INFLUENCIADORES DIGITAIS E O RISCO NO MERCADO DE CAPITAIS.

Greed is Good, assim dizia o ator Michael Douglas no papel de Gordon Gekko, a fera de Wall Street no filme do mesmo nome, do Oliver Stone. A frase que significa “Ganância é boa”, pode espelhar um sentimento que parece ser quase sempre a base do mercado de capitais. Logo, a ganância em demasia faz com que fiquemos cegos diante dos riscos, essa ganância desenfreada, faz com que o investidor não siga os principais conselhos dados pelos mais experientes, um sentimento de que nunca está contente com o resultado.

Em tempos de economia digital, a comunicação é dinâmica e acessível a quase todos. Uma recente matéria publicada no Jornal Estadão, faz destaque aos principais riscos aos poupadores que se aventuram no mercado de capitais.

As redes sociais amplificam o que existe de bom e de ruim, vejamos o caso do engenheiro Henrique Bredda, cujo perfil se tornou o centro das atenções do FinTwit, nome informal que designa a comunidade do mercado financeiro presente na rede social. Com 170 mil seguidores, ele se estabeleceu como uma espécie de “guru virtual” e nesses tempo o que não faltam são gurus. Porém, como tudo não é para sempre no mercado de capitais, os fundos administrados pela gestora do “guru”, a Alaska, com R$ 10 bilhões em ativos, derretiam 70% e o esforço de Bredda era o de afastar os boatos de que iria quebrar, afinal, como sempre a dinâmica do sistema segue a regra em que tudo que é sólido se desmancha no ar.

Usuário do Twitter, para se comunicar com seus “fiéis” investidores, o guru destacava que sempre alertou sobre os riscos.

O movimento, FinTwit, ou #FinTwit, é oriundo das iniciais de Financial Twitter, um movimento nascido nos Estados Unidos e que, também aqui no Brasil, vem se popularizando desde 2018 e crescendo com o número de novos investidores na Bolsa. Nesse espaço praticamente o único assunto é sobre ações e produtos derivados do mercado de capital.

E claro como quase tudo na rede, sobra vontade em realizar lucro e sobra pretensão de serem doutores em economia, o curioso, é que tal qual viciados, esses seguidores são sim viciados na crença de que o mercado tudo provém, sem se preocupar com a máxima que não existe possibilidade para que todos ganhem sempre e o tempo todo.

A queda da taxa de juros empurrou os grandes bancos para aumentarem a sua participação nos chamados fundos moderados em ações, assim a participação das grandes empresas brasileiras nos grandes fundos administrados pelos maiores bancos brasileiros fez o preço das ações subirem, o que levou o pequeno poupador a especular também no mercado de capitais, isso gera um efeito manada e novos investidores trazem outros novos investidores e assim o preço das ações sobem e por estarem subindo, levam novos investidores e assim segue o baile, porém existe um momento no mercado que chamamos de realizar o lucro, onde o feito é o contrário, ficando os últimos com a conta a pagar.

Em recente estudo interno da rede social, somente nos meses de janeiro a abril deste ano, foram 2,6 milhões de postagens sobre finanças relacionadas ao Brasil, um crescimento de 84% em relação ao mesmo período de 2019. Dos usuários da plataforma no País, 20% têm investimentos em títulos ou ações. Evidentemente que os algoritmos acabam impulsionando o assunto e muitos investidores ao verem a mudança desse conteúdo na sua rede social ficam com a impressão de que todos estão na bolsa, logo ele entra ou aumenta a aposta.

Junto com aquisição de ações cresce é claro os especialistas em educação financeira, veja que em qualquer livraria eles já tem um espaço de destaque nas estantes de livros. O negócio de aconselhamento e educação financeira para jovens aprendizes de investidores se mostrou eficiente e rentável também no YouTube, onde gestoras de fundos tem investido um valor significativo da sua verba de marketing, gerando assim conteúdo que se multiplica na rede.

São vídeos, lives, tudo contribuindo para o estado de espírito dos pequenos investidores criando essa massa de novos e pequenos investidores, na busca pelo eldorado das ações.

Entre os influenciadores no YouTube o destaque não é nenhum economista, mas uma empresária, Nathalia Arcuri, do Canal MePoupe. Nathalia que sabe se comunicar muito bem, pois é uma ex-jornalista, tem cerca 5,3 milhões de seguidores nesse momento e pasmem, faturou R$ 20 milhões em 2019 dando dicas de finanças pessoais. Segundo a reportagem do Estadão que citamos ela projeta R$ 45 milhões de receita, dinheiro que será engrossado pela recente demanda por cursos sobre investimentos.

Todos esse movimento e preocupados com os eventuais prejuízos dos pequenos investidores que entram por último nesse baile, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério Público Federal já colocaram esse movimento dos “influenciadores” no seu radar. Os órgãos investigam práticas que vão de possíveis crimes de manipulação de preços até exercício irregular da atividade de análise de ações por parte de alguns perfis. Através do uso de filtros a CVM e o MPF, colhem nas redes sociais dados para investigar pessoas que usam de sua posição junto à audiência para práticas não permitidas, como manipulação de mercado.

Todo o cuidado é pouco nesse mercado líquido, tocado por muita emoção e que pode deixar milhões com o prejuízo na mão, sem dó nem piedade, desde que isso represente lucro para quem manipula, em perfeita sintonia com gélido Gordon Gekko.

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