A CHINA, O MOTOR DO NOVO CAPITALISMO?

Imagino que Mao Tse Tung, ouvindo essa pergunta deveria se arrepiar, pois quando poderíamos imaginar tamanha dependência do mundo do capitalismo da China Comunista de Mao Tse Tung?

Se ela já era a fábrica do mundo, muito em breve eles devem assumir também os softwares da sua casa, enquanto aqui no Brasil, parte da nossa “elite” marcha para pedir intervenção no Supremo Tribunal, ou fica perdendo tempo compartilhando conteúdo pra lá de duvidoso.

Bem enquanto isso lá do outro lado do mundo os chineses não tem tempo à perder, eles não ficam discutindo a cor das roupas de meninos e meninas ou vendo problema na origem da vacina, enquanto a economia para à espera de mais vacinas, um atraso que os negacionistas criam para que toda sociedade pague, com sangue, bolso ou vidas.

Ao contrário, seu centralismo se foca apenas em vender mais produtos, serviços e para todos, pois os chineses já aprenderam com o velho Karl Marx que dinheiro não tem pátria nem ideologia.

Já foi se o tempo em que parávamos pra discutir a qualidade dos produtos chineses, só tolos fazem essa discussão, pois os chineses ensinaram algo bem simples, a qualidade é o preço quem dita, e logo quem ainda pode ficar incrédulo diante da resiliência chinesa e da visão estratégica do centralismo Chinês? Vistos por muitos anos como fabricante dos produtos “xing Ling”, os chineses se transformaram com o tempo na fábrica do mundo e agora querem mais, querem ser a marca, logo, enganam-se aqueles que pensam que a China ainda é o país da manufatura de baixa tecnologia.

Dados recém lançados pela CB insight, publicado antes da pandemia, trazem um novo quadro que impressiona. A China tem sido o grande motor responsável pelo crescimento do número de startups nos últimos anos. No início de 2020, 57 das 215 maiores startups do mundo já eram chinesas. Denominadas de unicórnios, essas startups são caracterizadas por possuírem valor de mercado esperado de mais de US$ 1 bilhão, altíssimo conteúdo tecnológico e serem empresas privadas, ainda não listadas em bolsa de valores.

Os unicórnios chineses, nesse momento, juntos já possuem hoje valor esperado superior a US$ 520 bilhões e são quatro dos dez maiores do mundo. Neste momento, emerge a questão de como a China conseguiu criar em um espaço de tempo tão curto, dezenas de startups que já possuem alguma presença global e têm valor de mercado esperado na casa dos bilhões de dólares.

Essa posição só é rivalizada pelos EUA, que possuem 108 unicórnios. O que impressiona mesmo é a distância da China dos terceiros colocados, Índia e Reino Unido possuem apenas 10 unicórnios cada, enquanto outros países possuem no máximo quatro ou cinco.

As startups chinesas se concentram em áreas de elevado conteúdo digital, com 15 delas na área de comércio digital, oito na área da economia colaborativa, cinco na área de fintech e quatro na área de robótica. Como exemplos, no topo da lista está a Didi Chuxing, empresa de aplicativo de táxi e com serviços de transporte de passageiros. Ela atua em mais de 400 cidades na China e faz mais corridas por mês que o Uber no mundo. Aliás, a própria Didi comprou o Uber na China e possui hoje US$ 50 bilhões de valor de mercado esperado. A empresa não é desconhecida do público brasileiro, ao aportar US$ 100 milhões na 99Taxis, Didi contribui para um importante aspecto ainda escasso na relação Brasil-China, as parcerias de alto conteúdo tecnológico.

