HIDROGÊNIO, UM NOVO PROTAGONISTA NO MERCADO DE ENERGIA?

Nesse momento, muita gente acredita que a energia de hidrogênio trará uma nova dimensão à geopolítica energética, o que deve impactar o mundo e as inúmeras tecnologias que tratam do hidrogênio e o seu crescente uso.

É obvio que a Guerra provocada pela Rússia ao invadir a Ucrânia catalisa um novo redesenhar da política energética mundial, onde o multifornecimento por um conjunto plural de fontes de energia com elemento de contingenciamento de preços e fornecimento (segurança energética) aceleram novas matizes energéticas, e esse é o caso do hidrogênio.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), a crise do gás na Europa poderia acelerar a transição para a energia limpa e a adoção do hidrogênio verde como alternativa viável ao gás e ao petróleo. Afinal a volatilidade dos preços sempre afetou o gás e o petróleo sempre serviu de estímulo para se pensar em novas alternativas, e logo uma transição para o novo sistema de energia, no qual o hidrogênio ganha mais destaque, deve trazer menos volatilidade.

O desenvolvimento do hidrogênio verde, feito a partir da água e do uso de eletricidade renovável, tornou-se uma prioridade política para muitos países que se preparam para alcançar a neutralidade das emissões até 2050.

O último relatório de Irena prevê que a geopolítica do petróleo e gás, na qual os países produtores têm o poder de decidir os preços, desaparecerá à medida que novos combustíveis como o hidrogênio predominam.

O relatório conclui que “um novo mapa geopolítico de energia” e uma nova “diplomacia do hidrogênio” surgirão, à medida que a produção aumenta em todo o mundo.

A geopolítica da energia em 2050 será menos importante do que é agora, porque reduzirá a dependência de pequenos mercados que agora são capazes de influenciar os mercados globais de energia de forma imprevisível.

O hidrogênio poderia cobrir 12% das necessidades energéticas mundiais até 2050 se as emissões globais forem drasticamente reduzidas para limitar o aquecimento a 1,5ºC.

Assim o mercado deve desenvolver-se em uma direção, mais regional do que global, observando que muitos países poderiam produzir o gás

Grandes consumidores de energia, como os EUA, a China, a UE, o Japão, a Índia e a Coreia do Sul, já incluíram hidrogênio alto em seus planos de energia.

Aproximadamente US$ 65 bilhões foram destinados à produção de hidrogênio na próxima década. Alemanha, França e Japão estão entre os principais investidores.

Embora o gás seja difícil de transportar, ele pode ser convertido em amônia para transporte de longa distância, ou transportado através de gasodutos atuais de gás natural.

Atualmente existem dois métodos de fabricação de hidrogênio: hidrogênio verde que é produzido usando eletricidade renovável, e hidrogênio azul, que é feito a partir de gás natural.

Para alcançar as metas climáticas, o hidrogênio azul deve ser combinado com a captura de carbono para limitar o impacto das emissões de dióxido de carbono e metano.

O recente aumento dos preços do gás fez com que a economia verde do hidrogênio parecesse relativamente atraente em comparação com o hidrogênio azul, cuja produção requer gás natural.

O mesmo estudo, prevê que o hidrogênio verde atingirá a paridade de preços com o hidrogênio azul em 2030 em muitos países, embora outros estudos sugiram que será em 2040. Atualmente, o preço dos eletílmos, os dispositivos usados para produzir hidrogênio verde, torna sua produção mais cara.

Evidente que essa transformação nos faz recordar o conceito do funil de Danny Hillis Danny Hillis, um cientista e inventor contemporâneo, que diz o seguinte: “Num certo momento, pode haver dezenas de milhares de pessoas pensando na possibilidade de uma certa invenção, mas menos de uma em 10 delas vão conseguir imaginar COMO aquilo poderia ser feito. Das que conseguem imaginar como fazer, só um décimo chegará a pensar nos detalhes práticos de soluções específicas. Dessas, apenas um décimo conseguirá fazer um protótipo que funcionará por tempo suficiente. E finalmente, só um dos vários milhares de pessoas que tiveram a ideia conseguirão fazê-la se tornar vencedora”. Nos estágios conceituais (mais abstratos) toda ideia tem muitos pais, mas a cada estágio o número de pais possíveis diminui. Pense em coisas que estão em intensa experimentação hoje, plataformas de ensino à distância, o carro sem motorista, energias solar e eólica, pilhas a hidrogênio.

Sendo o elemento mais abundante do universo, o hidrogênio virou a última fronteira energética para um futuro neutro em gás carbônico, e logo o crescente compromisso com o hidrogênio é uma tendência ascendente entre as grandes empresas europeias, com o propósito de alcançar uma exposição significativa a médio e longo prazo nesta área de negócios. Mas se o investidor prefere uma exposição muito maior ao hidrogênio, as possibilidades de alternativas disponíveis no mundo são reduzidas bem como também o tamanho das empresas diminui.

Com inúmeros projetos já em andamento, o Brasil tem todas as capacidades necessárias para estar na vanguarda deste desenvolvimento em larga escala: terras de qualidade abundante para a geração de recursos renováveis, uma infraestrutura elétrica altamente desenvolvida e um tecido industrial com alta especialização em energias renováveis. Para isso, é essencial superar questões pendentes como competitividade de custos e regulação.

Esse roteiro de hidrogênio renovável combina investimentos e reformas, pois precisamos desenvolver todo um marco regulatório que acompanhe os investimentos.

Se esse potencial for explorado, o Brasil tem a oportunidade de ser exportador de tecnologia nas próximas décadas, mas é preciso haver uma colaboração entre o setor público e privado para responder aos desafios que devemos empreender.

Assim como outros setores, é necessário dar confiança e estabilidade para que o desenvolvimento das renováveis seja o mais ordenado possível.

O sucesso da penetração do hidrogênio verde no Brasil dependerá diretamente da evolução da tecnologia, dos impactos econômicos e da capacidade de criar um modelo operacional sustentável e escalável, como já fizemos com o etanol.

Apesar de ser encontrado em grande quantidade, o hidrogênio na Terra só existe na combinação com outros elementos. Ele está na água e nos hidrocarbonetos, como gás, carvão e petróleo. Para consegui-lo na forma pura, é preciso separá-lo. Esse processo já é conhecido no mundo na produção do hidrogênio marrom, cinza e azul, que usam combustíveis fósseis, as cores indicam o combustível usado

Atualmente, são produzidos mais de 60 milhões de toneladas por ano do produto para refinarias, siderúrgicas e fabricantes de amônia, entre outros.

Se o hidrogênio pode ser verde, azul ou marrom qual a razão da veemente defesa da indústria petrolífera (ao menos grande parte dela) pelo hidrogênio azul?

Um recente estudo publicado na Energy Science & Engineering por dois dos importantes cientistas climáticos, Robert Howarth e Mark Jacobson, procura encerrar o mito (mais um mito que deve encerrar) do chamado “hidrogênio azul” e prova a sua verdadeira natureza, ou o que os mais radicais chamam de “mais uma mentira da indústria petrolífera”.

Durante anos, a indústria vem alimentando a mentira de sua suposta sustentabilidade na produção de hidrogênio como subproduto para obter com ele bilhões em subsídios, o que nos faz lembrar q quantidade de besteiras que a indústria do cigarro publicou por um tempo, com estudos assinados por profissionais inescrupulosos, mais preocupados com a sua conta bancária do que com a saúde de bilhões de fumantes, ativos ou passivos.

Logo o hidrogênio produzido do etanol ganha destaque e preferência dentro de uma economia sustentável.

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