CRIPTOS DERRETEM JUNTO COM A CREDIBILIDADE DAS PLATAFORMAS

Entre as Fintechs de maior valor estão as dedicadas a aquisição de criptoativos, e são justamente elas que sofrem nesse momento a maior queda em meio ao derretimento desses ativos.

Essa elevada desaceleração no setor afeta grandes plataformas como Coinbase e Gemini, e faz acender o sinal de alerta, pois as principais plataformas de ativos digitais estão demitindo centenas de trabalhadores após a agitação radical do setor. Após dois anos de atividade frenética, o setor de criptomoedas agora sofre de uma forte desaceleração.

Ao mesmo tempo, acompanhando o movimento de muitos unicórnios essas plataformas também começam a demitir, a Coinbase, que está listada na bolsa de valores dos EUA, anunciou na terça-feira seus planos de demitir quase 20% de sua força de trabalho, o que equivale a mais de 1.000 pessoas. A plataforma segue, assim, o exemplo de seus rivais, como Gemini, Crypto.com e BlockFi, que já fizeram demissões, já que a queda nos preços das criptomoedas este ano causou uma perda de atividade.

Até o início desse semana, o valor de mercado das 500 principais criptomoedas do mundo já havia caído de US $ 3,2 trilhões em novembro para menos de US $ 1 trilhão esta semana, anulando os ganhos acumulados ao longo de anos de moedas principais, como bitcoin e éter, valendo portanto menos de 1/3 do que já valeu.

Embora o recuo reflita um declínio generalizado nos mercados financeiros globais, tem sido mais grave no caso de ativos mais especulativos em um momento em que os bancos centrais estão retirando o estímulo que introduziram na pandemia, além é claro de um movimento mais do que claro dos bancos que no último ano inflaram o valor desses ativos comprando e estruturando fundos e que realizaram os ganhos vendendo suas posições.

Os investidores de criptomoedas tendem a negociar com muito mais frequência durante os estouros da boiada. Agora, a perda de atividade causou uma queda nas comissões suculentas que as bolsas ganham para facilitar as operações.

Os volumes de negociação spot nas principais plataformas de criptomoedas registraram, em média, US$ 800 bilhões por mês de março a maio, menos da metade do nível do mesmo período em 2021, de acordo com cálculos do Financial Times com base em dados do CryptoCompare.

O Mercado Bitcoin do Brasil demitiu recentemente 90 pessoas, cerca de 12% da força de trabalho. A Coinbase expandiu sua força de trabalho para cerca de 6.000 funcionários de 3.730 no final do ano passado, aproveitando a exuberância dos mercados de criptomoedas.

Ao mesmo tempo, o aumento da regulação das criptomoedas também adicionou custos aos comerciantes. Mas as consequências para as plataformas dependerão em grande parte de seu modelo de negócio.

A queda que os preços das criptomoedas estão experimentando nas últimas semanas coloca em risco a estabilidade das plataformas de compra e venda desses ativos, uma vez que o rendimento de alguns depende dessa flutuação, o que fica evidente de forma exemplificativa na queda dura que a ‘exchange’ Coinbase está experimentando na Bolsa de Valores. Atualmente, os títulos são trocados a um preço de cerca de 70 dólares, em comparação com os 368 dólares que atingiu em novembro, coincidindo com as altas do bitcoin e do ethereum.

Em documento enviado à SEC, a Coinbase enfatiza a dependência do preço das criptomoedas em seus resultados operacionais, que podem oscilar de trimestre a trimestre dada a volatilidade desse tipo de ativo, o que é natural.

Especificamente, a plataforma acrescenta nesse relatório que uma parte “significativa” de sua renda deriva da demanda pelas duas criptomoedas mais importantes, bitcoin e ethereum. “Se a demanda por esses ativos cair e não for substituída por novas criptomoedas, nossos negócios, resultados operacionais e condições financeiras poderão ser afetados”, observa.

No final de março, a empresa tinha US$ 256 bilhões sob custódia tanto em moeda fiduciária quanto em criptomoedas. Eles também garantiram que uma queda de 10% nos preços não teria um impacto material em suas taxas de inadimplência.

O “inverno cripto” não está afetando apenas a Coinbase. Esta semana sabe-se que a plataforma Gemini, fundada pelos irmãos Winklevoss, vai demitir 10% de sua força de trabalho.

O desaparecimento das plataformas de criptomoedas não precisa ser “tão drástico”, ou seja, eles podem cessar suas operações sem ter que acabar com a poupança de seus clientes.

Nesse sentido, consideram que qualquer instituição financeira, Estado ou empresa tem seus riscos, e que, sem dúvida, novos atores aparecerão e outros desaparecerão, o que só aumenta o papel da educação como primeiro passo no compliance no mercado de capitais.

