BIG TECHS, VAMOS VIVER SEM ELAS? DECIFRA-ME OU TE DEVORO

Faça um teste e tente bloquear os serviços das big techs e suas controladas por apenas um mês

apagão por cerca de 6 horas nas redes sociais do Facebook, serviu para dar uma pequena amostra da importância das big techs em nossas vidas, seu poder e os riscos que essa concentração oferece.

Veja o caso do WhatsApp e seus 120 milhões de usuários no Brasil, e que depois da pandemia passou a ser uma ferramenta de negócios para milhões de pequenos e grandes negócios, o mesmo valendo para o Facebook, e o Instagram, que tem nesses serviços a ferramenta para falar com seus clientes, fazer e receber pedidos.

Nesse momento, fico tentando imaginar qual o substituto você tem para o Facebook e para o Google, que tenham alguma relevância. Para que tenhamos a exata medida da sua importância, faça um teste e tente bloquear os serviços das big techs e suas controladas por apenas um mês. Faça o bloqueio da Amazon, Facebook, Google, Apple e Microsoft ao longo de 30 dias.

Vamos começar pela Amazon e o Google. Na Amazon veja todos os sites hospedados pela Amazon Web Services, maior provedora de espaço na nuvem da internet, só lembrando que eles possuem o controle de hospedagem da maioria dos sites no Brasil, logo não seria apenas boicotar a Amazon, mas seus serviços de hospedagem, pois muitos aplicativos e boa parte da internet usam os servidores da Amazon para hospedar seu conteúdo digital, e dessa maneira, uma parte muito grande do seu mundo digital vai se tornar inalcançável.

Quanto ao seu serviço de filmes, lembre-se de desligar o Amazon Prime Video e ficar com o Netflix. Quanto as suas compras, é bom lembrar que no caso da Amazon que detém mais de 50% de todas as vendas por internet nos EUA, pense o que representaria, para os milhões de fornecedores que fazem suas vendas no marketplace da Amazon.

Ao bloquear o Google, o primeiro resultado é que a internet inteira deve ficar mais lenta, afinal quase todos os sites que você visita utilizam ele como fonte para rodas os comerciais, lembre-se Facebook e Google possuem cerca de 22% de toda publicidade digital, logo, veja também onde seus dados são armazenados, caso seja o Dropbox ao bloquear o Google, há o risco de você perder o acesso, pois o site pode pensar que você não é uma pessoa de verdade. Uber e Lyft devem parar de funcionar para você, pois, ambos dependem do Google Maps para navegação.

Descobri que, na prática, o Google Maps exerce um monopólio no segmento dos mapas online. Visto isso, concluímos que esses dois hoje são aqui na américa os provedores da infraestrutura da internet, de tão misturadas que são às arquiteturas do mundo digital, que até mesmo suas concorrentes acabavam dependendo desses dois barões.

Quanto ao Facebook, lembre-se que ele é dono das suas redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp), logo, registre como será voltar a fazer ligações via sua conta telefônica de celular ou fixo e como saber das novidades dos seus grupos, de amigos, trabalho e ou família?Google sede

Google passou a ser uma plataforma gigante de publicidade/Arquivo/Divulgação

Usei apenas esses poucos exemplos como ponto de partida, nem precisei me aprofundar, mas entenda que quando elas não te prestam seus serviços diretamente, acabam sendo a fornecedora de quem te presta serviço, ou seja, elas são onipresentes. É preciso repensar a concentração excessiva desse mercado, urgentemente.

Tudo isso amplia a importância da reviravolta que começou na União Europeia, que segundo os Estados Unidos na época se limitava a assediar empresas americanas porque não era capaz de criar seus próprios campeões locais, mas que agora é realizada pelo próprio governo de Joe Biden com crescentes ofensivas contra o poder e influência no mercado de empresas como o Google, Facebook, Apple ou Amazon; e que agora também é acompanhada pela China, engajada em uma cruzada para colocar suas grandes empresas de tecnologia na cintura. Hoje todos esses blocos de governantes perceberam a importância de se fazer algo com esse pleno domínio das plataformas.

Nos parece muito claro que que a tecnologia é um ambiente que dota as empresas com uma capacidade quase que despudorada de exercer o monopólio, ou na melhor das hipóteses o oligopólio, e ao contrário dos antigos barões do aço em um período muito menor e de uma maneira bem mais concentrada.

Assim o setor de tecnologia e de empresas digitais, nesse momento é o que mais gasta em atividades de lobby na Europa, só para ficarmos nesse continente, estando com seus dispêndios acima das indústrias farmacêutica, automotiva ou financeira, de acordo com um recente estudo, que foi publicado na última terça-feira pelos grupos de pesquisa Corporate Europe Observatory e LobbyControl.

O trabalho contabilizou 612 empresas, grupos e associações empresariais, que exercem pressão para influenciar as políticas de economia digital da UE, ainda que apenas 10 dessas empresas respondam por quase um terço, 32 milhões de euros, do gasto total do lobby tecnológico.

Google (5,75 milhões de euros de gastos), Facebook (5,5 milhões), Microsoft (5,25 milhões), Apple (3,5 milhões), Huawei (3 milhões), Amazon (2,75 milhões), IBM, Intel, Qualcomm e Vodafone (todos, com um gasto de 1,75 milhão de euros) são nessa ordem as que mais gastaram em lobby, apenas na Europa.

De acordo com o relatório, a big tech gasta em média pelo menos 97 milhões de euros por ano para exercer pressão sobre as instituições da UE, uma quantia que os pesquisadores dizem que supera o resto dos gastos dos lobistas do setor privado, ou seja, elas gastam mais do que todo o restante da economia juntos, o que pode dar a dimensão da importância para essas empresas nos novos marcos regulatórios.

O propósito desse lobby é um só “opor-se a quaisquer regras rígidas que possam afetar o modelo de negócios da big tech e suas margens de lucro”, e esse movimento só indica a importância da sociedade civil organizada na participação dessa discussão, sob pena de sermos atropelados por esses gigantes.

Os oligopólios formados pelas empresas de tecnologia em momentos de pequenas falhas dão a dimensão da nossa dependência, é preciso combater isso.

(Artigo publicado no site www.mistobrasilia.com em 05 de Outubro de 2021.)

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