COINBASE, CRIPTOATIVOS VIERAM PRA FICAR.

Um dos marcos das criptomoedas foi a abertura de capital (IPO) da Coinbase, no último mês, representando uma virada na percepção que os mercados têm de criptomoedas e todo seu ambiente.

A empresa fechou após o seu primeiro dia de negociação com uma avaliação de quase 65 bi de dólares, depois de ter começado com os US$ 250 alocados pela NASDAQ em sua  listagem direta, tendo atingido US $ 429.

Com a sua abertura, a Coinbase se torna uma prova da “oficialização” do fenômeno das criptomoedas: quando você vê uma empresa completamente virtual, sem sede física de qualquer tipo e dedicada exclusivamente à operação e custódia das criptomoedas ir para o mercado e alcançar uma valorização como essa, é a prova definitiva de que não estamos falando de nada etéreo, de fantasias ou como alguns gostam de chamar anarco-capitalismo, mas sim uma economia real, e, sem dúvida, sobre o futuro dessa economia.

Lentamente, os medos e temores vão se dissipando, bem como a visão de que são “produtos perigosos, coisas criminosas ou algo que o governo pode proibir amanhã” vai ficando para trás.

Mas afinal o que é a Coinbase? Simplesmente, a maior plataforma de troca e custódia de criptoativos. Fundada há oito anos, em junho de 2012 por Brian Armstrong e Fred Ehrsam.

A Coinbase tem sido capaz de permanecer uma garantia sólida em um ambiente sujeito a enormes mudanças e choques, e consolidar-se em uma empresa totalmente distribuída, sem sede física, com 1.250 trabalhadores, um volume de negócios de 14 bilhões de dólares em 2020, com 43 milhões de usuários verificados e 7.000 instituições, que opera em cerca de cem países e tem mais de um bilhão de dólares em dinheiro.

Em muitos aspectos, a Coinbase tem sido capaz de tirar proveito de um mercado cheio de complicações,  que testemunhou em várias ocasiões acidentes e roubos de vários tipos que geraram grandes doses de insegurança, e em muitos aspectos, tornou-se um fenômeno que fez o mercado de criptomoedas crescer e florescer em um momento em que poucos apostavam neles. Agora, terá que se consolidar em uma nova fase, na qual alguns bancos de investimento já os oferecem aos seus clientes e quando eles começam a considerar uma opção melhor do que  alguns metais preciosos.

É claro, que a economia baseada em criptomoedas está apenas começando, e se percebe, que o seu processo de preços ainda não está completo.

Outros movimentos, vem retirando esse ar de extravagância das criptomoedas, como na aprovação do Congresso de El Salvador, que por 62 votos a 22 em votação, adotou o bitcoin como moeda nacional.

Notadamente o objetivo declarado foi incentivar os investimentos no país, ainda que não esteja claro como isso vais se dar, mas o passo tem um simbolismo necessário para fazer desse feito um marco nas finanças mundiais.

A moeda vigente em El Salvador é o dólar dos Estados Unidos, que substituiu o colón em 2001. Agora não se trata da adoção de um regime de currency board, como o que teve a Argentina, de 1991 a 2002 (lei de convertibilidade), porque não há moeda de emissão nacional em paridade de um por um com o dólar. Tanto o dólar como o bitcoin são emitidos fora de El Salvador.

Sendo assim o bitcoin será aceito tanto como meio de troca (pagamento por bens e serviços e de impostos) como reserva de valor. Os preços entre as duas moedas vigentes (o dólar e o bitcoin) serão determinados pelo mercado livre de câmbio.

Até a aprovação da lei, a circulação de moeda no mercado salvadorenho dependia da entrada de moeda estrangeira, obtida por exportações (café, açúcar, tabaco, etc.) por remessas às famílias dos cerca de 2 milhões de salvadorenhos que trabalham fora do país (20% do PIB) e pelos investimentos estrangeiros, por isso que um dos argumentos usados pelo governo salvadorenho para a aceitação da criptomoeda foi o de reduzir o custo das remessas do exterior, um argumento até certo ponto falacioso, pois para isso bastava reduzir a tributação incidente sobre essas operações.

