Microsoft vai comprar o TikTok?

Em mais um capítulo da sua batalha naval, ou melhor de sua guerra comercial, Trump interfere no tabuleiro das grandes empresas de tecnologia. Com a séria ameaça de retirar o Tik Tok dos Estados Unidos, surge assim uma grande oportunidade de negócio para completar a carteira de investimento para uma das suas grandes Big Techs.
A Microsoft que havia feito uma pequena pausa nas suas negociações para adquirir as operações do TikTok nos Estados Unidos, após o presidente Donald Trump ter dito que se opõe ao acordo, voltou a se movimentar nesse tabuleiro, mostrando ao presidente, ou melhor ao governo americano, que é melhor travar o TikTok em alguns países fazendo dele, do que ver a rede social chinesa dominar todo o mercado dos seus principais aliados.
Muito do que se pode dizer sobre o aplicativo cai no lugar comum, mas é obrigatório, pois com mais de 2 bilhões de downloads e crescendo mais do que todas as demais redes sociais, o TikTok se tornou um dos 5 aplicativos mais populares do mundo, isso sem se esquecer que em janeiro eram apenas 500 milhões de usuários. Nesse momento ele já superou o Instagram e o YouTube nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, disparando na liderança do público mais jovem.
Mas quem define os critérios de segurança e a política de proteção de dados do TikTok? E porque causa tamanho frenesi entre adolescentes, que desconsideram seus riscos de segurança? Toda guerra de Trump com o TikTok, é mera preocupação com a segurança dos seus usuários?
O aplicativo, como muitos que fazem sucesso é simples, “quando clicamos, a tela do celular ele se transforma numa sucessão interminável de vídeos, a maioria com menos de 15 segundos.” Com essa ideia em mente, em 2016, Yiming lançou o Douyin, um aplicativo de vídeos curtos que alcançou 100 milhões de usuários em menos de um ano. E, menos de um ano mais tarde, a ByteDance comprou, por um bilhão de dólares (4,2 bilhões de reais), o Musical.ly, um app parecido e muito popular entre os adolescentes dos EUA, esse movimento foi essencial. “Embora ambas fossem empresas chinesas com um produto similar, o Musical.ly tinha sido muito bem recebido no exterior, ao passo que o Douyin dominava o mercado doméstico”, afirma. Dessa sinergia nasceu o TikTok. Mas o Douyin não desapareceu. TikTok e Douyin, plataformas similares, convivem, somando um bilhão de usuários de forma paralela, como estratégia de mercado. O primeiro só é acessado no exterior e o segundo dentro da China, é por essa definição que surge a possibilidade da operação do TiTok ser vendido em algumas praças.
É óbvio que as suspeitas têm um considerável fundamento, a julgar pelos precedentes, neste mesmo ano o TikTok pagou uma multa de 5,7 milhões de dólares (24 milhões de reais) por captar, de maneira ilegal, dados pessoais de menores em sua plataforma, além disso, numa carta aberta publicada em 2018, seu diretor-geral se comprometeu a “aprofundar a cooperação” com o Partido Comunista de modo a promover suas políticas. O app teve que lidar com vetos temporários na Índia, Indonésia e Bangladesh e mais recentemente nos EUA.
Um outro motivo de desconfiança é a política que o TikTok aplica à gestão do conteúdo. O aplicativo bloqueou vídeos que denunciam a violação de direitos humanos na China, em particular com relação à situação da etnia uigur na província de Xinjiang, onde mais de um milhão de pessoas são vítimas de encarceramento maciço. O risco político, anda a par e passo com o comercial, se considerarmos a base de dados do TikTok e a possibilidade dele poder virar sua artilharia contra o Facebook, o que se amplia no momento em que o aplicativo é o mais baixado no mundo, superando os gigantes Facebook, Instagram, YouTube e Snapchat.
Nesse momento, próximo de ser banido dos Estados Unidos, uma proposta da Microsoft pode ser uma vitória para o TikTok e logo a chinesa ByteDance considera e muito a proposta.
Em que pese todo o esforço da ByteDance e suas sucessivas negativas das acusações e de ter ainda contratado um executivo americano como CEO, a aquisição de parte da sua operação pode ser o melhor caminho.
Tudo caminha para que a Microsoft assuma as operações do TikTok nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, dessa maneira a ByteDance continuaria firme e controladora da operação no mundo.
De imediato, os inflamados discursos de Trump fizeram com que o aplicativo chinês fizesse novas concessões, inclusive aceitando criar 10 mil empregos nos EUA nos próximos três anos. Certamente a política de segurança com a Microsoft precisará ser revista, e logo devem ser incluídos novos instrumentos de privacidade e políticas de transparência para supervisão de segurança pelos governos, ao mesmo tempo a Microsoft também se comprometeu a transferir dados de usuários americanos no TikTok para servidores nos Estados Unidos.
Para a Microsoft, até agora a favorita na provável aquisição, seria algo que juntaria dois mundos, os adolescentes do TikTok com o universo corporativo do Linkedin. Um gigante nas redes sociais para tirar o sono de Zuckerberg.

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