A REVOLUÇÃO COM OS NANO SATÉLITES

O projeto Starlink de Elon Musk, promete revolucionar a comunicação para o mundo. Após 60 anos que ou primeiro homem foi lançado no espaço, precisamente no dia 12 de abril de 1961.

Em recente declaração, Elon Musk falando sobre a Starlink, a sua empresa de comunicações via satélite lançada da SpaceX(outra empresa de Elon Musk), afirma que seus planos apontam para o desenvolvimento de antenas para uso em caminhões, navios e aeronaves, ou seja, para fornecer mobilidade de internet a veículos de um determinado tamanho, embora não para carros ainda, devido às dimensões das antenas.

Para Musk é preciso usar a capacidade ociosa em seus foguetes para lançar ondas de até sessenta satélites de cada vez, o que permitiu que ele já tivesse 1321 em órbita a um custo muito menor do que costumava subscrever tais operações, e para os planos totais, que originalmente eram 1.000 já aprovados, 30 mil a mais já foram adicionados para aqueles que solicitaram licença, isso mesmo 30.000 nano satélites apenas da empresa dele sobre nossas cabeças.

É de se destacar que esses satélites também estão localizados em uma órbita 60 vezes mais próxima da Terra do que as convencionais, o que muda todas as abordagens geralmente ligadas às comunicações via satélite e permite que ela ofereça acesso à internet com velocidade e latência suficientes para jogar videogames competitivamente. Isso os torna mais fáceis de ver à primeira vista à noite – embora a empresa tenha trabalhado duro para reduzir sua luminosidade, ao mesmo tempo, que podemos considerar usá-los para funcionalidades que até agora, em termos de custo, eram proibitivas.

Como todos os projetos criados por Elon Musk, estamos mais uma vez diante de um caso de alavancagem e antecipação de economias de escala que serão obtidas em um estágio posterior, o que só é possível graças ao generoso sistema de financiamento dos EUA, onde o mercado de capitais sempre está de portas abertas para bons projetos, mesmo que os mesmos leve décadas para ficar de pé, que o diga a Amazon.

Assim cria-se a possibilidade de lançar satélites com menores valores de investimento por meio do compartilhamento de custos com os lançamentos de foguetes cada vez mais reciclados da SpaceX.

Soma-se a isso a antecipação da possibilidade de reduzir progressivamente o tamanho da antena necessária para a recepção terrestre do primeiro Nano, pois os modelos atuais que já podem ser instalados em um veículo de um determinado tamanho.

Ao ganhar escala, reduz o valor dos equipamentos para cerca de US$ 499 de instalação, mais parcelas de US$99 por mês, o que deve ampliar o uso inclusive para os militares dos EUA que já entenderam o conceito, e planejam usar a constelação de satélites da Starlink como base para um novo sistema alternativo ao GPS, mais preciso e completo.

Tente imaginar a aplicação para agricultura brasileira, cada vez mais conectada, fazendo com que a escala possa deixar o negócio de pé.

Após 61 anos em que a bordo da nave Vostok 1, o soviético Yuri Gagarin, deu o primeiro grande passo da Corrida Espacial, protagonizada na época por Estados Unidos e União Soviética, que viviam em plena Guerra Fria. Um feito que durou apenas 108 minutos de duração, a uma altura de 315 km a partir da superfície, em uma velocidade de 28 mil km/h, o primeiro voo tripulado entrou para história, estamos por razões corporativas assistindo o início de uma nova corrida.

Se na época, com avanços tecnológicos bem mais simples, o cosmonauta se manteve em contato com a Terra usando diferentes canais via telefone e telégrafo. A nave Vostok 1, media apenas 4,4 metros de comprimento por 2,4 m de diâmetro e pesava 4.725 quilos, ali haviam dois módulos, sendo um para acomodar os equipamentos e tanque de combustível, enquanto o outro era a cápsula onde o cosmonauta registrava a experiência.

Com o uso de nanosatélites ele pretende revolucionar a forma com que as pessoas se comunicam. Para melhor entender vamos aos conceitos dados pelo INPE: Um satélite é qualquer objeto que orbita ao redor de outro, que se denomina principal. Depois de sua vida útil, os satélites podem ficar orbitando como lixo espacial, até que reentrem na atmosfera terrestre, ou podem ser direcionados, através do uso de propulsores, ao espaço profundo.

