MAGALU VAI VIRAR A AMAZON BRASILEIRA?

Nos últimos debates de que tenho participado, uma das perguntas mais recorrentes que me fazem, principalmente os investidores, é se a MAGALU vai virar a Amazon brasileira. Eu quase sempre respondo com um frustrante depende, imagino que seja frustrante, pois, como na maioria das vezes somos cartesianos, escutar um depende no lugar de um sim ou de um não é sempre um balde de água, pois a objetividade que procuramos em resposta, tem o propósito de nela encontrarmos a nossa zona de conforto e logo, ao responder “depende” e as razões dele, levo as pessoas a terem de pensar, refletir, criticar e assim, sair da sua zona de conforto.

Afinal, do que depende? Bem vamos ao que vem acontecendo com a líder mundial do novo varejo, a Amazon.

Nesse momento a maior operadora de shopping centers dos Estados Unidos, Simon Property Group, que possui cerca de 325 unidades em todo o país, totalizando mais de 22 milhões de metros quadrados, está em negociações com a Amazon para converter algumas das grandes instalações que estão sendo abandonadas pelo colapso de lojas de departamento como J.C. Penney ou Sears, em armazéns logísticos para a empresa.

No ano passado, mais precisamente no mês de junho, J.C. Penney já havia anunciado o fechamento de 154 de suas instalações durante o verão como resultado, isso tudo antes da Pandemia, ao mesmo tempo a Sears anunciou o fechamento de 96 de suas lojas. No mesmo sentido, as lojas históricas, como a Kmart, entre outras grandes redes, iniciaram o fechamento de muitas de suas lojas físicas.

O fechamentos dessas chamadas lojas âncoras nos Shoppings, representam um problema gigantesco pela força de atratividade que elas exercem nesses centros e assim, ajudam no fluxo para as pequenas lojas que não possuem a mesma força de atratividade.

Dentro da estratégia da Amazon, a capacidade de abrir centros logísticos secundários significa um ganho capilar e uma possível redução nos custos operacionais de sua logística, que está cada vez mais dependente de suas próprias operações e menos de operadores generalistas como USPS, FedEx ou UPS e isso vai acontecer, pois, essas grandes lojas já possuem estrutura logística para receber nesses shoppings suas cargas, precisando na maioria delas poucos ajustes de adequação.

Para se ter uma ideia dos números, em pesquisa feita no ano passado, calculou-se que a Amazon poderia entregar mercadorias para 72% dos domicílios nos Estados Unidos em um dia ou menos. Com alguns ajustes, como no Amazon Delivery Service Partner ou como o Amazon Flex e ao mesmo tempo incorporando tecnologias como drones ou veículos autônomos, a gigante do e-commerce poderia alcançar, a partir de uma rede de armazéns intermediários, mais capilares, a capacidade de fazer embarques virtualmente instantâneos para uma porcentagem muito alta da população, o equivalente a clicar e receber o item em um tempo aproximadamente comparável ao tempo que levaria para sair de casa para comprá-lo em uma loja.

Lojas de departamento abandonadas são adquiridas, precisamente pela Amazon, para construir mais de seus armazéns logísticos e tem uma aura evolutiva muito clara: o e-commerce, assumindo o espaço que antes usava o comércio tradicional de rua. Para os gestores dos shoppings, envolve abrir mão do tráfego de pessoas em troca da manutenção de sua renda de aluguel do local, algo que em tempos de queda progressiva e sustentada de sua atividade, implica uma oferta que simplesmente não pode ser rejeitada.

Essa introdução dá uma dimensão da operação da Amazon e produz uma ironia, afinal, ela vai ocupar espaços de lojas cuja sua força de venda levou a quebra dos antigos inquilinos que não souberam ler o novo mercado.

E esse é o nosso ponto de partida, a MAGALU, que adaptou até o nome do canal de Magazine Luiza para MAGALU, vai ser a nova Amazon? Bem, os passos já estão sendo dados, pois, não se trata apenas de fazer vendas pela internet, é muito mais que isso.

No último mês, seguindo a trilha dessas necessárias mudanças, que para vender precisa ir além, investiu na aquisição da Canaltech e também da InLoco, já de olho na produção de conteúdo e na venda de publicidade.

Com a aquisição de uma só vez de três plataformas de mídia, a Unilogic Media, a Canal Geek, conhecida como Canaltech, que produzem conteúdo sobre tecnologia e a InLoco Media, divisão de publicidade da startup pernambucana In Loco, segue os grandes varejistas mundiais, fazendo sua lição de casa onde para vender é preciso sim produzir conteúdo.

A produção de conteúdo, cria uma via de duas mãos, seja por interessados pelo conteúdo de produtos, ou por críticas e comentários que eles fazem.

Isso vai permitir afinar os algoritmos junto com a possibilidade de precisar melhor a oferta, não apenas baseada, ajustando estoque e melhores negociações com novos parceiros.

Esse movimento da Magazine Luiza é percebido pelo mercado e retribui com recordes na cotação de suas ações, afinal, são iniciativas pioneiras no mercado brasileiro.

A Magalu não foi a primeira a entrar no e-commerce no Brasil, mas é quem nesse momento se apresenta como o melhor aluno nesse disputado mercado.

A Amazon também não foi o primeiro e-comerce e muitos do seu modelo atual devem-se ao e-bay, claro que ai está a importância de aprender e aperfeiçoar.

Tem muito ainda pelo caminho, mas aprender com o melhor, ter resiliência e não ter medo de inovar, permite desenhar uma rota de sucesso e o mercado de capitais costuma premiar.

Inteligência artificial, Smart Locker, Marketplace, aprendizado de máquina, tudo isso pode e deve ser incorporado em maior grau na operação da Magazine Luiza, que pode e deve usar sua estrutura física para se beneficiar nisso.

Logo, ela pode sim ser a Amazon brasileira, para isso vai precisar olhar longe, além da fronteira brasileira e mais além ainda do varejo tradicional.

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