O segundo maior unicórnio chinês também tem presença no Brasil, a Xiaomi, com US$ 50 bilhões de valor, dado do início do ano, está focada em celulares de baixo preço e boa qualidade e continua batendo recordes de produção e vendas no mundo. É ao avaliar os motivos do rápido crescimento do número de startups que se percebe que a China só foi capaz de se posicionar na liderança deste movimento por razão de um conjunto singular de fatores que são difíceis de replicar em outros países. O primeiro reside no fato da internet chinesa ser praticamente fechada para o resto do mundo, isso ocorre porque a China impõe uma série de regras de controle e manejo de dados e conteúdo que torna, na prática, proibitivo o ingresso de grandes competidores globais, leia-se o fato do Facebook não estar na China.

Como resultante dessa combinação de fatores criou-se no mercado um vácuo, gerando oportunidades para uma série de modelos de negócio que já foram testados no exterior, porém ainda não existem no mercado chinês. Entre os 57 unicórnios chineses, não é difícil identificar paralelos no mercado mundial. Os próprios exemplos aqui apresentados já foram referidos como o Uber da China e a Apple da China. A lista continua com o Toutiao e o Buzzfeed e há ainda algumas startups com mais de uma referência internacional, como o Wechat que funciona como Whatsapp, Venmo e Twitter.

É evidente que com o apoio do centralismo estatal do Partido Comunista Chinês, com o maior mercado do mundo, com dinheiro de sobra e barato, fica impossível concorrer com os Chineses, claro que aqui o Governo ainda perde tempo e gasta milhões para concluir que a caixa preta do BNDES não existe, ou seja eles navegam e nós patinamos nas raivas, delírios e outras viagens.

Mas não são só os chineses que estão atrás de maiores retornos. Investidores globais buscam diversificar a sua carteira e apostar em unicórnios chineses que podem, mais à frente, desafiar os quase-monopólios existentes no mundo ocidental Em segundo lugar se deve considerar os fatores de produção existentes na China, especialmente a mão de obra qualificada, crucial para o mercado de startups.

Se por um lado a China é fechada para competidores globais, por outro ela é hiper conectada aos principais centros de geração deste tipo de tecnologia no mundo. Essa conexão se dá pelos mais de 300 mil estudantes chineses que na última década têm ido para os EUA e outros mais que foram para a Europa. Mais de 80% desses estudantes voltam para a China e trazem em sua bagagem não só o conhecimento técnico, como também a exposição à cultura de empreendedorismo e experiências de trabalho em competidores globais. Ao voltar para a China, eles se deparam com um mercado de 4,7 milhões de graduados em áreas relativas a matemática, engenharia e tecnologia. Sem contar que o engenheiro chinês custa muito menos para uma startup que um do Vale do Silício. Enquanto o salário médio de um engenheiro nos EUA é de US$ 110 mil por ano, na China ele recebe 150 mil yuans ou, cerca de, US$ 23 mil por ano.

Também não se pode esquecer dos fatores macroeconômicos por detrás deste boom. Nos últimos cincos anos, a China vem buscando mudar seu modelo de desenvolvimento, antes baseado em investimentos em infraestrutura e produção de manufaturas para a exportação, o governo já percebeu que para manter suas elevadas taxas de crescimento deveria começar a diversificar e alocar recursos de forma mais produtiva. Como resultado, foi possível observar nos últimos anos o desenvolvimento do mercado de capitais, onde os bancos e fundos chineses promoveram o crescimento da bolsa de Xangai e a criação de uma série de iniciativas de venture capital. Neste momento, o mercado de startup oferece uma oportunidade muito mais produtiva para se alocar recursos que a construção de cidades fantasmas ou a manutenção de subsídios para indústrias que já perderam sua competitividade a nível global. E não são só os chineses que estão atrás de maiores retornos, investidores globais buscam diversificar a sua carteira e apostar em unicórnios chineses que podem, mais à frente, desafiar os quase-monopólios existentes no mundo ocidental. O discurso azedo de Trump foi um senhor combustível para fomentar a política do Governo Chinês, pois se o mundo era bipolar durante a Guerra Fria, os Estados Unidos escolheram agora seu inimigo na nova guerra Fria, que é a guerra dos aplicativos e plataformas digitais, e claro Biden tenta de outra forma recuperar o tempo perdido, com o mesmo propósito do seu antecessor, mas com um pouco mais de habilidade.

