Go Grocery da Amazon é o futuro dos Supermercados?

O varejo vive se reinventando, e procurando explorar novos nichos, mas algo não muda, a conveniência e o bom preço preponderam em todas as alternativas. Em fevereiro a Amazon abriu em Seatle seu Amazon Go Grocery, a expansão do conceito o que representa o segundo estágio do seu conceito de minimercado, aberto no ano anterior, com o aprofundamento das tecnologias que serviam para a mercearia que agora virou supermercado em uma área bem maior.

Nesse segundo passo, evidencia-se o desenvolvimento e a maturidade da sua tecnologia onde você entre e sai sem nenhuma intervenção de colaboradores da loja, ainda que eles estejam lá para esclarecer ou reabastecer, e tudo com preços menores por ter custos menores. Mas além de ser condicionada por essas reduções de custos ou pela eliminação de empregos, o que a Amazon claramente visa é oferecer ao cliente uma experiência de usuário otimizada e muito mais simples, que só pode ser levantada quando você aproveita o novo ambiente tecnológico.

É claro que todo movimento que implique no uso de um número menor de colaboradores tem e terá sempre a oposição dos sindicatos. A UFCW (Sindicato Internacional da Alimentação e Comércio) que já havia criticado a empresa por representar um perigo contra milhões de empregos de qualidade, ameaçou transformar o assunto em um dos principais temas da campanha eleitoral de novembro de 2020, porém, o mesmo sindicato evita falar que a Amazon é a empresa que mais criou empregos nos Estados Unidos nos últimos tempos, mais de meio milhão segundo estimativas, além disso tende a pagar seus funcionários, mesmo nos níveis mais baixos de qualificação, significativamente acima da média salarial paga pela indústria.

O que se deve também discutir é se estamos diante de uma tecnologia que não se destina apenas a eliminar empregos, mas colocar os humanos onde eles realmente agregam valor, não realizando trabalhos mecânicos sem sentido.

Existe um discurso que transita entre a solidariedade e a hipocrisia, sobre a manutenção das pessoas em empregos onde elas podem ser substituídas pelo auto atendimento, ou pela digitalização. Ao invés de enfrentarmos o desafio de qualificarmos essa mão de obra e realocarmos elas para trabalhos que remunerem melhor, fazemos a defesa de empregos que só aumentam o fosso social.

O que a Amazon fez foi escalar de pequenas lojas para grandes supermercados, e isso é apenas mais um passo em algo que alguns gostam ou não chamados de progresso. O desafio é saber como a economia mundial vai acomodar o desaparecimento de mais e mais empregos, agora intensificada pela pandemia.

Nessa corrida por automação eficiente que representa redução de custos, caixas de supermercado, motoristas de veículos, corretores de ações, trabalhadores da cadeia de montagem e uma gama crescente de empregos a medida que a sociedade atravessa, com o paradoxo da riqueza graças ao trabalho das máquinas, pode isto de alguma forma resultar em um empobrecimento geral? O que a sociedade vai ofertar neste novo cenário?

Nos EUA, ou na China, onde o pagamento digital com uso de aplicativos se tornou muito comum, a automatização do varejo é a regra, pois em São Paulo, a Zaitt e seus minimercados automatizados também já chegou.

O varejo se transforma velozmente com modelos que vão do “atacarejo”, a “lojas express”, pequenos nichos de supermercados gourmets a lojas automatizadas. Todos concorrendo pelo mesmo dinheiro que vai agora, por conta da pandemia, dar uma nova oportunidade para as lojas de bairro, que com o home office devem ter muitos consumidores de volta, desde que estejam repaginados é claro.

Estamos diante de um desafio social, e que exige velocidade do Direito para acompanhar essas novas relações jurídicas, sob pena de ser atropelado pela economia que não espera.

Liberdade econômica, livre iniciativa, proteção concorrencial e defesa de empregos, tudo junto e misturado nesse caldo disruptivo.

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