Coworkings e o valor do intangível depois da pandemia

Quem quer compartilhar um espaço em tempos de pandemia? Esse certamente é o maior desafio para o compartilhamento de carros, bikes, patinetes, hotéis, aviões e principalmente para coworkings, onde a circulação de pessoas desconhecidas ocupando um mesmo espaço segue a lógica do negócio.

Com tantas variantes de funcionamento, como horários que mudam de cidade para cidade, a reabertura dos espaços compartilhados de trabalho vive o seu maior desafio após a sua explosão nos últimos anos. Uma recente matéria da jornalista Letícia Ginak, do Estadão, dá o tom do que vem acontecendo no setor, onde “a pandemia do novo coronavírus atribuiu ao verbo compartilhar o substantivo ansiedade. Se dividir o mesmo espaço com familiares e amigos é algo que causa temor, imagine com desconhecidos? É com esse medo que o setor de coworkings precisa lidar em sua retomada. Outro desafio é a era do home office. O trabalho remoto passou a ser compulsório e agora se tornou o modelo ideal para muitos”.

As medidas de sanitização dos espaços compartilhados são o requisito deste novo tempo e isso vale para o coworking, para os ônibus, quartos de hotel e mesas de restaurante, onde o rigor da higiene e o espaçamento entre as pessoas passou a ser o requisito da relação.

Logo, hotéis, restaurantes e coworkings, vão precisar viver com taxas de ocupação menores, o que implica na redução de seu custo fixo, o que não é uma tarefa das mais fáceis, pois vai representar aumento do preço dos seus serviços, visto que a redução não é uma pura e simples regra de três para todos.

O maior dos desafios para esses espaços compartilhados estará em provar o seu valor intangível, onde o networking físico tem seu peso e para isso basta o fato do ser humano ser biopsicossocial, uma característica que se sobressai em todo período de afrouxamento das medidas de isolamento. Observe que basta liberar bares e praias para começar a aglomeração e por consequência, novas ondas de contaminação voltam.

Não é fácil, pois temos de um lado hábitos culturais e do outro o medo da contaminação, é da mistura desse caldo catalisada por pela demora de uma vacina que teremos o novo normal.

Por isso os negócios serão reinventados com a força de ativos intangíveis disponíveis para os seus usuários, no equilíbrio dessa equação que tem as medidas de rigor sanitário como requisito, estarão os novos serviços ofertados pelos coworkings na interrelação dos seus clientes. Quantos serviços digitais o seu coworking ofereceu pra você? Contabilidade, Consultoria jurídica, estruturação de negócio, consultoria de marketing, planos de saúde coletivos para seus usuários, etc.

O home office pode ser uma nova referência para migração de coworkings para os bairros com pontos de relação próximo das casas? Logo vão sobreviver os que tiverem vocação para compreensão de que na nova economia os ativos intangíveis são os mais valiosos. Tempo, network, segurança, treinamento, serviços remotos, todos são requisitos do valor que se vai agregar aos espaços compartilhados.

Por um bom tempo, todo e qualquer deslocamento será questionado se realmente é necessário, pois as pessoas durantes os meses de quarentena adquiriram novos hábitos e são os números e resultados que estarão sendo colocados à prova num mundo que jamais voltará à ser exatamente como era antes.

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