ELON MUSK, STARTUPS, E NANO SATÉLITES NO BRASIL

Desde do o dia 28 de janeiro, a Starlink, empresa que é uma subdivisão da SpaceX, do bilionário Elon Musk, já possui autorização da Anatel, para vender o seu serviço, que deve começar ainda no primeiro semestre desse ano.

A Starlink fornece internet a partir de um sistema de satélites de baixa órbita, uma “constelação” com 4 mil satélites localizados a cerca de 550 quilômetros da Terra.

Seu serviço funciona enviando informações através do vácuo do espaço, onde se desloca mais rapidamente do que em cabos de fibra óptica, o que a torna mais acessível a mais pessoas e locais.

Como eles estão em baixa órbita, o tempo de envio e recepção de dados entre o usuário e o satélite, a latência, é menor do que com satélites em órbita geoestacionária.

Ainda segundo a empresa, “a Starlink é idealmente adequada para áreas onde a conectividade não tenha confiabilidade ou que seja completamente indisponível”, como áreas rurais.

Por enquanto, já é possível reservar o equipamento para entrega. O atendimento dos pedidos é por ordem de chegada.

Lembro que no início de 2021, o nano satélite brasileiro NanoSatC-Br2 foi lançado, e junto com ele voou as esperanças de inúmeras startups, e de uma indústria aeronáutica que ao longo de 40 anos já mais do que comprovou sua capacidade.

Partindo do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, a desacoplagem do foguete Soyuz-2.1ª, que levou um total 38 satélites, entre eles o brasileiro, dá uma demonstração do potencial desse mercado de nano satélites.

Completamos já, 60 anos do primeiro grande passo da Corrida Espacial, protagonizada na época por Estados Unidos e União Soviética, que viviam em plena Guerra Fria. Um feito que durou apenas 108 minutos de duração, a uma altura de 315 km a partir da superfície, em uma velocidade de 28 mil km/h, o primeiro voo tripulado entrou para história.

Com avanços tecnológicos bem mais simples, o cosmonauta se manteve em contato com a Terra usando diferentes canais via telefone e telégrafo. A nave Vostok 1, media apenas 4,4 metros de comprimento por 2,4 m de diâmetro e pesava 4.725 quilos, ali haviam dois módulos, sendo um para acomodar os equipamentos e tanque de combustível, enquanto o outro era a cápsula onde o cosmonauta registrava a experiência.

Nano satélites devem revolucionar muitos negócios, e para melhor entender vamos aos conceitos dados pelo INPE: Um satélite é qualquer objeto que orbita ao redor de outro, que se denomina principal. Depois de sua vida útil, os satélites podem ficar orbitando como lixo espacial, até que reentrem na atmosfera terrestre, ou podem ser direcionados, através do uso de propulsores, ao espaço profundo.

Os satélites artificiais podem ser catalogados ou agrupados segundo sua massa, como mostrado abaixo:

Grandes satélites: cujo peso seja maior a 1000 kg;

Satélites médios: cujo peso seja entre 500 e 1000 kg;

Mini satélites: cujo peso seja entre 100 e 500 kg;

Micro satélites: cujo peso seja entre 10 e 100 kg;

Nano satélites: cujo peso seja entre 1 e 10 kg;

Pico satélite: cujo peso seja entre 0,1 e 1 kg;

Femto satélite: cujo peso seja menor a 100 g.

São com esses objetos que pesam de 1 a 10kg, que Elon Musk, que já revolucionou a indústria automobilística, com a Tesla e a aeroespacial, com a SpaceX, e que também deseja mudar às telecomunicações com o projeto Starlink, visando oferecer acesso rápido à internet em qualquer lugar do planeta.

Para se ter ideia da ambição, esse projeto exige a produção, lançamento e operação de satélites em uma escala nunca tentada e em um curto tempo. A desmedida ambição já está ficando de pé, pois cerca de 1/3 do total projetado já está no espaço, e é claro não lhe faltam clientes e usos para essa rede.

Ao contrário dos serviços atuais de Internet via satélite, que cobrem em regiões específicas, o objetivo da Starlink é oferecer cobertura global, saturando uma órbita baixa com satélites suficientes para servir a cada canto do planeta.

Atualmente a Starlink já tem 482 satélites em operação a uma altitude de 550 km, mais elevados do que o primeiro voo tripulado.