Os satélites artificiais podem ser catalogados ou agrupados segundo sua massa, como mostrado abaixo:

Grandes satélites: cujo peso seja maior a 1000 kg;

Satélites médios: cujo peso seja entre 500 e 1000 kg;

Mini satélites: cujo peso seja entre 100 e 500 kg;

Micro satélites: cujo peso seja entre 10 e 100 kg;

Nano satélites: cujo peso seja entre 1 e 10 kg;

Pico satélite: cujo peso seja entre 0,1 e 1 kg;

Femto satélite: cujo peso seja menor a 100 g.

São com esses objetos que pesam de 1 a 10kg, que Elon Musk revolucionou a indústria automobilística, com a Tesla e a aeroespacial, com a SpaceX, o qual deseja mudar às telecomunicações com o projeto Starlink, que visa oferecer acesso rápido à internet em qualquer lugar do planeta.

Para se ter ideia da ambição, esse projeto exige a produção, lançamento e operação de satélites em uma escala nunca tentada e em um curto tempo. A desmedida ambição já esta ficando de pé, pois cerca de 1/3 do total projetado já está no espaço, e é claro não lhe faltam clientes e usos para essa rede.

Ao contrário dos serviços atuais de Internet via satélite, que cobrem em regiões específicas, o objetivo da Starlink é oferecer cobertura global, saturando uma órbita baixa com satélites suficientes para servir a cada canto do planeta.

A SpaceX já tem aprovação da FCC (agência de telecomunicações dos EUA, similar à nossa Anatel) para operar 12 mil satélites. Eles serão agrupados em camadas (“shells”, em inglês) ao redor do planeta, com 1.584 satélites por camada para oferecer cobertura global.

Para melhor entender, após completar a primeira camada a SpaceX planeja outras, a 384 km e 1.200 km de altitude. A SpaceX já demonstrou que não pretende se contentar com “apenas” 12 mil satélites, e já pediu autorização para lançar mais 30 mil, num total de 42 mil satélites em órbita.

Há, atualmente, descontados os satélites de musk, outros 2.274 em órbita, ou seja, a empresa espera operar vinte vezes mais satélites do que o total que existe atualmente ao redor de nosso planeta, isso pode lhe dar a dimensão da ambição e do mercado.

Uma curiosidade, é que é possível ver esses satélites a olho nu, em particular nos dias logo após o lançamento, quando eles ainda estão em uma órbita mais baixa e seus painéis refletem mais a luz do sol. Eles aparecem no céu como um cordão de estrelas se movendo rapidamente, geralmente por volta do pôr do sol ou ao amanhecer. Eles acabam se parecendo com pontos se movendo rapidamente pelo céu, e muitas vezes são confundidos com OVNIs pelos sempre mais criativos, por causa isso os astrônomos protestaram contra o projeto, alegando que ele poderia impedir observações astronômicas em solo. Em resposta, Musk afirmou que futuros satélites teriam uma espécie de “quebra-sol” para reduzir sua luminosidade.

A rede Starlink foi projetada para oferecer velocidades de download de até 1 gigabit por segundo. Obviamente a velocidade, na prática, vai depender de fatores como a quantidade de satélites em órbita, do número de clientes conectados à rede entre outros elementos.

Porém, é bom lembrar que mais importante do que a velocidade de acesso é a latência, ou tempo que os dados demoram para viajar do satélite até você. Em uma conexão tradicional via satélite, ela pode chegar a 500 ou 600 milissegundos, o que pode inviabilizar usos como videoconferência ou jogos online, isso porque os satélites ficam em órbita geoestacionária, a 35 mil km da superfície do planeta.

Segundo reportagem, a Starlink planeja resolver o problema colocando seus satélites muito mais próximos do planeta, numa altitude entre 340 e 1.200 km. O objetivo é ter uma latência de menos de 20 milissegundos, não muito diferente de uma conexão de banda larga doméstica atual.

A SpaceX não está só nessa empreitada, mas se posiciona com preço muito competitivo, devendo ficar em cerca de seus $90 mensais, enquanto seus concorrentes, como a ViaSat (de US$ 30 a US$ 150 mensais por conexões de 12 Mbps a 100 Mbps) e HughesNet, que cobra de US$ 60 a US$ 150 mensais por conexões de 25 Mbps.

Um mercado gigante, que pode servir para muitas as possibilidade, de segurança ao trânsito, do agronegócio ao monitoramento, poderão ser instalados em qualquer local, desde que tenham visibilidade do céu.

Uma revolução nas telecomunicações, feita por quem já revolucionou o mercado de automóveis. é apenas o início, e um gigantesco desafio para o Direito regrar esses dispositivos sobre as nossas cabeças. Um passo e tanto para os carros autônomos em nossas estradas, outra ideia firme de Elon Musk.

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