A MICROSOFT VAI APOSENTAR O MICKEY?

Quando o maior negócio de tecnologia do mundo é a compra de uma empresa de games pela Microsoft, algo ainda maior está por trás desse movimento.

Segundo o CEO da Microsoft a tecnologia desenvolvida pela primeira vez para videogames um dia moldará grande parte do software da Microsoft e será o núcleo da próxima grande plataforma de computação.

Após a Microsoft pagar US$ 75 bilhões para a fabricante de videogames Activision Blizzard, os games e o metaverso ganham uma nova posição de destaque na nova economia digital. O maior negócio de tecnologia da história mais do que um indicador é um exercício pleno de um dos primeiros setores que serão transformados, pelo metaverso.

É essa tecnologia que funcionará como central para o futuro da interação online, à medida que as pessoas gastam mais tempo no que ficou conhecido como metaverso, e logo mais tempo, serão mais dados coletados, desde o batimento aos movimentos da sua pupila, tudo poderá ser estudado e registrado pelos algoritmos, no exercício de consumir mais tempo seu, que resulte em mais desatenção para sua vida.

Esse movimento gera sim um significativo impulso de suas capacidades no desenvolvimento de videogames, e isso está próximo do negócio original da empresa de criar ferramentas de software para desenvolvedores.

Podemos começar a sonhar [que] através desses metaversos eu posso literalmente estar dentro do jogo, assim como eu posso estar em uma sala de conferência com você em uma reunião. Essa metáfora… ela vai se manifestar em diferentes contextos, logo imagine o tamanho desse mercado.

Pense nas ferramentas da Microsoft com a gamificação do ensino nas escolas? E você está focado em uma nova carteira de aula? Quando de casa pelo metaverso os alunos estarão convivendo virtualmente com outros alunos na interação do conteúdo. Imagine os alunos de uma cidade do mar aprendendo sobre a vida marinha em um cenário tridimensional de realidade virtual em que eles podem estar mergulhando ou caminhando pela praia?

Tente imaginar o que uma empresa do tamanho da Microsoft pode fazer com a Disney criando parques temáticos de realidade aumentada e realidade virtual? Pobre Mickey jamais sonhou com tamanha concorrência.

Mesmo com todo risco regulatório dessa aquisição, a entrada de uma empresa capitalizada como a Microsoft deve fazer um senhor estrago em toda indústria do entretenimento, que deverá ser redesenhada, tendo a Microsoft como satélite dessa transformação.

Se do ponto de vista concorrencial a Microsoft continuará sendo a terceira empresa desse setor, no médio e longo prazo ela tem tudo para tomara a liderança e levar a gamificação para inúmeros outros setores, Tente imaginar nossas polícias em treinamento em realidade virtual, podendo acompanhar os batimentos cardíacos e as respostas e erros de um policial em formação em situações que simulem perigo?

Tente imaginar o universo das reuniões e apresentações de trabalhos, palestras e conferências com o domínio pleno da realidade virtual.

Certamente os reguladores de concorrência provavelmente se concentrarão no impacto do negócio no desenvolvimento futuro do metaverso também, além do mercado atual de videogames.

No entanto, a Microsoft informa através do seu CEO, que está comprometida em criar plataformas de computação aberta que permitam aos usuários se mover livremente entre os mundos virtuais de diferentes empresas. Ele acrescenta que, se os reguladores tentarem impor regras para manter os metaversos abertos e conectados, eles devem aplicar as mesmas regras a todas as empresas de tecnologia.

A ética no desenvolvimento do metaverso, certamente será o grande divisor, e ao mesmo tempo o maior desafio nesse mundo onde não se pode acreditar no que os olhos veem.

Com a tecnologia atual, mundos virtuais construídos por diferentes empresas seriam tão desconectados quanto os jogadores que jogam diferentes títulos de videogame hoje. Logo isso evidencia a necessidade de estabelecer novas regras que permitam que as pessoas carreguem sua identidade digital de um metaverso para outro, juntamente com seus objetos digitais pessoais.

Liberdades como essas também eliminariam a possibilidade de as empresas de Internet entrarem e assumirem novas e grandes empresas, assim como o Google alcançou um papel dominante na Internet atual.

Os avatares vão além ainda nas redes sociais, logo imagine a dianteira do Linkedin, com as inúmeras possibilidades de ampliação de serviços que a rede social da Microsoft poderá incorporar?

Não se trata de “brincar de óculos, ou assistir TV com óculos”, agora o impacto é outro.

Afinal os óculos agora são HD, eles não são mais os 640×480 de anos atrás. O que significa que eles serão capazes de ser usados para muitas coisas.

Tudo caminha para o negócio tornar os jogos de vídeo atuais compatíveis, e vender-lhe uma assinatura mensal para um streaming, com diversos pacotes de assinatura.

Qual impacto dessas novas receitas nas ações da Microsoft?

O que seria um sucesso para a Microsoft? Recuperar o investimento em pouco tempo (de 5 a 6 anos), tornar-se os incumbentes em videogames, e gerenciá-lo bem, para não cometer o mesmo erro que já fizeram no passado na Nokia?

A Microsoft redesenha não apenas o negócio dos games, mas muito da nova indústria 4.0 é esperar para ver. Quanto ao Mickey, esse certamente já está bem preocupado.

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