INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E ROBÔS TOMANDO SEU LUGAR?

A nossa fé cristã, seja pelos valores educacionais ou pela ideologia reinante na sociedade nos leva a certeza de que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, e só por isso quase sempre acreditamos que vamos caminhar nessa vida sendo hoje e sempre o centro do universo.

Curioso é que em que pese toda dinâmica social e econômica, o homem anestesiado em seu ópio existencial não percebe que a relação social entre homens é na maioria das vezes utilitarista, variando sempre de acordo com a necessidade e o desejo dos outros para conosco, naquilo em que provamos ser mais ou menos uteis aos outros, eu sei que é doloroso pensar assim, mas quem se prepara para o pior quase sempre sofre menos no deserto de valores que o poder semeia.

Com o caminhar da humanidade, o conjunto de valores se modifica, pois entra em cena mais do que um elemento ideológico, entra a sua necessidade primária de sobrevivência, de perda de espaço. Na sociedade, máquinas ficam obsoletas, e pessoas também ficam, afinal pense nas antigas ascensoristas de elevador? Nos cobradores de ônibus? Como imaginar sua atividade nos dias de hoje? Como pensar nessas funções laborais? Quando você procura comprar uma camiseta mais barata você levou em consideração que aquele preço foi possível graças a automatização (entrada de robôs no lugar de pessoas) daquela produção? Ou apenas o preço lhe importou? E se fosse o seu posto de trabalho? Você veria o robô como o amigo que ao entrar na produção reduziu o custo do produto ou como o seu inimigo que levou o seu emprego?

A dinâmica do sistema capitalista nos leva a uma concorrência que implica em tomada de mercado com diferencial tecnológico, seja por meio da inteligência de produção, com a substituição de homens por máquinas ou de gestão, quando novos softwares automatizam processos e reduzem custos. A Inteligência Artificial presente em softwares de atendimento, ou na presença física de robôs na produção é a materialização dessa substituição, logo lembro que a Inteligência Artificial é transversal, e vai atingir todos os meios de produção em menor ou maior grau, ela vai invadir escolas, e residências, alterando apenas a intensidade e o momento que vai bater na sua porta.

O comando da inteligência artificial no mundo se dá e se dará, pelas grandes plataformas, no caso dos Estados Unidos, pelas Big Techs como Microsoft, Google, Facebook, Amazon e Apple e suas equivalentes chinesas como AliBaba e WeChat, na Rússia e na Índia também há empresas desenvolvendo a tecnologia, mas dificilmente fora desse eixo alguém vai conseguir exercer domínio do desenvolvimento da inteligência artificial.

Logo fique longe dos extremos eles ficam ótimo para discursos inflamados e péssimos na realidade, liberais que acreditam que o mercado resolve tudo, existem apenas pela fé ou pela inocência em imaginar que os fortes quando podem não exercem sua força, exercem sim e maximizam suas posições não importando quem vai sangrar, se é o seu bolso ou o seu emprego.

É evidente que o emprego é cada vez mais diverso e isso implica que as políticas devem ser melhor adaptadas a esse cenário, logo precisam ser flexíveis para sua transição e sobrevivência.

(Artigo originalmente publicado no site mistobrasilia.com em 10 de agosto de 2021.)

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