O STREAMING VAI ACABAR COM A TV ABERTA?

No ano em que a Tv brasileira comemora 70 anos, as emissoras de sinal aberto devem assistir a NETFLIX sozinha faturar mais do que todas as tvs juntas, excluindo a Globo.

Se antes da pandemia a queda do faturamento já impressionava, vamos tomar como referência o fato de que de 2015 a 2018 todas Tvs juntas perderam mais do que o faturamento inteiro de um SBT (R$1,3bi), isso mesmo, em 2015 todas juntas faturaram R$ 14,2 bilhões e em 2018 faturaram R$12,8 bilhões, se levarmos em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPC-A), neste período a queda de faturamento saltou para R$ 3,3 bilhões.

Do outro lado, as TVs abertas assistem ao crescimento a passos largos da Netflix como opção de conteúdo via streaming no Brasil, que deve leva-la a faturar tanto quanto a Globo em 2022.

Neste ano o mercado projeta que a Netflix deva faturar, nacionalmente, cerca de R$ 6,7 bilhões, logo, ao ser comparada pelas demais TVs abertas o canal de streaming sozinho é maior do que todas as demais tvs juntas.

Se em 2018 a base de usuários de Netflix no Brasil era de 8 milhões de assinantes, em junho de 2020, foram registrados 17 milhões, um crescimento de quase 100% em um período de 24 meses.

Atualmente a Netflix já possui uma maior base de usuários que qualquer canal por assinatura do país, resultado de uma assinatura bem mais barata e simples.

A entrada de outros fortes operadores pode dar a dimensão do que vem por aí, como a entrada nesse mês da Disney+ entre outras plataformas, que devem surgir de outros estúdios, o que explica o crescimento da produção de conteúdo próprio dos líderes desse mercado (Netflix e Amazon).

Mas nem tudo são flores nos canais de streaming, o serviço de vídeo Quibi, fechou suas portas após seis meses de operação, isso depois de receber cerca de US$ 2 bi em aportes.

Tem muita série que durou mais tempo que a plataforma, que foi criada pela dupla de veteranos Jeffrey Katzenberg (fundador da Dreamworks) e Meg Whitman (ex-presidente da HP), ou seja, um veterano do entretenimento e outro da tecnologia sucumbiu.

Quando lançado em abril, o Quibi era um serviço de streaming que queria ser a “TV dos smartphones” e tinha nomes como Kevin Hart, Jennifer Lopez e Steven Spielberg, porém, a empresa apostou em um modelo pago de serviço, focado na experiência do usuário. Os conteúdos poderiam ser assistidos com o celular na vertical ou na horizontal, com versões diferentes da mesma série ou show.

Em seu primeiro mês, o app foi baixado por 1,7 milhão de pessoas. Ao término do período de teste grátis, aproximadamente 90% dos usuários que baixaram o app encerraram as contas. Segundo o site americano The Verge, a empresa ainda tentou vender a plataforma e seus conteúdos para outras empresas que trabalham com entretenimento, como Warner, Apple, NBCUniversal e Facebook, mas não conseguiu chegar a um acordo com nenhuma delas, resultando em sua quebra, o que pode apenas dar a dimensão do tamanho do investimento necessário nesse mercado de gigantes.

Ao mesmo tempo a Disney + aposta em animações e os remakes recentes dos clássicos de princesas, os mais bem-sucedidos (pelo menos em quantidade de público nos cinemas) filmes de heróis da história, a franquia intergaláctica que se mantém relevante mais de 40 anos depois do lançamento original, as dedicadas histórias para todas as faixas etárias da Pixar e os conteúdos documentais do Nat Geo, e outras produções originais recentes, ou seja, um conteúdo gigantesco já embarcado na plataforma que é dona de diversos canais de tv e de estúdios de cinema.

No primeiro momento a estratégia deles é focar em um público mais jovem, com as produções de filmes da Marvel e da Pixar.

As novas gerações já nascem no streaming, veja quanto conteúdo seu filho já assiste no celular.

Streaming depende de conteúdo e distribuição e logo a Rede Globo já se associou a Disney no Brasil para vender suas assinaturas em um combo, três semanas antes da estreia no Brasil, além de preço pra lá de competitivo.

Ao mesmo tempo, o canal terá espaço para conteúdo nacional, vindo da parceria com a Globo e com produtoras nacionais independentes.

O número do canal fala por si, nesse momento a plataforma da Disney presente nos Estados Unidos e em outros 28 países, já possui cerca de 60 milhões de assinantes, isso em pouco mais de 6 meses, em termos de comparação a Netflix possui cerca de 200 milhões de assinantes em 190 países, o que também aponta para o fato de que os consumidores de maior renda devem ter mais de um canal assinado.

Fugindo dos elevados valores dos canais por assinatura, o consumidor foca hoje em ter um bom sinal de internet, a TV aberta para os programas mais tradicionais e canais de streaming por assinatura.

E como fica a TV aberta? Bem, considerando o movimento da maioria delas, vai continuar definhando, pois a cultura dos seus departamentos comerciais continuará sendo de vender espaços publicitários, pois ainda não entenderam que seu concorrente não é outra emissora, mas sim qualquer atração que dispute o dinheiro dos seus consumidores finais, que podem assistir e receber conteúdo por diversas outras plataformas.

Logo, a cada dia as tvs abertas vão depender mais e mais da audiência das pessoas mais simples e de menor poder aquisitivo, que não possuem uma internet de qualidade e que por sua renda representam uma menor conversão dos anúncios publicitários em negócios.

Ou seja, a cada dia os anúncios vão vender menos, pois as TVs entendem que tudo existe exclusivamente na tela da TV, não aprenderam nada com Jobs, que criou um smartphone mesmo matando seu tocador de músicas.

A ousadia tem um elevado preço, mas o marasmo tem um resultado certo.

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