“IMPRESSORAS E O FIM DO PAPEL”

Quando a internet surgiu muitos já preconizavam a queda do uso do papel nos escritórios e nas residências, e o que se viu durante os 25 anos seguidos foi o aumento do uso do papel, até que veio a pandemia, e junto com ela o aumento do tempo na tela, com as apresentações digitais, e pela primeira vez tivemos a queda na impressão de documentos, nas casas escritórios e claro nas escolas em regime híbrido.

O papel não foi substituído por algo similar, mas o hábito de comunicar e de expressar ficou nas telas, e com isso a redução do uso do papel. Muitas empresas introduziram metas para a redução de uso de documentos impressos e dessa forma diminuir a pegada ambiental deixada por empresas em todo o mundo, o que no curto prazo não representa o seu fim mas a introdução da realidade virtual, realidade projetada e finalmente o encontro no metaverso, devem reduzir significativamente o uso do papel, ao menos nas empresas. Logo isso deve modificar inclusive os livros escolares que vão incorporar QR Codes para portas do metaverso.

Segundo um levantamento da consultoria IDC Brasil, publicado recentemente pelo jornal Estadão, indica que foram impressas 2,8 trilhões de páginas no mundo em 2020, um tombo de 14% ante 2019, depois de anos de uma redução progressiva, mas lenta. Na América Latina, 55% das impressões foram feitas em escritórios, 15% em escolas e 35% em ambientes pessoais.

Claro que isso no curto prazo foi uma resultante do período de lockdown, mas tudo indica que não deve parar por ai.

Bom lembrar que o valor do papel no mercado internacional subiu, seu uso como um todo aumentou, pois a venda de produtos on line ampliou a necessidade de embalagens individuais, ou seja o consumo mudou de lugar, afetando não a indústria do papel, mas a indústria das impressoras.

Logo já sabemos que as impressoras e o papel não vão sumir, mas será algo mais nichado e menor, afetando seus fabricantes. Muitos acreditam que o caso das impressoras pode representar exatamente o que aconteceu com o vinil, será? Eu creio que é diferente, o que vamos ver são novos players no mercado de impressão 3 D, algo que aconteceu com a fotografia onde os celulares viraram máquinas fotográficas, porém as máquinas fotográficas não viraram celulares, e assim a Kodak quebrou.

Vejamos o que aconteceu com uma empresa de tecnologia que já esteve entre as 20 maiores empresas do mundo, a Xerox, que em uma década perdeu dois terços de sua receita em uma década, e nesse momento desenvolve serviços de gestão de documentos, enquanto a rival Epson aposta em soluções para indústrias, cada qual se virando como pode, mas muito longe do brilho que já tiveram outrora.

Por muitos anos o nome Xerox foi sinônimo de fotocópias, mas o negócio, que já vinha perdendo força, sofreu outro duro golpe durante a pandemia de covid-19, que fechou escritórios em todo o mundo.

Os números do mercado de impressão mostram bem essa necessidade de reinvenção: segundo a consultoria IDC Brasil, o setor de impressão teve queda de 16,6% no faturamento em 2020, ante o ano anterior, e não vai voltar para os patamares anteriores a pandemia.

Para termos uma ideia da queda de faturamento da maior empresa do mercado, em 2021 a Xerox faturou US$ 7 bilhões, um pouco menos de 1/3 do que faturou em 2012 cerca de US$ 22,4 bilhões.

Nesse momento, tal qual a IBM a Xerox caminha para se tornar uma empresa mais ligada ao software, apesar de fotocopiadoras, scanners e impressoras ainda estarem em campo, ou seja todos querem ser produtores de softwares, afinal o lucro sempre está no intangível.

A situação não é diferente para sua concorrente Epson, sua receita caiu para US$ 8,9 bilhões em 2020, ante US$ 9,6 bilhões de 2019.

A impressão 3D, oferta uma caminho curioso, afinal como o céu é o limite nas possibilidades de impressão 3D também traz um caminha de problemas regulatórios, como o que se pode ou não se pode imprimir, como é o caso da já  famosa pistola Liberator, criada inteiramente com peças de plástico impressos em 3D, projetada pela empresa Defense Distributed, cujo proprietário é Cody Wilson, auto denominado anarquista, que com seu produto deixou de orelha em pé os profissionais de segurança.

O resultado desse tipo de ação tem sido a fúria implacável dos meios policiais, afinal sabem exatamente o que representa a possibilidade de fabricação caseira de armamentos.

O Departamento de Estado dos EUA, vem fechando sites e travando as possibilidades de comercialização. Um verdadeiro labirinto judicial se apresenta, cheio de brechas, pois antes da primeira restrição, e no período de vários dias que passou do acordo com o Departamento de Estado para a restrição do juiz, as instruções e arquivos necessários para imprimir as peças já foram baixados milhares de vezes, e compartilhados em todos os tipos de páginas.

