NOSSOS FILHOS E SEUS CELULARES

Todos concordam que o uso em demasia faz mal, como muitos dos nossos hábitos.

Quantos são os pais que olham o tempo de uso diário nos celulares dos seus filhos? Aquela funcionalidade disponível para ver quanto tempo ficamos e onde ficamos ao usar nossos celulares.

É evidente que todos ficamos preocupados, e muitos até perdidos, afinal a cada nova estação um novo aplicativo vira febre nas mãos de nossos jovens. E quais os riscos que esse uso descontrolado pode ofertar?

Essa preocupação tornou-se uma discussão constante que vai dos ambientes escolares, nos lares e também nas casas legislativas com muita gente disposto a regrar esse desregulado uso. Afinal qual a influência de tanta tecnologia nas rotinas desses jovens?

Muitos estudos podem dar a dimensão desse tema, como o feito por pesquisadores do Facebook que vem estudando secretamente como seus aplicativos corroem a imagem corporal das meninas, médicos descrevendo distúrbios induzidos pelo TikTok e legisladores se comprometendo a responsabilizar empresas de mídia social por prejudicar crianças, mas qual de fato pode ser o risco?

Os estudos se dividem sobre a influência, porém todos concordam que o uso em demasia faz mal, como muitos dos nossos hábitos.

Uma pesquisa feita com uma gigantesca base de 84 mil pessoas vem esmiuçando esses dados relativos ao uso. O trabalho feito com pessoas de diversas idades na Grã-Bretanha, conseguiu identificar dois períodos da adolescência nos quais o uso intenso das redes sociais estimulou classificações mais baixas de “satisfação com a vida”, ou seja a ditadura das redes sociais influenciando no estado de espírito de jovens naquilo que se pode conceituar como estar e ser feliz.

Da mesma maneira que estudos anteriores, descobriu-se  que a relação entre as redes sociais e o bem-estar de um adolescente era bastante fraca. Ainda assim, o estudo sugeriu que houve períodos em que os adolescentes podem ter sido mais sensíveis à tecnologia.

Para a maioria dos adolescentes nos EUA, as telas são uma grande parte da vida. Nove em cada 10 deles têm um celular e passam muitas horas por dia com ele – vendo vídeos, jogando e se comunicando. À medida que o uso dessas redes explodiu nas últimas duas décadas, aumentaram as taxas de depressão, ansiedade e suicídio, levando os cientistas a se perguntarem se essas tendências estariam relacionadas.

Alguns sugeriram que as redes sociais podem ter um efeito indireto na felicidade, substituindo outras atividades, como interações pessoais, exercícios ou sono. Ainda assim, pesquisas que buscam uma relação direta entre redes sociais e bem-estar não acharam muita coisa.

Foram acompanhados mais de 17 mil adolescentes de 10 a 21 anos ao longo do tempo, mostrando como seu consumo de mídia social e índices de satisfação com a vida mudaram de um ano para outro.

O mesmo estudo descobriu que, durante o início da adolescência, o uso intenso de redes previa índices mais baixos de satisfação com a vida um ano depois. Para as meninas, esse período sensível foi entre 11 e 13 anos, enquanto para os meninos foi de 14 a 15, o que pode ser entendido pelos períodos distintos de maturidade.

De maneira conclusiva os resultados sugerem que, embora a maioria dos adolescentes não seja muito afetada pelas redes, um pequeno subconjunto pode ser prejudicado por seus efeitos. Mas é impossível prever os riscos para uma criança individualmente.

Habilidades sociais que vão além dos avatares digitais

São tempos diferentes onde pais corujas,  procuram em qualquer gesto e fato do seu filho um traço de genialidade no uso e domínio dessas novas tecnologia e que por vezes ficam despreocupados com o elevado tempo que nossos jovens vem se dedicando a esse universo digital.

O grande desafio nessa etapa é adequar as expectativas e também as cobranças que despejamos nas costas dessas crianças.

E logo adianta, não seu filho e o meu não são gênios, por sinal um levantamento recente calcula que no Brasil entre 210 milhões de pessoas, menos de 24.000 crianças poderiam serem consideradas superdotadas, pense nesse número isso é 0,00114% ou seja uma fração muito pequena de “gênios”, logo são pequenas as possibilidades dos nossos filhos estarem dentro desse percentual.

O fato do seu filho manejar um tablet ou um celular com habilidades que você e eu estamos tão distantes, não faz desses rebentos novos gênios, eles apenas já nascem com mais acesso a esses dispositivos, eles seus irmãos, seus primos e todos os amiguinhos da escola, ou seja muitas das habilidades que ele tem você já mais vai ter, o contrário também é verdadeiro, acredite, muitas das suas habilidades ele jamais terá, por mero exercício cultural dos distintos tempos.

Nossos pequenos “gênios” precisam sim de uma habilidade social, que vai além dos avatares digitais em que eles acreditam ser em seus games, mas em um compartilhamento missionário onde um sol brilhe para todos.

A realidade social, que eles vão encontrar é dura, bem mais que um pito ou um castigo, pois os números nem sempre serão um gesto de carinho, mas um desafio transformador, e o papel deles nessa nova sociedade não depende do tempo que os mesmos dedicam mas a qualidade do que eles estão vendo, ou na total perda de tempo que determinados conteúdos e hábitos são cultuado por nossos jovens nessa máquina cuja lógica é roubara a atenção dos nossos filhos, por isso acompanhar a par e passos seus hábitos é um requisito para caminhar com nossos jovens nos novos dias. Não é uma tarefa fácil? Claro que não, pois quem disse que educara é fácil?

A curiosidade do saber, o não aceite das respostas fáceis do Google é um grande passo para ressignificar a inteligência, pois se não criarmos gênios ao menos nos dediquemos ao

propósito que criamos novos cidadãos que saibam respeitar as diferenças e que carreguem consigo os valores do humanismo.

(Artigo publicado no site www.mistobrasilia.com, em 07 de Julho de 2022).

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