FINTECHS RENOVAM OS BANCOS QUE QUEREM PERMANECER OS MESMOS

Durante a pandemia, a fortuna dos dez maiores bilionários dobrou, enquanto 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza, e tudo isso enquanto milhões de brasileiros abriram suas contas digitais, o que uma fintech pode fazer pra renovar o sistema financeiro?

Fale com o seu barbeiro, ou com o rapaz do taxi e pergunte pra ele que recebe pagamento em cartão de crédito quanto custa pra ele lhe ofertar a comodidade de receber o seu pagamento em cartão de crédito?

Na média, as administradoras de cartão estão cobrando de 5% a 7% caso ele queira adiantar seus recebíveis do cartão de crédito, logo pense o que a digitalização dos meios de pagamento desses profissionais fez por eles?

Esse é o melhor exemplo de que a transformação digital sem a intervenção estatal pode fazer, explorar ainda mais os menos favorecidos, ampliando com isso o que já é injusto, a concentração de renda.

Enquanto os bancos aceleram seus esforços na simplificação de “processos de negócios por meio de automação inteligente para uma experiência superior do usuário”, o usuário vê o custo do dinheiro subir empurrado pela “generosa taxa de jurus público da Selic” que só aumenta o custo do dinheiro para todos os brasileiros, e logo amplia o circulo vicioso, em que juros elevados ampliam a inadimplência que por sua vez amplia ainda mais o custo do dinheiro.

Nesse no mundo, mais de 60% dos bancos comerciais optem por colaborações com fintechs e aumento do investimento interno em novas tecnologias. Essa transformação permitirá que os bancos comerciais mudem “de uma única abordagem para um processo colaborativo que atrai clientes existentes e, por sua vez, aumenta o engajamento“. Além disso, esse modelo permitirá expandir a base de clientes a um custo menor para esses bancos, em outras palavras uma transformação digital que melhora ainda mais o resultado desses bancos.

As fintechs estão criando ecossistemas bancários comerciais e construindo grandes aplicações B2B que estão modificando as instituições financeiras corporativas.

Um dos segmentos em que o impacto é maior é o de empréstimos para pequenas e médias empresas. Com novos credores alternativos, já regulados, os empréstimos, poderiam ser ampliados, mas isso não é o que estamos assistindo, muito pelo contrário, boas alternativas de crédito com o emprego de plataformas digitais na intermediação surfam na onda dos juros elevados.

Em relação à tomada de decisão sobre empréstimos, com acesso total às novas tecnologias, os bancos comerciais estão incorporando análises e dados complementares em seu conjunto de serviços de empréstimos, o que não se traduziu na redução de taxas, apenas na melhoria do resultado desses bancos, que batem recordes enquanto a renda do brasileiro derrete.

Quanto representaria levar crédito aos menos favorecidos? Ou vamos achar que colocar uma máquina de cartão de crédito na mão do pipoqueiro para ele receber seus pagamentos por meio de cartões de crédito e permitir que os bancos cobrem dele taxas de 6% ao mês pode fazer melhorar alguma coisa? Nada só amplia o custo Brasil e dificulta a vida desse pequeno empreendedor.
O dinheiro nas mão do intermediados que ganha a cada dia mais trava o desenvolvimento, e o desafio está em colocar o dedo nessa feria, bem protegida por lobbies seculares.

Do que adianta fazer evoluir a “consciência sobre a importância da gestão financeira” em nossos jovens empreendedores quando os números do crédito no Brasil tornam ele proibitivo?
Por outro lado, é preciso também que as pessoas façam parte e se apropriem disso, façam seus investimentos, poupem, invistam e façam esse dinheiro para si próprios e para a sociedade brasileira, com um custo menor.

Tecnologia que não represente melhoria para todos de nada adianta, pois só representa a apropriação das oportunidades, pelos mesmos de sempre.

Tem uma desigualdade que cada vez se amplia mais e tem o debate público de que essas pessoas que se tornam milionárias, bilionárias, tenham de assumir uma responsabilidade maior no planeta, e não apenas extrair valor, mas criar valor, não apenas consumir, mas também construir. O crédito precisa ter o setor produtivo como foco, mas principalmente o que gera mais empregos, aquele que retira as pessoas da informalidade, e a tecnologia precisa ser aliada dessa transformação.

Distribuir contas digitais com custo do crédito ainda mais elevado de nada adianta, pois é um engodo não cobrar mensalidades e incluir esse valor na captação do crédito por esses correntistas.

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