Essas quedas são a norma entre esses ativos, com perdas de 59,5% no caso do cardano ou 78,5% no caso da solana, enquanto a queda da polkadot é de 67,26%.

O sentimento do mercado de criptomoedas vem atingindo mínimas de todos os tempos ultimamente, com um medo que tem persistido nesta semana diante dos preços das criptomoedas em posições sobre vendidas e deprimidas, em geral.

Outras fintechs não-criptomoedas também estão lutando. A fintech Klarna, especializada em pagamentos parcelados (BNPL), anunciou recentemente a demissão de 700 trabalhadores.

Coinbase e Robinhood, corretoras alternativas que permitem a negociação de criptomoedas, estão negociando em mínimas históricas devido ao medo de enfrentar uma compensação milionária se os processos contra eles triunfarem.

Investidores vem sofrendo prejuízos milionários, como UKenneth Donovan, 27, que perdeu todas as suas economias no ano passado apostando em uma stablecoin (criptomoeda apoiada por uma proposta legal). Em poucas horas, os quase 335.000 dólares que ele havia investido comprando gyens (nome do ativo) desapareceram em questão de horas. O gyen despencou e sua carteira mal valia US$ 3.000.

Nesse momento, Donovan vive com o que consegue entrar como entregador de aplicativos como Uber e seu sobrenome dá nome a uma ação coletiva nos EUA. O resultado do caso “Donovan v. Coinbase” poderia redefinir como as criptomoedas funcionam fora dos reguladores. E embora tenhamos que esperar que o Tribunal da Califórnia decida, o efeito no mercado de ações do processo já foi notado, dado o medo de que mais afetados se juntem à causa e acabem assumindo perdas milionárias para plataformas de câmbio de criptomoedas.

Na verdade, a Coinbase, que está listada como ré, está negociando em mínimas históricas desde que estreou no mercado de ações há pouco mais de um ano. Em novembro de 2021, atingiu seu pico, tocando US$ 343 por ação. Desde então, perdeu cerca de 80% de seu valor na bolsa de valores, para ficar em torno de 70 dólares. Sua capitalização passou de cerca de 80.000 milhões de dólares para 15.300 milhões de dólares.

Mas por que Donovan reivindica a plataforma de troca se é apenas um intermediário? Na realidade, a ação judicial é direcionada tanto contra o emissor quanto contra o comerciante.

De acordo com o processo, a publicidade implicava que Gmoz.com tinha a aprovação do Departamento de Serviços Financeiros de Nova York para emitir uma stablecoin que, além disso, era apoiada pelo iene. No entanto, os tokens valiam sete vezes mais do que a moeda japonesa, então o valor acabou caindo para paridade com o iene.

A Coinbase então congelou a negociação da criptomoeda, o que “agravou o dano restringindo a capacidade de muitos clientes de vender o ativo”, tendo que assumir perdas milionárias completamente, de acordo com os investidores afetados no relatório. Precisamente, as stablecoins, sendo apoiadas por uma moeda centralizada de oferta legal, são consideradas muito mais estáveis do que, por exemplo, o bitcoin, sujeito a maior volatilidade.

Fazendo a ponte entre as lacunas, o caso tem semelhanças com a decisão tomada no início do ano passado pela corretora alternativa americana Robinhood de suspender os títulos da Gamestop de sua plataforma, após a ação coordenada através das redes sociais de milhares de pequenos investidores para manipular um valor de mercado de ações, um movimento conhecido em inglês como a revolução das ações de memes.

A empresa tem várias frentes jurídicas abertas acusadas de “manipular o livre mercado”. Enquanto alguns investidores culpam a empresa por roubar sua chance de ganhar milhões de dólares apostando na Gamestop, outros reclamaram de ficar presos vendo seu investimento desaparecer no mercado de ações. No final de 2021, Robinhood obteve uma importante vitória na Corte de Miami, considerando que não havia provas suficientes para provar uma “conspiração” por parte da plataforma para influenciar a Bolsa de Valores.

A ação judicial agora movida contra a Coinbase despertou o medo dos investidores dos riscos enfrentados por essas plataformas de negociação alternativas, tanto pelo tipo de ativos que disponibilizam a pequenos investidores sem treinamento, quanto por sua responsabilidade quando o valor de uma criptomoeda ou uma ação de meme desaparece da noite para o dia.

Como a Coinbase, o preço de Robinhood está em um nível baixo de todos os tempos. Seus títulos não chegam a dez dólares, em comparação com os quase sessenta dólares que valiam em agosto de 2021. Desde então, perdeu mais de 80% de sua capitalização, para pouco mais de US$8 bi.

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