Para melhor entender, após completar a primeira camada a SpaceX planeja outras, a 384 km e 1.200 km de altitude. A SpaceX já demonstrou que não pretende se contentar com “apenas” 12 mil satélites, e já pediu autorização para lançar mais 30 mil, num total de 42 mil satélites em órbita.

Para você ter uma ideia da escala, já descontando os 482 satélites da Starlink, atualmente há outros 2.274 em órbita, ou seja, a empresa espera operar vinte vezes mais satélites do que o total que existe atualmente ao redor de nosso planeta, isso pode lhe dar a dimensão da ambição e do mercado.

Uma curiosidade, é que é possível ver esses satélites a olho nu, em particular nos dias logo após o lançamento, quando eles ainda estão em uma órbita mais baixa e seus painéis refletem mais a luz do sol. Eles aparecem no céu como um cordão de estrelas se movendo rapidamente, geralmente por volta do pôr do sol ou ao amanhecer. Eles acabam se parecendo com pontos se movendo rapidamente pelo céu, e muitas vezes são confundidos com OVNIs pelos sempre mais criativos, por causa isso  os astrônomos protestaram contra o projeto, alegando que ele poderia impedir observações astronômicas em solo. Em resposta, Musk afirmou que futuros satélites teriam uma espécie de “quebra-sol” para reduzir sua luminosidade.

A rede Starlink foi projetada para oferecer velocidades de download de até 1 gigabit por segundo. Obviamente a velocidade, na prática, vai depender de fatores como a quantidade de satélites em órbita, do número de clientes conectados à rede entre outros elementos.

Porém, é bom lembrar que mais importante do que a velocidade de acesso é a latência, ou tempo que os dados demoram para viajar do satélite até você. Em uma conexão tradicional via satélite, ela pode chegar a 500 ou 600 milissegundos, o que pode inviabilizar usos como videoconferência ou jogos online, isso porque os satélites ficam em órbita geoestacionária, a 35 mil km da superfície do planeta. O objetivo é ter uma latência de menos de 20 milissegundos, não muito diferente de uma conexão de banda larga doméstica atual.

Um mercado gigante, que pode servir para muitas as possibilidade, de segurança ao trânsito, do agronegócio ao monitoramento, poderão ser instalados em qualquer local, desde que tenham visibilidade do céu.
Uma revolução nas telecomunicações, feita por quem já revolucionou o mercada de automóveis.

No caso brasileiro, de dimensões modestas, o NanoSatC-Br2 pesa apenas 1,72 quilograma. Com 22 centímetros (cm) de comprimento, 10 cm de largura e 10 cm de profundidade, o satélite é menor que uma caixa de sapato. A principal missão do equipamento é monitorar a anomalia magnética do Atlântico Sul, um fenômeno natural causado pelo desalinhamento do centro magnético da Terra em relação ao centro geográfico, característica que atrapalha a captação de imagens e transmissão de sinais eletromagnéticos numa determinada faixa do céu, mas ele também servirá de ferramenta de pesquisa para estudantes de diversos campos: engenharia, aeronomia, geofísica e áreas afins.

Conforme matéria da Agência Espacial brasileira, o projeto foi um esforço conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul e da Agência Espacial Brasileira (AEB). O NanoSatC-Br2 ficará situado a cerca de 500 quilômetros de altitude, na camada da atmosfera chamada Ionosfera, e fará uma órbita polar heliossíncrona, ou seja, o NanoSatC-Br2 cruzará a circunferência entre Polo Norte e Polo Sul, mas sempre no mesmo ponto em relação ao Sol, em ciclos constantes.

O lançamento do NanoSatC-Br2 é resultado da parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, a AEB e a Roscosmos – a agência espacial russa. A missão envolveu Brasil, Rússia e outros 16 países, a maior parceria aeroespacial internacional para lançamentos de satélite registrada até hoje.

O Brasil já possui um polo industrial altamente desenvolvido, mas nessa área as parcerias são fundamentais, o que aumenta a responsabilidade do nosso ministério das relações exteriores, e da Ciência e Tecnologia. Essa indústria precisa sim de incentivos na verticalização da sua cadeia, que vai dos bancos universitários a plataforma de lançamento. Uma oportunidade regulatória e negocial.

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