ARTE E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Humanos e máquinas juntos através da IA criando arte, pode isso ser chamado de arte?

Para nos aprofundarmos mais nesse assunto vamos utilizar a SuperRare, que é um marketplace de obras de arte digitais usando Ether (uma criptomoeda) da rede Ethereum, a segunda mais utilizada entre as criptomoedas.

São mais de 8.000 obras de aproximadamente 180 países que foram negociadas na plataforma, com valores que superam US$ 1 milhão, ou seja, cerca de R$ 5,6 milhões. Ao navegar pelo site será possível encontrar exemplos de obras vendidas por milhares de dólares, um número que só aumenta.

O que muitos perguntam é: ”Seria este o gif animado mais caro de todos os tempos?” Exatamente isso, um dinheiro virtual com uma obra de arte que não existe fisicamente, um nude que não é nude de alguém que nem mesmo existe. Isso certamente faz muita gente torcer o nariz, não sem razão eu creio.

Porém para estes, vale lembrar que empresas como a Epic Games faturam bilhões vendendo artigos digitais para jogos. Em 2018 a empresa faturou US$ 2,4 bilhões com roupas e apetrechos para personagens do jogo Fortnite. Roupinha digital, dinheiro virtual, receita bem real, produzindo aquilo que muitos entendem como não arte.

Ou seja se paga e se adquire em leilão, itens virtuais criados por programadores e artistas e a pergunta é, isso é arte?

Aparentemente as primeiras experimentações de arte com IA ocorreram com o software do Google DeepDream, em 2015, mas os resultados foram obras estética e conceitualmente limitadas não atraindo a atenção da crítica nem do público. O leilão da Chistie’s estimulou novas experimentações, inseridas num movimento artístico batizado pelo Obvious de “GAN-ism”, e muita polêmica. Vários artistas, utilizadores da inteligência artificial, contestam a originalidade não apenas dessa obra, mas de todo o trabalho do Obvious, referindo-se ao coletivo mais como profissionais de marketing do que propriamente artistas.

O Projeto Magenta do Google Brain realiza experimentos com a criatividade gerada artificialmente. Uma equipe de pesquisadores trabalha com algoritmos que produzem música, material em vídeo e arte visual. Aplicativos são publicados na plataforma open source de nome TensorFlow, de forma que outros artistas e profissionais criativos possam dar sequência ao desenvolvimento

A tecnologia muda também o processo de produção, a arte digital deixou há muito de ser um trabalho solitário, os artistas cooperam com frequência com desenvolvedores, mas robôs e softwares também podem fazer parte das equipes. Na série Sculpture Factory, de Quayola, robôs industriais criam esculturas inspiradas em Michelangelo, isso acontece ao vivo, in loco, em uma galeria de arte, ou seja, a gênese da obra torna-se, assim, parte da ação artística.

Quem disse que a arte e robótica não têm nada em comum? Logo, robôs podem ser artistas? De quem seriam os direitos autorais de uma obra que ao estudar Picasso consegue reproduzir os traços do gênio em uma nova criação?

A inspiração seria cópia?

Aparentemente a inteligência artificial é, ao mesmo tempo, ferramenta e por certo concorrência para os profissionais de áreas criativas. Se não bastasse, a transformação digital fornece temas para a arte crítica, com avatares e todo tipo de novos desenhos gráficos, que são a cada dia mais produzidos por programas.

Na arte assim como em diversos campos, os algoritmos estão cada vez mais presentes em diversos setores da vida, eles calculam quem é digno de receber um empréstimo, automatizam a guerra, detectam prematuramente enfermidades ou editam sozinhos, como o software Watsin da IBM, os trailers de filmes de terror. E estão agitando o universo da arte, a inteligência artificial modifica perspectivas e processos criativos, chegando a transformar robôs e softwares em artistas. No processo chamado de deep learning, o software de inteligência artificial reconhece padrões, de maneira semelhante ao que faz o cérebro humano, e aprende com cada experiência de maneira autônoma, podendo, assim, tomar decisões automatizadas com uma frequência cada vez maior.

Sabemos que o Direito do Autor compreende prerrogativas morais e patrimoniais, aquelas referentes ao vínculo pessoal e perene que une o criador à sua obra e estas referentes aos efeitos econômicos da obra e o seu aproveitamento mediante a participação do autor em todos os processos e resultados. A Lei nº 9.610/98, a qual tem como finalidade proteger as obras literárias, artísticas e científicas, impedindo desta forma, que terceiros se utilizem indevidamente das obras protegidas, sendo assim um software que cria um padrão artístico estaria dentro dessa definição?

Nos socorremos da WIPO que define direito de autor como sendo “a proteção da criação da mente humana”. Assim, é importante salientar que o direito autoral protege as obras e logo, elas precisam de meio físico, o que poderia ser uma tela e ou no caso um programa de computador com seu código registrado?

O direito entende que todos aqueles que tiverem o seu nome agregado a uma obra serão legalmente considerados co-autores, logo, um algoritmo construído pelo coletivo estaria assim enquadrado?

Seria o caso das GANS, que foram introduzidas em 2014 por pesquisadores da Universidade de Montreal, e que são arquiteturas de redes neurais (deep learning) compostas por duas redes uma contra a outra, daí “adversária”, treinadas para criar mundos semelhantes em qualquer domínio (música, imagens, textos).

Obras coletivas com a participação de diversos artistas do mundo todo, separados por um oceano que são a cada dia mais comum e como são programas abertos fica a dúvida, de quem é o autor do que?

Oportunidades e desafios de um novo mundo, cada dia mais diferente e desafiador.

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