ANALFABETISMO DIGITAL E CIDADANIA

O Brasil e seus cerca de 210 milhões de habitantes, que juntos possuem 440 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso, segundo uma pesquisa realizada pela FGVcia, possui uma das maiores populações do mundo de analfabetos digitais.

A pesquisa revela ainda que são quatro celulares vendidos para um aparelho de TV no País. Sobre o número de computadores, neste ano, o Brasil vai ultrapassar 200 milhões de computadores (desktop, notebook e tablet) em uso, ou seja, 9,4 para cada 10 habitantes (94% per capita), e com esses números grandiosos como podemos falar de “analfabetismo digital”?

O termo foi criado pelo valoroso, Gilberto Dimenstein, como uma nova categoria de analfabetos funcionais, o “analfabeto digital”.

Aqueles que mesmo com acesso a tecnologia, não o sabem operar, com alguns sistemas básicos que permitem, com grande velocidade e eficiência, digitar textos, fazer cálculos, trabalhar com imagens e gráficos, elaborar planilhas de contas, etc., etc. e acabam utilizando seus smarphones por exemplo, apenas para ligações e trocas de mensagem.

O Número de Analfabetos no Brasil é preocupante cerca de 11 milhões de brasileiros são analfabetos funcionais segundo o IBGE, o equivalente a população inteira de Portugal.

O simples acesso ao telefone celular, não retira a pessoa do conceito de “analfabeto digital”, uma boa referência pode ser extraída do número de brasileiros que durante a pandemia estavam na lista de desbancarizados, e não conseguiam baixar o aplicativo para cadastro e recebimento dos auxílios públicos.

Analfabetos digitais não usufruem da sua cidadania, e esse novo conceito, “cidadania digital”, ganha nova dimensão no momento de total transformação digital da sociedade.

Mike Ribble, foi quem primeiro definiu o conceito de cidadania digital e os elementos que a compõe, lembrando que eles não são restritos somente aos jovens. Logo, a educação incorporou os conceitos de cidadania digital como se fosse único e exclusivamente um direito para jovens, para um processo de formação.

São nove os elementos da cidadania digital de acordo com o conceito de Mike Ribble.

Acesso digital: inclusão eletrônica e participação plena na sociedade.

Comércio digital: compra e venda de produtos e serviços online.

Comunicação digital: troca de informações online.

Alfabetização digital: capacidade de saber como e quando usar a tecnologia digital.

Etiqueta digital: padrão de conduta esperado por todos que usam a internet.

Lei digital: direitos e restrições legais que governam o uso da tecnologia.

Direito e Responsabilidade digital: privilégios, liberdades e comprometimentos estendidos a todos os usuários online.

Saúde e bem-estar digital: bem-estar físico e emocional ligados ao uso da tecnologia.

Segurança digital: precauções que os usuários da internet devem tomar para garantir a segurança pessoal e da sua rede de contatos.

Discutir cidadania digital é acima de tudo colocar como prioridade a inclusão digital de milhões de brasileiros. A pandemia veio para discutir esses valores e para mostrar essa grave ferida.

É preciso dar um salto, para essa inclusão de pessoas (consumidores), como ponto de partida de se multiplicar em pouco tempo o número de profissionais que têm as habilidades para enfrentar os parâmetros tecnológicos e formatos da nova economia.

A tarefa mais imediata é a alfabetização digital, pois nada deve escapar da digitalização, da produção à criação artística, do ensino ao entretenimento, da indústria e dos serviços ao intercâmbio humano, da pesquisa à formulação de novos conhecimentos.

É essencial entrar em um processo de transformação digital como um dever associado à sustentabilidade e a tarefa mais imediata é a alfabetização digital, pois ela a transformação digital do setor público, vai permitir se ampliar as horas de estudos e treinamento à distância reposicionando as pessoas no mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo a digitalização dos serviços públicos, com uma gama ampla de novas possibilidade de atendimento, vão propiciar ganhos de qualidade de vida da população mais carente, que sofre na fila para marcar uma simples consulta e que por meio de novos aparatos pode ter esses serviços estendidos.

(Artigo publicado originalmente no site www.mistobrasilia.com, em 15 de Dezembro de 2021.)

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