Logo, quando vamos falar de qualquer nova tecnologia os chineses estão no caminho, seja liderando como no caso do 5G e do 6G, ou em qualquer outra referência de tecnologia, lá estarão eles na frente do processo.

É claro, que livre mercado na China é uma ilusão, a concorrência existe sim, mas nada, absolutamente nada que seja estratégico para o desenvolvimento da China fica longe dos olhos e das garras do Partido Comunista Chinês, que de comunista tem quase nada.

A recente tentativa de Xi Jinping de “prosperidade comum” levou os empresários mais ricos do país a agir, um bom exemplo ocorre na cidade natal de Jack Ma, Hangzhou, onde a grande casa do fundador do Alibaba possui sua própria cadeia de suprimentos alimentares dentro de um parque nacional pantanoso.

Durante anos, os excessos dos magnatas da China têm sido lendários. Do Victoria Peak de Hong Kong ao Kensington Palace Gardens de Londres e ao Upper East Side de Nova York, eles tomaram as propriedades mais caras do mundo. Muitos montaram uma coleção de aquisições de prestígio, desde clubes de futebol ingleses e vinhedos em Bordeaux até estúdios de Hollywood e jornais internacionais.

Agora, Ma e seu grupo de titãs tecnológicos bilionários estão em uma missão urgente para mostrar seu espírito socialista através de uma enxurrada de doações e promessas públicas de caridade, ou seja cresceram com os incentivos e a generosa contribuição do estado Chin6es, e agora o PCC está de olho neles, e logo a ordem é “se quiser crescer precisa repartir”.

Por isso, nos últimos meses, uma súbita explosão de benevolência viu bilhões de dólares serem transferidos dos cofres corporativos e contas bancárias pessoais para causas ligadas ao Estado, e na medida que as elites empresariais mais ricas e poderosas do país tentam apaziguar Xi Jinping, o presidente chinês, e a sua mão pesada sobre as empresas.

No entanto, dentro do crescente setor filantrópico da China, a campanha de doação foi recebida com ceticismo diante dos crescentes temores de que o Estado apertará seu controle.

A generosidade externa vem após a barragem de Pequim de medidas regulatórias e políticas focadas em tecnologia, uma ofensiva ampla que subtraiu dezenas de bilhões de dólares do valor de algumas das maiores empresas do país e prejudicou a riqueza pessoal de seus fundadores.

O foco do Partido Comunista Chinês na redistribuição da riqueza se intensificou este mês depois que Xi pediu uma regulamentação mais rigorosa de “rendimentos excessivamente altos” e medidas para “encorajar grupos e empresas de alta renda a devolver mais à sociedade”.

Na semana passada, Chen Lei, CEO da Pinduoduo, uma das maiores plataformas de comércio eletrônico da China, aderiu à campanha de engajamento, comprometendo-se a contribuir com US$ 1,5 bilhão (€ 1,27 bilhão) da receita futura da empresa para apoiar a modernização agrícola e a revitalização rural.

Outros que anunciaram novas contribuições sociais nas últimas semanas são o grupo de capital de risco Hillhouse Capital, de Zhang Lei, e Xing Wang, fundador da empresa de entrega de alimentos Meituan.

Após inundações mortais em Henan em julho, vários grupos de tecnologia como Alibaba, Didi, Tencent e Pinduoduo doaram dezenas de milhões de dólares para os esforços de recuperação. Nos últimos 10 anos, a quantidade de dinheiro doada anualmente pelos 10 maiores empresários da China quase triplicou, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Hurun da China. Dados compilados pela Bloomberg sugerem que as doações de bilionários chineses este ano já estão 20% maiores do que em todo o ano de 2020.

A China dando o tom com produtos, serviços e políticas distributivas nesse novo capitalismo, e considerando a influência dos chineses, só nos resta dizer: Fique atento camarada!!!

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