INDEPENDENTES DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS?

A elevação no último ano do petróleo e dos seus derivados, reacende a emergência de substituir a nossa dependência dos combustíveis fósseis, mesmo que no caso brasileiro tenhamos o carro flex que pode utilizar etanol ou gasolina, mas é obvio que um mercado onde o governo deixa os preços ao sabor da conveniência e do oportunismo, acabamos assistindo a alta do etanol acompanhando os preços do petróleo.

Essa elevação do preço, agora catalisada pela guerra, leva muitos países, ainda mais dependentes do petróleo a analisar as possibilidade de independência ou redução dessa dependência.

Assim, afastar-se de depender de um único fornecedor de energia significará que países como a Alemanha, a Itália e outras nações da UE terão de fazer mudanças que não serão fáceis.

Utilizando a cidade de Rehden, que fica no noroeste da Alemanha, um recente artigo publicado no Times, nos dá a dimensão desse desafio. Naquela cidade que abriga a maior instalação de armazenamento de gás natural da Europa Ocidental, temos a chave para entender o quão difícil será para a Europa se desfazer da energia russa.

A instalação subterrânea, que ocupa o equivalente a 910 campos de futebol e é responsável por 20% da capacidade de armazenamento de gás da Alemanha, pertence à Gazprom, a empresa estatal russa de energia.

No ano passado, a Gazprom, que controla um terço de todo o armazenamento de gás alemão, austríaco e holandês, esvaziou tanques em Rehden e outros locais da UE a níveis mínimos, em uma aparente tentativa de reduzir o fornecimento europeu de energia antes da invasão russa da Ucrânia.

O conflito demonstrou que o forte compromisso com a energia russa pela Alemanha, Itália e grande parte da Europa foi um erro estratégico. Lembro que a Rússia fornece mais de 40% das importações de gás e carvão da UE e 25% do seu petróleo bruto.

Com os crescentes apelos para que a Europa bloqueie as importações russas de energia, os governos estão agora procurando alternativas, como parte de uma iniciativa da UE para reduzir as importações de gás da Rússia em dois terços no próximo ano. E assim serão construídos terminais para também garantir contratos independentes da Rússia.

Nesse momento de guerra, enquanto as autoridades se preparam para uma possível escassez de gás e tentam construir a infraestrutura necessária para reduzir sua dependência da Rússia, a Europa enfrenta algumas questões difíceis sobre a segurança energética.

Afinal o fornecimento russo para a Europa poderia ser cortado?

Uma crise energética dessa magnitude não pode ser descartada. A Polônia instou a UE a proibir todas as importações de energia russa, enquanto Moscou ameaçou cortar o fornecimento de gás para a Europa em retaliação às sanções.

No entanto, embora a Alemanha tenha suspendido o gasoduto Nord Stream 2, que teria dobrado as entregas diretas de gás russo para a Alemanha, Berlim até agora resistiu aos apelos por um embargo total à energia russa, por entender que a continuidade do fornecimento seja essencial. Os alemães, sabem que, no curto prazo não podem ficar sem gás russo, pelo menos não sem sérias consequências para a economia europeia.

Moscou cobra da Europa uma conta diária de energia de cerca de 800 milhões de euros. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky instou Berlim a cortar seus laços econômicos com a Rússia porque, em sua opinião, “usa você e outros países para financiar sua guerra”. De acordo com a pesquisa do YouGov deste mês, 54% dos alemães apoiaram um boicote energético à Rússia.

A Rússia obtém 23% da receita estatal de impostos sobre as exportações de petróleo, enquanto os impostos sobre o gás contribuem apenas 8%.

A maioria dos países europeus tem planos emergenciais para lidar com a escassez de gás, priorizando o abastecimento doméstico e cortando a produção em setores intensivos em energia. O think-tamk Bruegel calcula que a suspensão das importações russas deixaria a Europa incapaz de encher tanques de armazenamento até o próximo inverno e forçaria um corte de 10% a 15% no uso de energia através do racionamento.

O BCE estima que a suspensão das importações russas de energia poderia subtrair 1,4 pontos percentuais do crescimento da zona do euro este ano, reduzindo-a para 2,3%.

No entanto, um estudo da Academia Nacional de Ciências da Alemanha, prevê que “a economia alemã poderia gerenciar uma suspensão de curto prazo do fornecimento de gás russo” e que o racionamento pode não ser necessário.

Mas afinal no curto prazo, a Alemanha pode parar dependendo da Rússia?

Não é fácil. Segundo o Banco Mundial, a Alemanha importa cerca de 60% do seu consumo total de energia. Metade das importações alemãs de gás e carvão vem da Rússia, que também fornece um terço das importações de petróleo do país. De acordo com um estudo recente da Econtribute, um grupo de estudo criado pelas universidades de Bonn e Colônia, embora a Alemanha pudesse encontrar alternativas ao petróleo e carvão russos, ele lutaria para substituir o gás russo no curto prazo.

A Alemanha queima gás para gerar 25% de eletricidade e também o usa para aquecimento doméstico, resfriamento industrial e fabricação química. Embora o gás natural liquefeito pudesse ajudar, seria mais caro: a Alemanha não tem terminais de GNL e teria de depender de outros países para as importações.

Enquanto a UE importa atualmente de gás russo capaz de gerar 1.768TWh, com sua infraestrutura atual, o bloco só tem capacidade para aumentar as importações de GNL até 1.100TWh.

Na Italia, sempre é bom lembrar, que em fevereiro de 1987, os italianos votaram Sim, por maioria em um referendo realizado em 1987 após Chernobyl uma moratória sobre o desenvolvimento da energia nuclear. As renováveis cobrem apenas entre 11 e 12% das necessidades energéticas da Itália, bem abaixo da média europeia de 22%.

No caso italiano, uma vez que o gás cobre 40% de suas necessidades energéticas e 40% desse gás vem da Rússia, reduzir a dependência da Itália levará tempo.

Considerando essas referências, como a Europa escapará de sua ligação energética com a Rússia? O fato é que não existe solução fácil, em curto prazo sem investimento e sem novas regulamentações.

No Brasil a elevação do preço dos combustíveis, vinha correndo com os motoristas de aplicativos que alegavam prejuízo com a política tarifária do Uber, que pouco refletia o reajuste dos combustíveis.

O Uber reajustou no último dia 11, o preço das viagens em 6,5% para lidar com a alta no preço da gasolina que tem assustado motoristas da plataforma. Esse mesmo movimento foi acompanhado pelas demais plataformas como a 99 que seguem a política do Uber.

O número de motoristas dos aplicativos no Brasil vinha derretendo, e a tarifa ainda está subdimensionada, o que causou uma verdadeira debandada de motoristas.

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