do mercado nacional americano, em relação aos 45% da DoorDash, ou seja, vale ao Uber a vice liderança de um mercado gigantesco e que só deve aumentar com os anos.

Em que pese ser uma pioneira, com três anos a mais que o Uber Eats, a participação no mercado da Postmates vinha caindo com o surgimento de concorrentes mais capitalizados, como o próprio Uber. Em junho último, a sua participação no mercado de entrega de refeições era de cerca de 8%, porém se trata de compra de mercado, pelo valor de US$ 2,65 bilhões, e o mais importante pagos integralmente em ações, em um mercado com outros players assim dispostos: A líder em seu setor, DoorDash (45%), seguida da Grubhub (23%), logo as duas operações juntas dão ao Uber o segundo lugar.

A pandemia acelera essas aquisições, e o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, tem um dos melhores históricos quando o assunto é aquisições, pois no seu antigo emprego a Expedia foram quarenta e uma aquisições no seu período de CEO que totalizaram US$ 12,7 bilhões, logo sabe como poucos identificar oportunidades de sinergia e de reposicionamento do mercado com a incorporação de culturas e serviços.

Mas o que faz o Uber acelerar a sua participação no mercado de entrega de alimentos para casa? O nome disso se chama COVID-19, é por conta dele que é preciso dar solução para a elevada queda no seu principal negócio, o transporte de pessoas, catalisada pelo confinamento.

Com a evidente redução no número de viagens das pessoas o Uber Eats cresceu assustadoramente salvando os números, principalmente que todo e qualquer tipo de compartilhamento está sendo visto com outros olhos. Afinal como entrar em um carro por onde passaram mais de 50 pessoas em um dia? Qual o padrão de higiene dessas pessoas? Qual o tamanho do mercado perdido para o home office, que retira as pessoas de circulação? Quantas são as pessoas que vão trocar o transporte público de massas (ônibus, trens e metrôs)? Por quanto tempo deve durar a pandemia no mundo? Depois que ela passar quantos meses ou anos serão necessários para os novos hábitos e os novos medos?

Logo em tese um negócio ajuda no momento de queda do outro, porém isso tem seu preço. Se consideramos que um negócio vai ajudar nos números do anterior devemos levar em consideração que a conta não é exatamente essa, pois assim como foi preciso vencer culturalmente a resistência de taxistas e usuários do serviço, o Uber Eats está chegando depois de muitos players no mercado de entrega de comida, e quem chega depois tem uma conta mais salgada pra pagar, que leva o nome de compra de mercado.

Só para termos uma referência, os números do Grubhub, durante as medidas de confinamento resultantes da pandemia, a empresa experimentou um aumento acentuado em sua atividade, que serviu para ela perder ainda mais dinheiro!

Como assim? Bem o setor de entrega de comida domiciliar atua em diversas frentes: 1) Ampliar o mercado de pedidos, para convencer as pessoas a fazerem o seu primeiro pedido, logo estimula com bônus. 2) Ampliar o número de parceiros a incluírem suas refeições no marketplace do Uber ou de qualquer outro aplicativo de comida, pois muitos restaurantes já faziam suas entregas dos pedidos feitos em sites e por telefone; 3) Cadastrar, treinar e convencer entregadores na sua malha de distribuição, lembrando que eles já faziam outro tipo de entrega. Tudo isso junto custa dinheiro.

Tendo o próprio o Uber Eats como referência, a plataforma perde atualmente de US$ 3,36 em cada pedido, esse número é para o mercado nos EUA, e isso não deve mudar no curto prazo, perder hoje para recuperar na frente exige que a estrutura de capital precise aguentar o tranco, que não é pequeno.

Se dá prejuízo, então porque continuar? Qual o sentido da expansão que perde a cada dia mais quando se expande? O que vimos é um filme repetido que só se mantém com estruturas de capitais gigantes dispostas a perder dinheiro por muitos anos.

Pressões sociais, como na greve dos entregadores e motoristas de carros, prejuízos nas corridas subsidiadas, tudo segue a lógica desse negócio, impensável na economia tradicional. Tudo a espera do veículo autônomo? Da entrega por drone?

Resta saber se teremos acionistas e fundos de investimento suficientes para segurar esse negócio, que quer ser a sua solução logística pro seu transporte, para a sua refeição e para o trazer e levar suas encomendas, pra isso estão dispostos a muitos anos de prejuízo, em busca de um lugar na sua carteira lá na frente.

Um desafio para poucas empresas e cada vez mais raros bolsos de investidores que investem hoje de olho de um amanhã ainda distante.

São desafios financeiros e legais na busca de um novo marco regulatório dessas relações que reestruturam o mercado.

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