JESUS CRISTO, MORTO PELAS FAKE NEWS

Quem está livre da calúnia, da injúria e da difamação? Quem está livre do julgamento apressado, ou da interpretação tendenciosa? Quem pode ter a neutralidade do julgador, seja dos fatos ou do seu conteúdo ideológico, que muitas vezes turva de forma tendenciosa a leitura da verdade?

Nem Jesus, filho Deus segundo o Evangelho de Marcos, capítulo 8, estava livre do jugo dos homens, do que pensavam e do que falavam, como o citado trecho bíblico, quando a caminho do povoado de Cesareia, Jesus pergunta aos apóstolos: “Que dizem os homens que eu …

Em que pese todo avanço tecnológico, as redes sociais, na distribuição do conteúdo de forma veloz construiu verdadeiros monstros, de acordo com a vontade de quem divulga e compartilha a notícia, que muitas das vezes vem com seu conteúdo editado para dirigir o intérprete para o lado que lhe convém, e assim reproduzimos e replicamos maldades sem fim.

Por isso tratamos aqui sobre as três ciências e a sua relação na influência do intérprete no conteúdo das Fake News, como bem destaca Lucia Santaella na obra Temas e Dilemas do Pós-Digital: “Como se dá a relação entre as três ciências, como elas se interconectam? A ação humana é ação raciocinada, que, por sua vez, é deliberada e controlada. Mas toda ação deliberada e controlada é guiada por fins, objetivos, os quais, por seu lado, devem ser escolhidos. Essa escolha, se for fruto da razão, também deve ser deliberada e controlada, o que, ao fim e ao cabo, requer o reconhecimento de algo admirável em si mesmo para ser almejado. A lógica como o estudo do raciocínio correto é a ciência dos meios para se agir razoavelmente. A ética ajuda e guia a lógica através da análise dos fins aos quais esses meios devem ser dirigidos. A estética guia a ética ao definir qual é a natureza de um fim em si mesmo que seja admirável e desejável em quaisquer circunstâncias, independentemente de qualquer outra consideração de qualquer espécie que seja. A ética e a lógica são especificações da estética. A ética propõe quais propósitos devemos razoavelmente escolher em várias circunstâncias, enquanto a lógica propõe quais meios estão disponíveis para perseguir esses fins.”

Logo, a lógica, a ética e a estética sempre estão presentes na propagação de Fake News, seja por quem produz o conteúdo, ou por quem recebe e compartilha o conteúdo, fazendo correr pelos quatro cantos a “verdade” (versão) que lhe for mais conveniente.

Diariamente somos bombardeados em nossas redes sociais de notícias que não ficam de pé ao primeiro sopro de verdade, mas que por incrível que pareça ingênuos, desavisados e mal intencionados reproduzem como se verdade fosse. Por óbvio a questão não se esgota na ética, mas avança para a política, uma política nutrida na arte do existir, logo a liberdade sempre caminhará ao lado desses valores, que são sempre guia e desafio ao mesmo tempo.

Por isso convivemos diariamente com o debate da mídia programática, que recentemente tem tido grande destaque na imprensa. De forma destacada as notícias divulgadas sustentam o raciocínio de que a mídia programática financia o crime e incentiva o patrocínio das fake News, logo ela que surgiu para democratizar a publicidade e dar escala, sendo vantajosa para veículos, agências e anunciantes, porém a busca pela neutralidade do embate e a liberdade de expressão, além da recente cobrança de movimentos sociais que discutem a parcialidade das redes sociais, colocam essa neutralidade em desafio permanente.

O que não é novo é a quantidade de distorções da verdade produzidas nas redes sociais ao ponto de nos levar ao conjunto ideológico e religioso dos valores e das verdades em detrimento as Fake News.

Podemos destacar que em Êxodo, quando o Senhor nos apresenta as suas leis, vamos ver no capítulo 20, que em uma delas, Ele nos diz: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” Para trazermos este versículo (16) no contexto real não precisamos ir longe. E os exemplos não param por ai em como em outros versículos que nos dão em Lucas 26, 30-31, o Anjo Gabriel anunciou a Maria a grande notícia, de forma verdadeira e alegre. Ele não acrescentou e nem retirou nenhuma palavra que Deus o havia mandado dizer.

No livro Cogumelo Jesus e Outras Teorias Bizarras sobre Cristo, do escritor Paulo Schmidt (Editora Harper Collins): “Pode-se dizer que Cristo foi, e continua sendo, uma das maiores vítimas de fake news da história”, compara Schmidt. O escritor vê paralelos na forma como os boatos sobre Jesus foram criados e se espalharam e o modo como hoje funciona a fábrica de notícias falsas da internet. Algumas das hipóteses mais repetidas, curiosas ou abertamente estapafúrdias estão reunidas, desde seus casos, a disputa por querer ser o legítimo rei da terra, para ira dos romanos.

Ao longo da sua história, as Fake News criadas por sobre Jesus Cristo, assim como as atuais sempre serviram para alguém tirar alguma vantagem, ou eram para diminuir seus feitos e a fé que ele alimentava nas pessoas, ou para obter vantagem desvirtuando suas pregações para que as mesmas entrassem em conflito com a estrutura de poder dominante.

Mentir, desvirtuar e distorcer a verdade fazem parte da maldade e da pobreza de espírito de milhões de pessoas em toda nossa história, ver que isso se repete ainda hoje, causando estrago e levando pessoas mais simples a morte pelo compartilhamento de ignorâncias é o que nos assusta, considerando tantas e diversificadas formas que nos permite checar a veracidade dos fatos narrados, sem ética, sem lógica e utilizando-se da estética do convencimento.

Não é preciso ser Jesus Cristo para ser vítima de calúnias, injúrias e mentiras disfarçadas de verdade e de boa intenção, tanto antes como hoje o espelho dessas histórias sempre tem as mesmas pessoas ignorantes, pobres de espírito e mal intencionadas que lucram algo sempre, ainda que na maioria delas pelo simples prazer de divulgar inverdades que lhe sejam convenientes.

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