APPLE CAR, SERÁ SEU CARRO ELÉTRICO?

O anúncio de lançamento de um carro elétrico autônomo pela Apple, exemplifica algo que nos inquieta, pois qual será o limite legal e mercadológico dos Gigantes de Tecnologia?

Apple pode estar na sua comunicação diária, cuidando da sua agenda, marcando a consulta do seu médico, identificando seu trajeto, registrando as suas rotinas, pode ser o seu relógio, seu acompanhamento médico, a música que você prefere, com quem você gostaria de compartilhar essa música, eu poderia passar esse artigo inteiro falando de tudo que a Apple pode fazer e ter o registro dos dados e análise deles sobre o uso dos seus produtos e serviços, mas quero hoje me dedicar ao que representa o lançamento de um carro pela gigante de tecnologia.

A gigante tecnológica está definitivamente apostando em um carro em que a intervenção do motorista não é necessária durante uma viagem.

Segundo a Bloomberg, a Apple acelera na corrida pela condução autônoma.  Após anos em que deixou em segundo plano o lançamento de seu próprio carro, a empresa de Cupertino retomou esse projeto com o objetivo de ter até 2025 um veículo que não precisa de intervenção humana enquanto estiver em operação.

Quando a maior empresa de tecnologia do mundo por capitalização decidiu apostar em um veículo totalmente autônomo, depois de um tempo em que eles consideraram a opção de lançar um modelo que só auxiliou o motorista na aceleração e frenagem. Cumprir os prazos que o grupo estabeleceu internamente é um desafio, uma vez que especialistas preveem que ainda levará no mínimo cinco anos para que esse tipo de tecnologia seja suficientemente desenvolvida. Na verdade, os funcionários da própria empresa consideram a data definida muito ambiciosa.

Ciente de que seu planejamento pode sofrer atrasos, a Apple tem duas opções em mente: atrasar o lançamento do carro ou lançá-lo com uma tecnologia mais limitada. Tenha em mente que outros gigantes do Vale do Silício também estão imersos na corrida para desenvolver carros autônomos, e todos tiveram que lidar com dificuldades. A Tesla ainda está a anos de poder oferecer um veículo com essa tecnologia e a Waymo, iniciativa da Alphabet (Google), perdeu força após a saída de alguns responsáveis.

A Uber vendeu diretamente sua divisão de carros autônomos para a startup Aurora por US$ 4 bilhões em dezembro do ano passado.

No comando do projeto da Apple, que recebeu o apelido de Project Titan, está Kevin Lynch, responsável pelo software Apple Watch, um sucesso tão grande que sozinho vende mais do que toda a indústria relojoeira da Suíça.

Sob sua direção, ele aspira a construir um carro sem volante ou pedais, e no qual uma grande tela sensível ao toque, semelhante à do iPad, seria colocada no meio do carro para que os passageiros pudessem interagir com ele durante uma viagem.

O desenvolvimento de todo o chassi será outro grande desafio para a Apple, razão pela qual aponta para uma possível aliança com um dos grandes fabricantes do setor automotivo. Atualmente, para testar seu software, o grupo conta com uma frota de 69 modelos Lexus, a divisão de luxo da Toyota.

Em que pese os solavancos desse projeto, as ações da Apple reagiram com aumentos depois que essa informação foi conhecida, no ano a alta está próxima de 19%, mas afinal pode a Apple ter o sucesso em escala ainda maior da Tesla

De acordo com a agência de notícias Bloomberg, responsável pelo vazamento da notícia, a escolha de Lynch para ocupar a carga dá indícios importantes sobre como anda o desenvolvimento do Apple Car. E eles não são nada animadores para aqueles que sonham em ver um carro autônomo da maça desfilando pelas ruas em um futuro próximo.

A aposta é baseada no fato de Lynch, ao contrário dos responsáveis anteriores pelo Projeto Titan, não ter qualquer experiência prévia em montadoras de veículos. Desta forma, como apostas nos bastidores são de que a Apple estaria focada em desenvolver a parte final de software do Apple Car antes de, efetivamente, dar atenção ao design e demais aspectos físicos do futuro carro.

Vários relatórios desde pelo menos 2014 afirmam que a Apple não está apenas “buscando” a contratação de ex-funcionários da Tesla, numa verdadeira guerra contra o tempo, como também trazendo especialistas da indústria automotiva, mas é claro que dinheiro não lhe falta e logo o céu é o limite.

É importante notar que a Tesla tem tentado oferecer carros totalmente autônomos, mas ainda faltam anos para realmente cumprir essa promessa.

Mais recentemente, acredita-se que a Apple tenha discutido que seu carro é compatível com o padrão do sistema de carregamento combinado, de modo que funcionaria na maioria das estações de carregamento.

Os especialistas projetam que o carro da Apple também teria um interior espaçoso e social, muito parecido com o Lifestyle Vehicle de Canoo, uma startup na indústria de EV. Nesse carro, os passageiros sentam-se nas laterais e se encaram como em uma limusine.

consumidores, mas pode contar com parcerias, talvez até com vários fabricantes, para construir o veículo real. Pensa-se que também considerou construí-lo nos Estados Unidos. De acordo com os relatórios mais recentes, a Apple também está procurando criar proteções mais fortes do que as disponíveis na Tesla e na Waymo. Também está procurando ativamente contratar engenheiros para testar e desenvolver funções de segurança.

Considerando todos os serviços e produtos que você pode e poderá ter da Apple, a grande questão que se coloca é qual o limite legal para participação de uma plataforma nos mais diversos negócios?

Qual o limite ao Direito de Concorrência considerando a vantagem que ela tem com o conhecimento dos seus dados, desde rotinas, comunicação, relações e hábitos?

Quantos são os serviços que esses produtos podem ter agregados considerando o conhecimento que ela tem do seu perfil?

É uma discussão nova, pois a história da concentração econômica de grupos empresariais, invariavelmente sempre esteve ligada a determinados setores, mas na economia da informação, estamos diante de plataformas digitais, com seus números anabolizados nas bolsas, com capital de sobra e o mais importante, com todos os nossos dados para ofertar produtos e serviços devidamente performados na chamada “experiência do usuário”, que melhor poderia se chamar “eu sei tudo que você faz, e gosta, e estou à caminho de ter certeza de tudo que você também pensa”. É um cenário assustador.

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