CIDADES E QUALIDADE DE VIDA DEPOIS DA COVID

Quando surgiram os primeiros casos noticiados de COVID 19, muitos assistiam incrédulos aquela que é a primeira pandemia de um mundo globalizado e logo, não faltaram teorias da conspiração e delírios. Agora que parecemos ter a dimensão aproximada desse desastre humano, podemos ver com mais tranquilidade o que muda e o que pode não voltar.

Por certo é um mundo diferente após a covid, pois pesquisas apontam algumas mudanças permanentes de hábitos, como cuidar da saúde usando aplicativos de forma autônoma, ou seja, o monitoramento de nossos sinais vitais por meio de aplicativos é uma das primeiras mudanças.

O universo dos restaurantes não voltará ao seu tamanho e o serviço de entrega de refeições e encomendas deve ficar do mesmo tamanho do transporte de passageiros, previsão do próprio Ceo do Uber.

Logo, o termo qualidade de vida nas cidades ganha nova dimensão, por isso que tão difícil quanto conceituar qualidade de vida é a forma de realizar a sua mensuração, uma vez que esta exprime um estado de satisfação ou insatisfação avaliado de forma pessoal, que depois da pandemia mudou. Em geral, a qualidade de vida na cidade pode ser expressa em aspectos ambientais (qualidade da água, do ar e do solo), habitacionais (disponibilidade espacial, habitabilidade), urbanos (concentração populacional, comunicação, transporte, segurança, poluição), sanitários (assistência médica, mortalidade) e sociais (sistemas de classes, nível socioeconômico, consumo, condições de trabalho, lazer) como elementos que mensuram qualidade de vida e quais são os novos parâmetros depois da pandemia?

São esses indicadores que apontam que os indicadores de qualidade de vida, vinculados ao convívio em cidades, estão relacionados a riqueza, taxa de emprego, ambientes urbanizados, saúde social, educação, uso do tempo, família e serviços comunitários.

Porém, alguns aspectos da vida voltarão a ser como eram antes, mas muitos não. Um estudo realizado em setembro com 13,2 mil americanos pelo Pew Research Center, reproduzida no jornal estadão, relatou que 51% acreditavam que suas vidas permaneceriam mudadas de muitas maneiras. Os pesquisadores oferecem algumas previsões iniciais, a tecnologia permitirá que as pessoas trabalhem, façam compras e estudem remotamente e muitas pessoas continuarão os hábitos que adquiriram desde março. Empresas e trabalhadores ágeis estarão à frente, outros podem ser deixados para trás. As desigualdades raciais e econômicas podem se aprofundar, a menos que sejam abordadas energicamente.

Um relatório deste mês da consultoria Mckinsey & Co. descobriu que as empresas têm mudado para o trabalho remoto mais de 40 vezes mais rápido do que esperavam. As interações com clientes de empresas americanas agora são 65% digitais, em comparação com 41% antes da crise. A saúde obviamente foi uma questão primordial durante a pandemia e as mudanças neste setor provavelmente também persistirão. Um estudo realizado em julho pela Accenture com 2,7 mil pacientes nos Estados Unidos e outros países industrializados, descobriu que 70% tinham cancelado ou adiado tratamentos pessoais presenciais, mas que 9 em cada 10 pensavam que estavam se cuidando tão bem ou melhor do que antes e 44% estavam usando novos dispositivos ou aplicativos para gerenciar condições de saúde.

Estudos realizados neste ano na China, Reino Unido, Espanha, Itália e no Canadá de pacientes com Covid-19 encontraram sintomas de estresse pós-traumático, como depressão, ansiedade e insônia, de acordo com o Psychiatric Times. Um estudo com 8.079 alunos do ensino fundamental e médio na China descobriu que 43,7% experimentaram sintomas depressivos e 37,4% experimentaram ansiedade durante o período epidêmico.