Como bem destacado, no artigo de Celso Ming, “o uso do bitcoin como moeda oficial traz pelo menos três dificuldades técnicas. A primeira é a limitação da oferta. Circulam no mundo algo como 18,7 milhões de bitcoins e seu total não poderá superar os 21 milhões. Outras criptomoedas poderão ser adotadas, mas aí será preciso saber quantas poderão circular como moedas oficiais.

Outra limitação é a alta volatilidade do bitcoin. Valia US$ 9,10 há três anos, chegou ao máximo de US$ 64,8 mil em 14 de abril e agora está sendo cambiado por US$ 36,5 mil. É complicado usar moeda tão instável tanto como meio de pagamento corrente quanto como reserva de valor. E será preciso ver como uma população pobre, de 6,4 milhões de habitantes, com uma renda per capita de pouco mais de US$ 500 por mês, poderá usar o bitcoin como moeda corrente. A maioria não dispõe de computadores nem de acesso à internet.”

Não tenhamos duvida de que a tecnologia blockchain que lastreia os criptoativos veio para ficar, e sua importância pode ser maior ainda para pequenas e médias empresas que podem aproveitar essa oportunidade.

A tecnologia blockchain será fundamental no mercado, e por certo no futuro veremos moedas digitais do euro, dólar e franco, pois a tecnologia blockchain tornará os mercados mais eficientes e permitirá que mais pessoas sejam alcançadas.

Em breve ações poderão serem compradas com bitcoin, e juros poderão se tornar mais atraentes ao se optar por outras formas de financiamento, mas temos que olhar para o longo prazo.

Nesse momento o Banco Central brasileiro já estuda a criação de uma moeda digital brasileira para baratear as transações, porém ao contrário das criptomoedas, o meio de pagamento terá um lastro, ao menos essa é a visão do BC para o “real digital”.

Se você acha que isso pode demorar, ledo engano, a previsão é par cerca de dois anos, com a abertura de um sandbox regulatório.

O Banco Central já divulgou as diretrizes gerais para o lançamento nos próximos anos do “real digital”, uma moeda virtual que promete baratear operações de pagamento e ampliar as possibilidades de transações, inclusive no varejo.

Além do lastro, outra diferença é que o “real digital” estará sempre dentro de um banco e as transações financeiras ocorrerão por intermédio do sistema bancário. Não será possível fazer transferências e pagamentos diretamente entre duas pessoas, sem passar pelo sistema bancário, como ocorre hoje com criptomoedas.

Dessa forma o BC busca reduzir as chances de o “real digital” ser utilizado em atividades criminosas, como lavagem de dinheiro e remessas ilegais.

O “real digital” será emitido pelo próprio BC, sendo que a custódia da moeda digital ficaria com os agentes do sistema financeiro, mas essa moeda seria garantida pelo BC. Assim a dinâmica de custódia marca ainda uma diferença d criptomoeda brasileira em comparação ao real convencional que, hoje, está depositado numa conta corrente, por exemplo. Hoje, um banco pode utilizar parte dos recursos de uma conta corrente para realizar outras operações, como fornecer crédito para outra pessoa ou empresa. Por isso, o risco do real convencional depositado na conta de um cliente está também ligado à possibilidade de quebra do banco. No caso do “real digital”, o risco será apenas o soberano quando o país quebra.

O Brasil não é o único país que está estudando o lançamento de uma moeda digital com lastro em sua divisa oficial. Além dele, Bahamas, China, EUA, Coreia do Sul e Suécia possuem projetos em andamento. As Bahamas foram o primeiro país a lançar uma moeda digital, o sand dollar, em outubro do ano passado.

Por trás dessa corrida está a visão de que o sistema financeiro do futuro será mais digital e menos físico, o que trará impactos para as atividades econômicas.

É embrionário sim, mas considere a velocidade da expansão dos criptoativos e imagine o que ainda vem por ai.

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