NANO SATÉLITES SOBRE AS NOSSAS CABEÇAS

O projeto Starlink de Elon Musk, promete revolucionar a comunicação do mundo. Quando estamos próximos de comemoramos 60 anos que o primeiro homem foi lançado no espaço, exatamente em 12 de abril de 1961.

A bordo da nave Vostok 1, o soviético Yuri Gagarin, deu o primeiro grande passo da Corrida Espacial, protagonizada na época por Estados Unidos e União Soviética, que viviam em plena Guerra Fria. Um feito que durou apenas 108 minutos de duração, a uma altura de 315 km a partir da superfície, em uma velocidade de 28 mil km/h, o primeiro voo tripulado entrou para história.

Com avanços tecnológicos bem mais simples, o cosmonauta se manteve em contato com a Terra usando diferentes canais via telefone e telégrafo. A nave Vostok 1, media apenas 4,4 metros de comprimento por 2,4 m de diâmetro e pesava 4.725 quilos, ali haviam dois módulos, sendo um para acomodar os equipamentos e tanque de combustível, enquanto o outro era a cápsula onde o cosmonauta registrava a experiência.

Com o uso de nanosatélites ele pretende revolucionar a forma com que as pessoas se comunicam. Para melhor entender vamos aos conceitos dados pelo INPE: Um satélite é qualquer objeto que orbita ao redor de outro, que se denomina principal. Depois de sua vida útil, os satélites podem ficar orbitando como lixo espacial, até que reentrem na atmosfera terrestre, ou podem ser direcionados, através do uso de propulsores, ao espaço profundo.

Os satélites artificiais podem ser catalogados ou agrupados segundo sua massa, como mostrado abaixo:

Grandes satélites: cujo peso seja maior a 1000 kg;

Satélites médios: cujo peso seja entre 500 e 1000 kg;

Mini satélites: cujo peso seja entre 100 e 500 kg;

Micro satélites: cujo peso seja entre 10 e 100 kg;

Nano satélites: cujo peso seja entre 1 e 10 kg;

Pico satélite: cujo peso seja entre 0,1 e 1 kg;

Femto satélite: cujo peso seja menor a 100 g.

São com esses objetos que pesam de 1 a 10kg, que Elon Musk revolucionou a indústria automobilística, com a Tesla e a aeroespacial, com a SpaceX, o qual deseja mudar às telecomunicações com o projeto Starlink, que visa oferecer acesso rápido à internet em qualquer lugar do planeta.

Para se ter ideia da ambição, esse projeto exige a produção, lançamento e operação de satélites em uma escala nunca tentada e em um curto tempo. A desmedida ambição já esta ficando de pé, pois cerca de 1/3 do total projetado já está no espaço, e é claro não lhe faltam clientes e usos para essa rede.

Ao contrário dos serviços atuais de Internet via satélite, que cobrem em regiões específicas, o objetivo da Starlink é oferecer cobertura global, saturando uma órbita baixa com satélites suficientes para servir a cada canto do planeta.

A SpaceX já tem aprovação da FCC (agência de telecomunicações dos EUA, similar à nossa Anatel) para operar 12 mil satélites. Eles serão agrupados em camadas (“shells”, em inglês) ao redor do planeta, com 1.584 satélites por camada para oferecer cobertura global.

Atualmente a Starlink já tem 482 satélites em operação a uma altitude de 550 km, mais elevados do que o primeiro voo tripulado.

Para melhor entender, após completar a primeira camada a SpaceX planeja outras, a 384 km e 1.200 km de altitude. A SpaceX já demonstrou que não pretende se contentar com “apenas” 12 mil satélites, e já pediu autorização para lançar mais 30 mil, num total de 42 mil satélites em órbita.

Para você ter uma idéia da escala, já descontando os 482 satélites da Starlink, atualmente há outros 2.274 em órbita, ou seja, a empresa espera operar vinte vezes mais satélites do que o total que existe atualmente ao redor de nosso planeta, isso pode lhe dar a dimensão da ambição e do mercado.

Uma curiosidade, é que é possível ver esses satélites a olho nu, em particular nos dias logo após o lançamento, quando eles ainda estão em uma órbita mais baixa e seus painéis refletem mais a luz do sol. Eles aparecem no céu como um cordão de estrelas se movendo rapidamente, geralmente por volta do pôr do sol ou ao amanhecer. Eles acabam se parecendo com pontos se movendo rapidamente pelo céu, e muitas vezes são confundidos com OVNIs pelos sempre mais criativos, por causa isso  os astrônomos protestaram contra o projeto, alegando que ele poderia impedir observações astronômicas em solo. Em resposta, Musk afirmou que futuros satélites teriam uma espécie de “quebra-sol” para reduzir sua luminosidade.

A rede Starlink foi projetada para oferecer velocidades de download de até 1 gigabit por segundo. Obviamente a velocidade, na prática, vai depender de fatores como a quantidade de satélites em órbita, do número de clientes conectados à rede entre outros elementos.

Porém, é bom lembrar que mais importante do que a velocidade de acesso é a latência, ou tempo que os dados demoram para viajar do satélite até você. Em uma conexão tradicional via satélite, ela pode chegar a 500 ou 600 milissegundos, o que pode inviabilizar usos como videoconferência ou jogos online, isso porque os satélites ficam em órbita geoestacionária, a 35 mil km da superfície do planeta.

Segundo reportagem, a Starlink planeja resolver o problema colocando seus satélites muito mais próximos do planeta, numa altitude entre 340 e 1.200 km. O objetivo é ter uma latência de menos de 20 milissegundos, não muito diferente de uma conexão de banda larga doméstica atual.

A SpaceX não está só nessa empreitada, mas se posiciona com preço muito competitivo, devendo ficar em cerca de seus $80 mensais, o que dá cerca de R$ 390. Enquanto seus concorrentes, como a ViaSat (de US$ 30 a US$ 150 mensais por conexões de 12 Mbps a 100 Mbps) e HughesNet, que cobra de US$ 60 a US$ 150 mensais por conexões de 25 Mbps.

Um mercado gigante, que pode servir para muitas as possibilidade, de segurança ao trânsito, do agronegócio ao monitoramento, poderão ser instalados em qualquer local, desde que tenham visibilidade do céu.
Uma revolução nas telecomunicações, feita por quem já revolucionou o mercada de automóveis.

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