O QUE MELHORA COM O 5G?

Com tanto barulho em torno da guerra comercial entre a China e os EUA em torno do 5G, podemos concluir que a pergunta mais frequente que muitos devem fazer é o que melhora com o 5G que possa fazer valer uma batalha tão grande?

É uma pergunta não muito difícil de se responder. O que antes era previsto para esse ano, o edital do leilão das frequências para o 5G deve ficar só para 2021, por conta de decisões que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda tem de tomar. Depois do leilão, as operadoras precisam de um tempo para instalar a infraestrutura e fazer os testes adequados, enquanto isso não podemos assim definir qual modelo o Brasil deve adotar, uma data otimista deve ser o final de 2021 ou o início de 2022. Conforme previsão da GSMA, associação que representa os interesses das operadoras móveis em todo o mundo, o 5G só deve ganhar força no Brasil a partir de 2023.

Antes, porém, fazemos algumas ponderações sobre os movimentos que podem dar a dimensão e importância no domínio dessa tecnologia..

No ano passado a Apple investiu US$ 1 bilhão para garantir sua capacidade de controlar a incorporação do 5G em seus terminais após ter tido problemas com Qualcomm, e diante das dificuldades na incorporação para manter a hegemonia nesse campo, fez o mercado despertar sobre as limitações que todos devem enfrentar, afinal, se uma das empresas líderes de tecnologia sofrem com atrasos, o que esperar das demais? Tá certo que para Apple, bilhões é uma pequena quantidade na perspectiva de tentar incorporar potencial de desenvolvimento que acelere seu roteiro, tentando impulsionar uma divisão que dentro da Intel não estava sendo competitiva o suficiente.

Importante, gigante, revolucionária, são apenas alguns dos adjetivos mais usado, mas afinal, como a implantação de uma tecnologia como o 5G nos afetará? Se você acha que está vivendo o enésimo do seu tempo depois de assistir os episódios anteriores com 3G e 4G, ser dito “desta vez é diferente” provavelmente não ajuda muito.

Como em ocasiões anteriores, vimos preocupações infundadas de segurança que eles pretendiam, com base em estudos mal feitos, de que todos nós íamos morrer de radiação, veremos como nossas cidades estão cheias de buracos e antenas, porém, desta vez, mais do que as anteriores, pois o 5G requer uma maior implantação de redes de antenas mais próximas dos usuários que, mesmo que sejam menores e mais baratos, precisam ser colocados em mais lugares e devidamente conectados.

Haverá também a discussão sobre infraestruturas urbanas, sobre os direitos e valores a serem pagos e sobre a velocidade de implantação, não em ambientes urbanos com densidades significativas de usuários, mas em ambientes rurais ou menos povoados. Onde essas implantações têm mais dificuldade em entregar rentabilidade rapidamente?

Como o 5G é diferente? Primeiro, não é só uma questão de velocidade e sim a largura de banda, que permite transmitir cerca de cem vezes mais dados do que com 4G, mas também melhora não apenas a quantidade de dados que podem ser transmitidos, mas também sua latência, a taxa na qual esses dados são transmitidos, até que essas conexões sejam convertidas em praticamente instantâneas. Se unirmos essa circunstância com a disponibilidade de sensores cada vez mais eficientes e mais baratos, falamos sobre uma implantação que afetará nosso relacionamento com o meio ambiente, e o mais interessante, que fará a diferença entre as empresas que o adotam e aquelas que demoram mais para fazê-lo.
De muitas maneiras, nos acostumaremos a estar cercados por objetos que reagem em tempo real, como se fossem pessoas, às nossas ações, a ambientes que nos oferecem serviços semelhantes aos que nos proporcionariam estar cercados por pessoas atentas às nossas ações.