Uma arma de plástico é indetectável por detectores de metais, não tem número de série, e pode ser feita em casa por qualquer um que tenha acesso a uma impressora 3D relativamente fácil de obter. É uma arma que serve apenas para um tiro, e que, dependendo da qualidade com que foi impressa, pode ter uma certa tendência a explodir nas mãos do atirador. As propostas de alguns juízes para supostamente incluir um pedaço de metal no design com um número de série impresso nele são ridículas: obviamente, se alguém quer pegar uma arma por algo ruim, eles não vão incluir essa peça, não importa o quão obrigatório alguém lhes diga que é. Criminosos, como regra geral, não costumam cumprir as leis, por isso são criminosos.

As perguntas são óbvias: há algum ponto em proibir a distribuição de algo que já está totalmente distribuído, em vez de chamar ainda mais atenção para sua existência e disponibilidade? A tecnologia realmente criou um novo problema, ou simplesmente tornou óbvio aqueles que já existiam? Pode ou deve fazer algo sobre isso, além de aplicar as leis que já existem?

A impressão tridimensional é uma dessas tecnologias que nos permite testemunhar em tempo real um desenvolvimento de potencial e aplicações semelhantes a uma explosão.

Embora as primeiras impressoras tridimensionais datam dos anos 80, foi só por volta de 2010, quando seu uso começou a se popularizar com o desenvolvimento de modelos de maior simplicidade e menor custo, enquanto novas variações e tecnologias que aumentam sua utilidade e possibilidades surgem.

Mas veja seu uso nas escolas e universidades, na impressão de partes do corpo humano, ou na impressão de peças de representação geográfica, imagina a junção das peças de 3D visualizadas por realidade aumentada?

Nesse novo mercado de impressão 3D nenhuma gigante das impressões de papel tem participação relevante, o que só reforça que novas tecnologias são sempre um universo de oportunidades para que tem foco, resiliência, escala e apoio financeiro, pois desenvolver sempre é caro.

Se você começar a coletar aplicações atuais para impressão tridimensional, você pode encontrar-se bem à vontade com uma lista de trinta tipos de usos, desde  a fabricação de peças de aeronaves de combate com enorme economia de tempo e orçamento, até questões que vão desde próteses até selfies e estatuetas decorativas de todos os tipos (incluindo fetos,  como uma forma de “imprimir seu bebê”), modelos, ou mesmo tecidos vivos.

O acesso e a familiaridade com esses tipos de tecnologias determinarão muitas coisas no futuro, e afetarão a forma como as coisas são feitas em uma gama muito ampla de indústrias de todos os tipos, através de efeitos que vão desde a prototipagem rápida até a fabricação direta de elementos em séries curtas ou até mesmo únicas. Lembre-se: se você não vê-lo chegando, é que sua visão está falhando.

A relação dos consumidores com os fabricantes de impressora nunca foi boa, afinal, na lógica de que impressoras são apenas uma forma de vender tinta o consumidor sempre se sentiu explorado pelos fabricantes de impressora, faça as contas por mililitros e veja o preço de um litro de tinta de uma impressora.

Tudo no modelo de gráfica tem sido profundamente e repugnantemente repulsivo por décadas. O catálogo de técnicas usadas para tentar aumentar os lucros das empresas é avassalador e insondável: preços completamente longe de toda lógica que colocam o valor da tinta da impressora acima do sangue de unicórnio, máquinas em perfeitas condições que poderiam funcionar por anos que são descartadas porque é mais barato adquirir um novo do que obter cartuchos de substituição, rotinas programadas que forçam a impressora a apresentar problemas inimagináveis, o catálogo mais insano e absurdo de referências de cartuchos para aumentar o número de incompatibilidades, aplicações que residem sobre a quantidade de tinta contida nos cartuchos, cartuchos programados para imprimir apenas um certo número de páginas, rotinas que nos forçam a imprimir páginas de diagnóstico absurdas que desperdiçam tinta sem servir nada. sem dúvida, um bom número de gerentes responsáveis por esse tipo de absurdos que deveriam ter sido presos acusados de fraude.

Em que ponto decidimos como sociedade que fazia sentido dispensar o sentido mais básico da ética? Quando tomamos a decisão de não punir severamente certas atitudes e, em vez disso, seguimos para considerá-las normais? O que faz alguém que mente da maneira mais descarada e demonstrativa só receber uma repreensão ou uma multa leve, sempre abaixo dos lucros que a mentira se origina dele?

O curioso é que mesmo com todos esses problemas, recentemente a Xerox fez uma ofertar pra comprar a HP, com uma pretensa aquisição que avaliava a HP em US$35 bilhões, uma ninharia para uma empresa de tecnologia se comparada pelo valor de mercado de algumas empresas de software. A proposta vem sendo negada repetidas vezes pelo conselho de diretoras da HP, que utiliza como principal argumento o receio de que a empresa se endivide tanto para adquiri-la que não consiga investir em ativos que a mantenham competitiva. E, dessa forma, diminuindo o valor da HP.

O fato é que na nova economia quem não se atualiza fica para traz, não importa se líder ou referência, ou mesmo sinônimo de um produto ou serviço como no caso da Xerox. O preço é sempre elevado para quem não se atualiza.

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