Logo, lembramos a seleção natural de Darwin que explicou a origem das espécies vivas que existem na natureza por meio de uma lógica assim: “Se existem variações nas características dos indivíduos de uma espécie e se, ao longo do tempo, apenas indivíduos com certas características geram crias capazes de gerar novas crias então o mundo se encherá de cópias desses indivíduos e os demais desaparecerão”. Ou, dito de forma genérica: se existem cópias imperfeitas de alguma coisa, e se apenas algumas dessas cópias são selecionadas (de acordo com algum critério, que no caso é a capacidade de gerar crias) apenas as cópias selecionadas deixarão crias. Parece um raciocínio meio circular e é mesmo, mas e daí? Essa é a beleza da coisa,o que permanece é o que é competente em permanecer e esse “permanecer” não é nada trivial. Para que alguma coisa permaneça é preciso que haja uma “inteligência” capaz de separar continuamente sinal de ruído, sobrepujando a entropia, evitando assim que a coisa deteriore.

Darwin identificou um processo que uma vez instanciado, fica irresistível, dadas certas condições ele leva automaticamente ao aparecimento de um “algo” que fica estável no ambiente, ou seja, formará um padrão que não se dilui. A evolução tem de ocorrer! Evolução? Sim. Evolução é mudança ao longo do tempo. Apesar de não sabermos de antemão o que será produzido, podemos garantir que alguma coisa será, porque seu padrão ficará estável, o que garante isso é o algoritmo em ação.

Darwin estava interessado em espécies vivas, mas o “algo” que ganha estabilidade pode ser o que for: espécies de organismos, tecnologias, ideias, um “meme” qualquer, se o algoritmo estiver em ação, a evolução terá de ocorrer!

Podemos produzir coisas sofisticadíssimas sem saber como fazer isso. Não é preciso que haja uma mente para produzirmos coisas complexas, basta que haja um algoritmo atuando, e a pandemia vem evidenciando a gestão dos dados e o uso dos algoritmos.

O que nos lembra o funil de Danny Hillis, um cientista e inventor contemporâneo, que diz o seguinte: “Num certo momento, pode haver dezenas de milhares de pessoas pensando na possibilidade de uma certa invenção, mas menos de uma em 10 delas vão conseguir imaginar de que maneira aquilo poderia ser feito. Das que conseguem imaginar como fazer, só um décimo chegará a pensar nos detalhes práticos de soluções específicas. Dessas, apenas um décimo conseguirá fazer um protótipo que funcionará por tempo suficiente. E finalmente, só um dos vários milhares de pessoas que tiveram a ideia conseguirão fazê-la se tornar vencedora”. Nos estágios conceituais (mais abstratos) toda ideia tem muitos pais, mas a cada estágio o número de pais possíveis diminui. Pense em coisas que estão em intensa experimentação, hoje plataformas de ensino à distância, o carro sem motorista, energias solar e eólica, pilhas a hidrogênio. O “funil” a que Danny Hillis se refere é que levará um ou outro design a se concretizar e dominar os demais. Veja, a chance de que a lâmpada elétrica viesse a aparecer era 100%, mas a chance de que fosse Thomas Edson o cara a fazê-la aparecer era 1 em 10.000.

Os dados fazem a diferença e são os elementos-chave para a transformação digital. Nesse período de pandemia, as mudanças foram aceleradas, pois as organizações eficazes requerem cada vez mais qualidade dos dados e das informações capturadas no seu ambiente de negócio para melhorar a experiência do cliente, através da digitalização processos de negócio e operacionais, mudar a forma como as pessoas trabalham e desenvolver, implementar e manter novos modelos de negócios baseados em plataformas digitais, são exemplos dessas alterações. Na realidade, as mudanças exponenciais e disruptivas têm despertado nas organizações transformações no seu modelo de negócio e na sua estrutura para realizar a virada digital, mais do que urgente para esses novos tempos.

As cidades no pós pandemia vão refletir a sua estrutura econômica, pois a qualidade de vida nasce nas grandes e médias cidades, lastreada na sua economia.

Sem uma economia pujante e solidária, não se pode falar em qualidade de vida, sem a distribuição dos acessos e a inclusão digital, a recuperação será mais lenta e bem mais difícil, novas cidades com o olhar sobre novas oportunidades.

É preciso ferramentas legais de incentivo a inovação e a transformação digital da economia, onde as oportunidades sejam inclusivas e o acesso plural.

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