O SOL HÁ DE BRILHAR MAIS UMA VEZ

Em 1973 Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, compuseram “Juízo Final”, uma letra imortalizada na gravação por inúmeros intérpretes com uma letra estupenda ”O sol há de brilhar mais uma vez

A luz há de chegar aos corações

O mal será queimada a semente

O amor será eterno novamente

É o juízo final, A história do bem e do mal.

Quero ter olhos pra ver

A maldade desaparecer

É o juízo final
A história do bem e do mal
Quero ter olhos pra ver
A maldade desaparecer

O enfrentamento entre o bem e o mal, parece ser uma constante no nosso caminhar, entre escolhas do ontem, hoje ou amanhã.

O tornar fundamental o hoje se esquecendo do amanhã, quando o assunto é meio ambiente constrói a certeza de um amanhã cada vez mais difícil e assim como na sétima arte, vivemos “Como se não tivesse amanhã”.

Uma ótima prova disso é o último relatório de sustentabilidade da Amazon, semelhante a maioria das empresas com propostas e intenções belas recheadas de amanhã e de quase nada do hoje em suas ações. Compromissos para tornar as emissões da empresa neutras até 2040, na qual, comenta-se que “com todo o nosso crescimento em 2021, nossas emissões absolutas de dióxido de carbono aumentaram 18% em 2021”.

É o perfeito exemplo de greenwhashing: sim, assinamos acordos para reduzir nossas emissões, fazemos grandes compromissos…porém, contudo todavia, diante de uma circunstância como uma pandemia que nos permite expandir nossa atividade de forma brutal, nossos compromissos fica adiados né!! E assim seguimos poluindo como se não houvesse amanhã. Quanto a emergência climática……bem ela fica mais pra frente.

A atitude da Amazon é idêntica ao que está acontecendo na União Europeia: todos os países falam sobre metas de descarbonização e  sobre o Acordo de Paris, mas assim que uma circunstância como uma guerra vem que ameaça interromper o fornecimento de gás russo, todos nós começamos a aumentar nosso armazenamento de gás e acumular carvão para nos aquecermos,  e adiamos nossos objetivos até vermos.

Qual é o problema? Muito simples: que os efeitos que estamos vendo no planeta na forma de ondas de calor, inundações, furacões, incêndios e outros eventos climáticos extremos estão ocorrendo com isso tudo com o registro de aumento da temperatura média do planeta de apenas um grau em relação aos níveis pré-industriais, ou seja é apenas o começo, lembrando que os efeitos à medida que a temperatura aumenta não ocorrem de forma linear, mas exponencial. O que está vindo nos próximos anos não vai ser exatamente bonito, serão catástrofes que claro, devem atingir os menos favorecidos sem proteção e ajustes em suas medidas de proteção.

Afinal enquanto as florestas queimas, os rios e mares são ainda mais poluídos como estragar o almoço de domingo com esse tipo de problema. Por que vamos tornar nossas vidas amargas pensando em coisas horríveis? Vamos enfiar nossas cabeças na areia e continuar não mudando nada, não forçando nossos políticos a mudar, e não desistir de nada. Emergência climática? Não faz mal. Temos outras prioridades.

Emergência climática, para quem tem potencial de expandir suas fontes de energia renovável como o Brasil, pode sim ser uma grande oportunidade, afinal quanto de energia vai em um lingote de alumínio ou em uma lamina de aço?.

A pesquisa, publicada no IEEE, afirma que o desenvolvimento da infraestrutura necessária de geração solar e eólica, e o armazenamento necessário para dispensar completamente os combustíveis fósseis e a energia nuclear é completamente realista, e que, além disso, supõe uma enorme economia de custos a médio e longo prazo. Todos os temores sobre a natureza obviamente intermitente da energia solar e eólica podem ser considerados parte do passado, uma preocupação obsoleta: as possibilidades de desenvolver estruturas de armazenamento usando baterias, estações de bombeamento de água e fabricação de hidrogênio verde cobrem perfeitamente as necessidades de qualquer país.

O trabalho tem focado nos desafios e oportunidades relacionados ao dimensionamento do congestionamento da rede, as possibilidades realistas de armazenamento de energia, acoplamento setorial, as perspectivas de eletrificação do transporte e da indústria, e inclusive incluíram o desenvolvimento de tecnologias para a remoção de dióxido de carbono da atmosfera (CDR).  O resultado é uma visão holística da transição para uma economia líquida-negativa de emissões de gases de efeito estufa capaz de limitar o aquecimento global a 1,5°C, com um orçamento de carbono claramente definido de forma sustentável e econômica com base em energia 100% renovável.

É evidente que o ceticismo em relação a esse tipo de conclusões tem sido e é muito forte, seja por ignorância ou interesses econômicos, o que levou os autores do estudo a incluir respostas às principais críticas contra sistemas de energia 100% renováveis. Também analisa a inércia institucional que tende a impedir a adoção por instituições como a Agência Internacional de Energia ou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), bem como as possíveis conexões negativas com a aceitação da comunidade e a justiça energética.

A instalação de energia solar continua a ser um acúmulo absoluto de desinformação e indefinição. Em geral, as pessoas que instalam painéis de energia geralmente o fazem porque receberam a visita de um instalador, que consegue se tornar sua fonte de informação e pular a barreira inicial de desconfiança para realizar a venda. O dimensionamento de uma instalação, o custo, as características do equipamento ou as expectativas de economia ou subsídios são, em geral, cobertos por propostas de instalação completamente orientadas para a venda, geralmente muito pouco baseadas nas necessidades da casa, e sem muitas informações sobre alternativas.

Nesse momento na França já esta sendo aprovada uma Lei que obriga todos os edifícios a cobrir o seu telhado com painéis solares, logo quantas pense em quantas são as cidades brasileiras que já tomaram a mesma iniciativa? Quantas são os centros comerciais, e seus aparelhos de ar condicionado central que foram obrigados a instalação de painéis solares ou energia eólica? Quanto são os edifícios comerciais e residenciais que ampliaram a oferta de vagas para bicicletas, com estação de carregamento para bikes elétricas?

Com novas possibilidades como vidros solares nas janelas as alternativas vão crescendo, e nisso o potencial brasileiro é privilegiado.

A mudança para energia sustentável representa uma oportunidade, para se ter uma ideia dos números, o investimento necessário para converter um país como os Estados Unidos em energia solar é estimado em cerca de dezesseis trilhões de dólares, além das baterias ou alternativas de armazenamento necessárias para cobrir sua natureza intermitente. Logo o que um legislador precisa para entender colocar as fontes renováveis no radar do direito de construir?

Não existe milagre, ou reza para retardar as mudanças climáticas, mas atos hoje e amanhã. Afinal se um homem simples como Nelson Cavaquinho, um talento indiscutível que nos deixou mais de quatrocentas composições, entre elas clássicos como “A Flor e o Espinho” e “Folhas Secas”, já evidenciava em seu samba a importância do sol que tudo faz brilhar, qual a dificuldade que temos em se orientar pelo astro rei?

Que “o sol há de brilhar mais uma vez. E que a luz há de chegar aos corações”, aos homens pobres de espírito.

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