MOBILIDADE E OS CARROS VOADORES

Os carros voadores, produzidos pela Embraer através da sua controlada Eve, já dera a liderança desse mercado para empresa brasileira antes mesmo da homologação do primeiro carro ser fabricado.

A carteira de encomendas e a tradição da empresa brasileira, terceira maior fabricante do mundo de aeronaves para aviação civil deve literalmente decolar.

Com um investimento de cerca de US$ 300 milhões, os especialistas acham que o veículo entre em testes já em 2024 e em operação em 2025 ao custo de US$600 mil, bem menos que alguns helicópteros.

É claro que tem muitos desafios pela frente, entre eles os regulatórios, pois se trata de aeronaves autônomas voando sobre as nossas cabeças, atravessando áreas urbanas, além disso tem um desafio de infra estrutura, pois são necessários os vertiports (os locais de pouso de decolagem do veículo), que não podem ser em um prédio qualquer, devido as características desses equipamentos, logo os shopping centers, surgem como candidatos naturais pois é preciso uma estrutura de carregamento das baterias entre uma decolagem e outra, além das questões econômico e culturais.

Histórico de aprovação e de entrega da Embraer, faz toda diferença quando o assunto é credibilidade, afinal a empresa brasileira é a terceira maior fabricante do mundo, em paralelo a Embraer ainda trabalha no desenvolvimento de seu evtol em uma parceria com o aplicativo de transporte Uber, que pretende realizar voos os primeiros comerciais a partir de 2023, prazo que para muitos é considerado apertado.

Para se ter uma ideia da importância desse mercado, nesse momento existem cerca de 140 projetos de evtol no mundo, e a sua importância nas soluções de mobilidade, é de que esse veículo conseguiria realizar viagens por um custo menor do que de um helicóptero.

A mudança tecnológica mais significativa é que o evtol não precisará de pilotos e será elétrico, logo será silencioso e não poluente.

São boas notícias para o Brasil, em meio a pandemia e depois do derretimento da combinação bilionária de negócios que havia firmado com a americana Boeing, após um longo período de negociações e aprovações regulatórias em todo o mundo, e que resultou de uma demanda judicial.

O que fica evidente é que o mercado de capitais sempre olha com bons olhos quando uma empresa assume como referência em uma solução disruptiva, ou seja, em tempo de negacionistas a ciência é quem agrega valor ao seu negócio, que o diga Elon Musk com sua Tesla e suas viagens a marte.

Os testes no simulador já começaram, em São José dos Campos, sede da empresa, onde fica o simulador do eVTOL (sigla em inglês para veículo elétrico de pouso e decolagem vertical, como é chamada oficialmente a aeronave). O equipamento foi instalado já em julho de 2020 e vem sendo usado para se experimentar, por exemplo, a interface entre o piloto e a máquina. Assim, pilotos de teste da Embraer operam o simulador e passam para os engenheiros o que precisa ser alterado para que o futuro equipamento seja exitoso.

Nesse período vão sendo feitos ajustes finos, considerando a experiência de pilotos, nesse período se apura para que a pilotagem da aeronave seja fácil e intuitiva, pressuposto de escalabilidade desse novo veículo. Sendo que os softwares é que devem fazer a maior parte do trabalho, precisando de poucos comandos do piloto e garantindo uma evolução fácil para a versão autônoma do “carro voador”.

O propósito, dentro dessa lógica é que a pilotagem seja tão simples que qualquer piloto iniciante não tenha nenhuma dificuldade em aterrissar.

Dentro das atuais características a aeronave voará a 180 km/h em altitude de 400 m a 500 m, a mesma dos helicópteros, segundo informações já divulgadas a empresa trabalha para que o eVTOL opere a até 180 km/h, mas a ideia de que a velocidade seja controlada pelo computador, e não pelo piloto, deve acontecer na prática, o que também garante uma maior segurança.

Ao mesmo tempo que pilotos e engenheiros fazem simulações em São José dos Campos, outra equipe trabalha em Gavião Peixoto (SP) em uma espécie de protótipo da aeronave. Do tamanho que deverá ter o eVTOL, mas sem fuselagem, o equipamento vem sendo utilizado para testar o conceito do “carro voador”. Os funcionários estudam, por exemplo, se as hélices estão nos locais adequados e se os sistemas estão integrados de forma correta. Stein explica que a construção vai sendo feita em bloquinhos, até que chegará o momento de colocar todos para funcionar conjuntamente.

Assim como o simulador, a aeronave deverá ser o mais simples possível, com peças fixas, o que facilita a manutenção e torna a operação mais barata. O eVTOL deverá ter dez motores, sendo oito para movê-lo verticalmente e dois, horizontalmente. Como os motores serão elétricos, não emitirão gases de efeito estufa, reduzirão o barulho e ainda serão leves, isso permitirá que vários sejam instalados em uma aeronave e, portanto, façam o deslocamento vertical e o horizontal, no primeiro instante carregando quatro passageiros e o piloto, sendo que quando o mesmo for autônomo, em uma segunda etapa a capacidade será de seis passageiros.

Só para ficarmos no detalhamento de um exemplo nessa escolha de viés pelo ensino, ciência e tecnologia e na verticalidade dessa cadeia, o veículo elétrico de pouso e decolagem vertical(evtol) da Embraer, previsto apenas para 2026, já possui cerca de 1735 unidades encomendadas.

Mesmo antes de ter seu projeto de “carro voador” completamente desenvolvido, apenas o anúncio fez as ações da fabricante brasileira de aeronaves, que ainda passa por um momento delicado, subirem 190% na B3, a Bolsa paulista, no acumulado após a pandemia.

A Eve (braço da companhia brasileira criado para desenvolver o “carro voador”), também trabalha no desenvolvimento conjunto de um sistema de gestão de tráfego aéreo urbano e de operação de frotas. A ideia é que a parceria aumente a acessibilidade dos evtols, dado que as empresas poderão escalar as operações do veículo.

Uma parceria que deve levar a Eve a assumir a posição de líder global na indústria de mobilidade aérea urbana, apontando para sua abertura de capital na Bolsa Norte Americana.

Além dos desafios de engenharia, muito existe de oportunidade sobre a regulação desse novo meio de transporte, que deve modificar muito a mobilidade de proprietários com o bolso mais avantajado.

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