HIDROGÊNIO VERDE, O NOVO PRÉ-SAL?

Essa é uma das questões mais levantadas ultimamente, se o movimento pelo hidrog6enio como fonte de energia pode fazer dele no caso brasileiro um novo pré-sal em termos de potencial?

Brasil quer vender hidrogênio verde como alternativa à Europa

Em recente entrevista o ministro do meio ambiente brasileiro fez menção a essa possibilidade, pois com a constatação de que faltará energia na Europa, principalmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia, faz o Brasil encontrar um filão de negócios e de sustentabilidade.

Para muitos o hidrogênio verde seria o combustível do futuro, algo que o governo brasileiro atual acredita. Estaríamos então diante de um pré-sal de energia offshore, só que de energias renováveis?

Lembro que o Brasil ainda não regularizou a sua política de produção de eólica offshore (parques eólicos no mar), o que é fundamental para que investidores possam direcionar seus recursos como já ocorre entre muitos países. Ainda que para que possamos comercializar, seja preciso ter excedente de energia renovável, e recordo que no momento há é falta.

É fato de que todas as condições estão dadas para o Brasil se destacar nessa área, e um dos principais atrativos naturais do País seriam os cerca de 10 mil quilômetros de costa.

Com a regulamentação da energia eólica, a expectativa do governo é de que 10% da produção seja consumida no País e o restante possa ser comercializado com o exterior.

Nesse momento, no tocante ao hidrogênio como possibilidade, ele já se tornou uma realidade de investimento na Europa em empresas específicas de hidrogênio estão se expandindo à medida que a febre para essa fonte alternativa de energia se consolida.

Investidores europeus de empresas de energia renovável que viram seus preços sofrerem uma correção generalizada em 2021 têm cada vez mais opções para formar seu próprio portfólio de empresas específicas de uma das fontes alternativas mais interessantes, o hidrogênio.

A febre de investimento para o hidrogênio teve que mudar para empresas com uma exposição mais ou menos relevante a esse segmento de negócios devido à escassez de empresas e abertas aos investidores menores.

Por isso a chegada da gigante industrial alemã, ThyssenKrupp é tão festejada pelas demais, pois cria uma senhora referência. É bom lembrar que há meio ano, em maio, o Credit Suisse havia avaliado esse negócio em 2,8 bilhões de euros, e a previsão para o início de janeiro é um valuation de 5 bilhões de euros.

Lembro que a British Hydrogene One Capital, que estreou há três meses e meio na Bolsa de Valores de Londres, já registra aumentos de mais de 20% neste curto período.

A Repsol apresentou em sua estratégia de hidrogênio até 2030, prevê investir nesse período cerca de 2,54 bilhões de euros, na instalação de 1,9 GW, o que representa 58% a mais do que previa em seu plano estratégico anterior.

Para atingir essa metas, a Repsol utilizará diferentes tecnologias para instalar uma capacidade de 552 megawatts (MW) em 2025 e 1,9 GW em 2030.

Entre as tecnologias que utilizará para atingir seu objetivo estão a eletrólise, produção a partir de biogás e fotoeletrocatalise.

Por outro lado, a Repsol está adaptando suas infraestruturas convencionais de produção de hidrogênio para obter hidrogênio renovável a partir do biogás, utilizando tecnologias ligadas à economia circular. Assim, produzirá hidrogênio a partir de resíduos orgânicos de diferentes fontes, como resíduos urbanos, biomassa ou subprodutos diferentes de indústrias agrícolas e pecuárias.

Além disso, a Repsol aposta na tecnologia fotoeletroidalyse há mais de uma década, cuja principal vantagem em relação às soluções atuais é que só é necessário ter água e luz solar como matérias-primas para produzir hidrogênio 100% renovável. Seu novo design permite a quebra da molécula de água em hidrogênio e oxigênio renovável em um único passo, diretamente da radiação solar e sem a necessidade de conectar os dispositivos a uma fonte de energia elétrica. Dessa forma, é possível reduzir significativamente o custo do processo não dependendo do preço da energia elétrica, aumentando sua competitividade.

Enquanto isso, no Brasil a Nissan, recentemente, renovou um convênio com o IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) ligado à USP, com a ideia de extrair do etanol o hidrogênio necessário para a célula a combustível dos seus carros.

Isso seria fantástico para o Brasil, pois a ideia do projeto é que o carro pare no posto, se abastece de etanol e dele se extrai o hidrogênio que vai alimentar a Fuel Cell que gera a energia elétrica para movimentar o carro.

Assim, o Brasil terá seu automóvel elétrico sem limite de autonomia, pois é “recarregado” pelo etanol que se encontra em qualquer posto do país.

A Nissan é a única fábrica no Brasil que desenvolve um carro elétrico movido por célula a combustível. Porém, sem os problemas de produção e armazenamento do hidrogênio, combustível usado em todos os outros automóveis que usam esta tecnologia (Fuel Cell).

Dessa maneira o Brasil se torna um país um exportador de tecnologias para carros híbridos flex, que rodam com álcool, gasolina e eletricidade.

No momento em que os carros elétricos ganham as ruas do mundo, o pioneirismo do Brasil na comercialização e produção de carros movidos a etanol ganha destaque, algo que começou nos anos 70.

Ou seja, nosso carro movido a etanol pode sim produzir hidrogênio, e se antes os carros a álcool eram questionados, com a chegada dos carros flex, em 2003, essa tecnologia ganhou autonomia, e literalmente, flexibilidade.

Nesse momento, 97,7% dos carros produzidos no Brasil podem ser abastecidos com álcool ou gasolina, puros ou misturados em qualquer proporção.

O etanol em comparação à gasolina, proporciona uma redução de 90% nas emissões dos gases causadores do efeito estufa. Em relação ao diesel S10, com baixo índice de particulados, a diminuição é de 50%.

A estratégia para convencer países que hoje criam legislações que favorecem a eletrificação dos carros também passa pelos dados de emissões de COe de poluentes, e logo é fundamental que esses conjuntos normativos incluam também os veículos movidos a etanol.

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