A LOJA DIGITAL DO BAIRRO?

É preciso uma pandemia para a loja do seu bairro ir pra internet? Os números parecem confirmar isso, afinal desde o início dela o Brasil registrou a abertura de 107 mil novas lojas digitais em pouco mais de 60 dias, o que representa uma nova loja virtual por minuto.

Segundo um trabalho realizado pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), roupas, calçados, alimentos e serviços são os líderes do setor, porém, cabe o destaque para o fato de que antes da pandemia, a média era de abertura de dez mil sites por mês, provando que o comércio eletrônico foi o caminho encontrado por muitas outras empresas para amenizar a súbita queda de faturamento por causa do novo coronavírus.

Mais do que novas lojas, surgiram também, por conta das restrições de deslocamento de uma parte considerável da população, novos hábitos digitais. Nada muda na economia se a cultura não acompanhar, e dessa forma o isolamento social também trouxe novos consumidores para o comércio eletrônico, afinal nada como o didatismo da necessidade para acelerar a curva de aprendizado.

Se antes da pandemia a expectativa era ganhar 3 milhões de clientes para as vendas online até o fim de 2020, somente durante a quarentena, 2 milhões de novos consumidores chegaram à internet, o que elevou em 40% as vendas online no período, e é apenas o início, pois novos hábitos foram adquiridos. Para as empresas, que estão com as lojas físicas fechadas, a expansão foi uma saída para, pelo menos, bancar as despesas fixas. Os menores comércios que não criaram o seu site para divulgar e vender seus produtos passaram a vender no sistema de marketplace, dentro de grandes portais ou por whatsApp.

Em tempos de quarentena, com as necessidades de consumo restritivas pela queda de novas viagens ou eventos, a venda de alimentos liderou seguido por moda e serviços, o que indica um perfil para o período pós quarentena.

É evidente que com novos hábitos deve acompanhar uma legislação menos restritiva para atividade comercial em residências, afinal em sua maioria a legislação que trata das normas municipais de comércio, são para cidades com realidades que não existem mais.

As chamadas zonas exclusivas residenciais, não cabem mais diante da nova economia onde cada pessoa pode ser um escritório. Visto isso, qual a razão de proibição de alguém ter em sua residência a sede de um pequeno site gerando alguns empregos para o bairro?

Tempo e espaço, trabalhando pela redução de custos e trânsito devem dar o tom da nova ordem legal, que deve triunfar diante dos mastodontes que teimam em reinar nas nossas burocráticas repartições.

É óbvio que desde que a atividade não ofereça nenhum perigo aos vizinhos, é preciso entender que o emprego e a facilidade de mobilidade devem dar o novo tom para o período pós pandemia.

Ao mesmo tempo esse elevado número de novos sites, impressiona pelo atraso que ele representa diante da nova realidade econômica.

Nossas casas serão escolas à distância, consultórios à distância, escritórios de advocacia à distância e tantas quantas forem as atividades que possam ser atendidas de forma online.

A casa será sim sua loja ou seu escritório, um caminho sem volta que a pandemia apenas acelerou, e assim vamos nos acostumar por vezes a pedir pequenas compras na mercearia da esquina, reduzindo o trânsito e gerando empregos no bairro.

O comércio local ganha um aliado, tardiamente e por razões tortas, mas ele chegou, então vamos nos reinventar enquanto temos tempo!

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