APPLE VALE MAIS QUE O PIB DO BRASIL. E DAÍ?

A decisão da Apple de substituir os microprocessadores da Intel usados em computadores Mac, pode dar uma dimensão da força e poderio das Big Techs, que em tempos de pandemia percebem seus valores de mercado crescerem enquanto a economia do mundo derrete, mais um tema para os adoradores das “teorias da conspiração”. “Será que as Big Techs não fizeram uma parceria com a China para desenvolver o vírus?” Afinal em tempos de pandemia, loucura pouca é bobagem.

O que a decisão da Apple faz é dar a direção que as maiores empresas de tecnologia estão tomando ao expandir suas habilidades e reduzir sua dependência dos principais parceiros, como a emblemática Intel.

A diversificação estratégica tem dado o tom, como no caso do Facebook, investindo bilhões de dólares em um dos aplicativos de crescimento mais rápido da Indonésia, também em um gigante das telecomunicações na Índia e em um cabo de fibra ótica submarina na África.

De igual forma a Amazon construiu sua própria frota de aviões de carga e caminhões de entrega e é óbvio que a produção será terceirizada, afinal, cada macaco no seu galho e neste caso será a Taiwan Semiconductor Manufacturing, utilizada como facção pela Apple para criar componentes projetados para iPhones e iPads.

No curto prazo o impacto financeiro dessa mudança no balanço da Intel será pequeno. A Intel vende à Apple cerca de US$ 3,4 bilhões em chips a cada ano e isso representa menos de 5% das vendas anuais da Intel, porém, pode indicar um caminho e um questionamento: Como transformar a Apple em concorrente? Parece ser um filme já visto.

A mudança deve ter início somente na próxima linha de computadores a serem vendidos em 2021, dando tempo de os desenvolvedores se prepararem para os ajustes, o que até lá poderá dar uma dimensão melhor do caminho e dos resultados dele.

Isso ocorre no mesmo mês em que a Apple atingiu a histórica marca de ser a primeira companhia americana a valer US$ 1,5 trilhão, podendo chegar ao impressionante valor de US$ 2 trilhões nos próximos dois anos. É bom lembrar que ela já havia sido a primeira empresa a valer US$ 1 trilhão, em agosto de 2018, o que resulta em uma valorização de mais de 50% em menos de dois anos.

Considerando o câmbio do dia 22 deste mês, a Apple sozinha vale mais do que todo o PIB brasileiro projetado para este ano pelo Ministério da Economia.

Uma marca assustadora, afinal o Brasil é uma das dez maiores economias do mundo e com 210 milhões de consumidores, produzirá menos que o valor de mercado da empresa criada por Steve Jobs.

A precificação das ações dos gigantes de tecnologia e a maneira que se movimentam como grandes oligopólios trazem inúmeras preocupações aos reguladores de mercado.

É preciso entender seu fenômeno e alcançar pela tributação, que seja justa sem retirar a competitividade, mas é fundamental que possamos ter espaço para novos players neste mercado antes que o oligopólio seja a regra.

Desde janeiro deste ano as cinco maiores empresas de tecnologia dos EUA, tem valor de bolsa superior a toda economia da América Latina, que juntas somavam US$ 5 trilhões, valor que aumentou após a pandemia, o que só reforça a nossa preocupação.

Criar limites legais é um dever, mas um grande desafio e logo fico imaginando lá do céu, se é que ele existe, Steve Jobs olhando a Terra, que ele sabe que é redonda, com um leve sorriso pensando: “E daí?”.

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