Para considerar como algo assim nos afetará dentro de uma empresa, precisamos dividir sua cadeia de valor em etapas tão básicas quanto possível e pensar em como poderíamos melhorar a eficiência e a percepção dessa cadeia se tivéssemos sensores em cada um de seus elementos, em modos que ainda são difíceis de imaginar, mas que surgirão imediatamente derivados da criatividade de um ambiente dinâmico. Como nosso negócio muda quando todos os seus componentes são capazes de nos enviar sinais em tempo real sobre o que vai ao longo da cadeia de valor? Se não aproveitarmos essa oportunidade para valorizar nosso negócio, alguém nos tornará obsoletos.

A implantação do 5G não substituirá o 4G, mas coexistirá por muito tempo. Como acontece atualmente, passaremos alguns anos quando vemos que nosso terminal muda para 4G, descobriremos que nada funciona e os tempos de espera se tornam inaceitáveis, e não será porque nossa percepção está alterada, mas porque os desenvolvedores de aplicativos vão aproveitar essa largura de banda mais alta e essa baixa latência para melhorar seus produtos, e os fará funcionar mais lentamente nas redes da geração anterior.

Acima de tudo é bom deixar claro que o maior efeito do 5G é que não é apenas um problema para as empresas de telecomunicações e a amortização de suas infraestruturas. De fato, o 5G começa com as telecomunicações, mas afetará todas as empresas, o que quer que façam. E dada a fragmentação das decisões de implantação em muitos países em diferentes campos, veremos como ambientes como a China, em que essas implantações são gerenciadas centralmente, sob uma estratégia comum e sem muitas possibilidades de discussão, oferecem às suas empresas uma chance de experimentar o futuro e não em outros países, com as consequentes oportunidades de melhorar sua competitividade.

A concorrência para implantar o 5G é porque não é um problema de telecomunicações, mas macroeconômico: nomeará vencedores e perdedores, oferecerá a alguns países com economias emergentes a capacidade de dar um salto de tecnologias já consideradas obsoletas e destacará as dificuldades de outros países em se adaptar. Se você quer que sua empresa entenda, comece por ficar em um site com cobertura 5G e repense toda a sua cadeia de valor com base em suas possibilidades o mais rápido possível, pois qualquer atraso significa uma possível perda de oportunidades.

Como variável de contexto, o 5G está prestes a criar ambientes que serão essenciais para estudar e posar com alguma velocidade. Se você ficar esperando que seu operador lhe traga cobertura, tenha cuidado, não é apenas “mais do mesmo”, ele vai significativamente mais longe e você tem que experimentá-lo para entendê-lo.

Nesse momento, estima-se que em seu potencial máximo, a tecnologia 5G seja capaz de atingir velocidade de download de 10 gigabits por segundo (Gbps), isso é dez vezes mais do que o máximo possível de ser alcançado por uma rede 4G. Em outras palavras, isso quer dizer que um trabalho que demora em torno de 20 segundos no 4G, como baixar sua playlist de uma hora no Spotify pode levar apenas 2 no 5G.

Com essa combinação entre velocidade e latência, o 5G vai permitir avanços importantes na tecnologia, o mais evidente deles é o dos carros autônomos, pois hoje eles já estão sendo testados e tem algum nível de segurança, inclusive já conseguindo rodar por quilômetros sem qualquer intervenção humana. Com o 5G, porém, isso deverá ser ainda mais simples.

Na medicina por exemplo deveremos ver o amadurecimento das cirurgias remotas, pois hoje já é possível realizar cirurgias de forma remota, mas o tempo de latência pode fazer com que acidentes aconteçam, de forma que a prática não é recomendada. Assim os melhores cirurgiões poderão atender em uma área maior de cobertura.

Outro ponto é a Internet da Coisas, pois o 5G também vai beneficiar sistemas como casas conectadas e cidades inteligentes. A meta de fabricantes é de que os sensores tenham baixo consumo de energia, o que permitiria que qualquer máquina tenha um sensor.

As chamadas e aulas holográficas devem ganhar um espaço considerável depois da pandemia e logo, falar com um amigo por vídeo, via Skype ou WhatsApp pode ser algo ultrapassado.

Um mundo em transformação, logo, liderar tecnologicamente essa guerra pode representar a supremacia política e comercial do mundo.

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